Depois do especial sobre os indicados a categoria Melhor Filme do Oscar 2018, o Super Cinema UP separou uma lista com 18 grandes filmes que venceram nessa mesma categoria nesses 90 anos de premiação. Confira!

“… E O Vento Levou” (1939)

Sinopse: A história se passa durante a Guerra Civil Americana onde fortunas e famílias foram destruídas. Entre diversas famílias encontramos a bela sulista Scarlett O’Hara que conhece um aventureiro galanteador com quem vive uma relação de amor e ódio. Mas ela também precisa se manter firme para reconstruir sua vida com sua família.

O que faz dele um grande filme: Quando se fala em clássico do cinema, o primeiro filme que vem na cabeça é “… E O Vento Levou”, primeiro filme colorido a vencer o Oscar de Melhor Filme e adaptada de uma obra literária de Margareth Mitchell. Antes que Victor Fleming fosse o diretor fixo do longa, George Cukor e Sam Wood foram cogitados para a direção. Cukor e Wood iniciaram as filmagens (mas foram demitidos pelo produtor David O. Selznick a pedido de Clark Gable, e enquanto não escolheram um diretor, o próprio O. Selznick e o desenhista de produção, William Cameron Menzies, dirigiram algumas sequências). Mesmo assim, os dois diretores não foram creditados. Victor Fleming dirigiu outro filme no mesmo ano que também entraria para a história como um dos melhores filmes do cinema: “O Mágico de Oz”. Os dois disputaram nas categorias de Melhor Filme e Trilha Sonora. Muitos afirmam que o ano de 1939 foi o melhor ano do cinema, além de mais farto. Na premiação do Oscar, também foi considerado o melhor de todos os tempos, tendo “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Adeus, Mr. Chips” e “No Tempo das Diligências” na disputa de Melhor Filme. Na época, a atriz inglesa recém chegada a Hollywood, Vivien Leigh, descoberta na última hora foi quem ganhou o papel de Scarlet O’Hara, mesmo competindo com as atrizes Bette Davis, Susan Hayward, Norma Shearer, Joan Crawford, Katharine Hepburn, Lana Turner e Paulette Goddard. Vivien começou a gravar suas primeiras cenas logo após as cenas de incêndio por que não haviam escalado a protagonista. Apesar de “…E O Vento Levou” ter passado por estas mudanças, torna-se magistral também por ter uma fotografia belíssima, que veio ficar ainda melhor com as edições restauradas quando lançaram em edições especiais em DVD e em blu-ray.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel), Roteiro Adaptado, Fotografia Colorida, Direção de Arte, Montagem, Técnico (Don Musgrave), Honorário (William Cameron Menzies).

Outras indicações: Ator (Clark Gable), Atriz Coadjuvante (Olivia de Havilland), Som, Trilha Sonora, Efeitos Especiais.

“A Malvada” (1950)

Sinopse: O filme conta com a estrela de “Bette Davis” como Margo Channing, uma estrela da Broadway muito conhecida, mas envelhecida. Anne Baxter interpreta Eve Harrington, uma jovem fã ambiciosa que se insinua na vida de Channing, ameaçando a carreira de Channing e seus relacionamentos pessoais.

O que faz dele um grande filme: “A Malvada” é o tipo de filme que fala sobre diversas coisas, entre elas a ambição, insegurança e competição. A ambição vem de uma fã de uma renomada estrela da Broadway que aos poucos vai se aproximando dela, chegando a ganhar sua confiança para chegar ao seu objetivo: a de ser uma atriz tão conhecida e respeitada quanto a sua rival. Insegurança da parte de Margo Channing (Bette Davis – divina) que está ficando velha. A competição que parte da rival de Margo que quer chegar ao estrelato a todo custo. Tudo isso numa trama cheia de intrigas, inveja e traição. Um marco no cinema que conta com um elenco de primeira liderado por Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders e rápidas aparições da novata Marilyn Monroe (que viria a fazer sucesso anos depois). Bette era conhecida por seu temperamento difícil, chegou a discutir e insultar a atriz Celeste Holm de ”cadela” e Marilyn de ”vagabundinha loira” por acha-la sensual e sem talento. “A Malvada” foi o primeiro filme recordista em números de indicação, com o total de 14. Após 47 anos, esse feito voltou a repetir com o fenômeno “Titanic”, e novamente em 2017 com “La La Land”.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (George Sanders), Roteiro, Figurino Preto e Branco, Som.

Outras indicações: Melhor Atriz (Bette Davis), Atriz (Anne Baxter), Atriz Coadjuvante (Celeste Holm), Atriz Coadjuvante (Thelma Ritter), Direção de Arte em Preto e Branco, Fotografia em Preto e Branco, Edição, Música.

“Gigi” (1958)

Sinopse: Paris da belle époque, a adolescente Gigi é recebe lições de etiqueta dadas por sua tia para se tornar cortesã de Gaston Lachaille, solteiro mais cobiçado do país.

O que faz dele um grande filme: Este é um dos poucos filmes delicados e conduzido com uma singeleza sem comparação. Baseado no livro da autora francesa Colette (e também levado aos palcos e foi interpretada por Audrey Hepburn), “Gigi” foi selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo”. O livro, já havia sido adaptado em 1950, mas não em uma versão musical. O jeito meigo e simpático de Leslie Caron conquista mesmo o espectador (no filme há uma cena antológica: quando a tia Alicia ajuda Gigi a conhecer jóias). Quem se destaca também é o ator e cantor parisiense Maurice Chevalier que canta a deliciosa canção ‘’Thank Heaven for Little Girls’’. Chevalier fez sucesso na década de 1930 como cantor, mas decidiu se dedicar a arte de representar quando fez “Amor na Tarde’’ em 1957. Por se tratar de um musical, o produtor Arthur Freed chamou Frederick Loewe e Alan Lerner (que ganharam o Oscar pela canção ‘’Gigi’’) para compor as canções. Seis anos depois, os dois voltariam a trabalhar em outra produção vencedora do Oscar: “Minha Bela Dama’’. Este elegante e charmoso clássico mostra com sutileza uma época bonita que jamais foi mostrada. Filmado quase todo em Paris, os Oscars que ganhou foram merecidos. Merecidos mesmo. Foram um total de 9 indicações. Ganhou todos. Este acontecimento voltaria acontecer em 2004 quando “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei’’ venceu todos os 11 Oscars que lhe foram indicados.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia Colorida, Figurino, Edição, Canção Original (“Gigi”), Trilha Sonora.

“Ben-Hur” (1959)

Sinopse: Jerusalém, início da Era Cristã, o rico Judá Ben-Hur começa a se identificar com seus compatriotas que querem se livrar do domínio de Roma, e acaba entrando em conflito com seu amigo de infância, o romano Messala.

O que faz dele um grande filme: Não por ser o primeiro filme a vencer o máximo de prêmios no total de 11 estatuetas douradas, mas também por toda parafernália tecnológica da época. Terceira versão do romance de Le Wallace (as duas foram em 1907 e outra em 1927) e ainda hoje impressiona pela espetacular cena da corrida de quadrigas, onde são exatos quinze minutos de duração e tornou-se obrigatória para os filmes do gênero. Um dos produtores, Sam Zimbalist, faleceu durante as filmagens e sua esposa recebeu a estátua em seu nome. Não há como negar que “Ben-Hur’’ é uma mega produção e mesmo visto nos dias de hoje, ainda assim é um marco na história do cinema. Filmado todo na Itália, este épico religioso diverte o espectador num ritmo apressurado.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Ator (Charlton Heston), Ator Coadjuvante, Direção de Arte a Cores, Som, Trilha Sonora, Fotografia, Efeitos Especiais, Figurino a Cores, Montagem.

Outras indicações: Roteiro Adaptado.

“A Noviça Rebelde” (1965)

Sinopse: A história real de Maria, uma noviça que pouco antes da ll Guerra Mundial, cuida dos filhos de um importante aristocrata austríaco antinazista e com eles, forma um conjunto musical.

O que faz dele um grande filme: O sucesso deve-se por vários motivos: as músicas, a simpatia que o roteiro conduz os atores, a esplendorosa fotografia… Mas acima de tudo, o carisma de Julie Andrews (que um ano ante protagonizou outro musical agradável, “Mary Poppins”, que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz). Filmado nos EUA e na Áustria em locações divinas, foi inspirado em uma história real e no livro “The Story of the Trapp Family Singers”, tornou-se memorável e querido por muitos que quando crianças, puderam conferi-lo no cinema. Os produtores queriam William Wyler (diretor de “Ben-Hur”) como diretor, mas ele queria uma versão mais adulta e foi descartado. Mesmo sendo considerado um ótimo diretor, se os produtores aceitassem a versão de Wyler, “A Noviça Rebelde” talvez tivesse outra dimensão, com efeito satisfatório, ou não.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Edição, Som, Trilha Sonora.

Outras indicações: Atriz (Julie Andrews), Atriz Coadjuvante (Peggy Wood), Fotografia a Cores, Direção de Arte a Cores, Figurino a Cores.

“O Poderoso Chefão” (1972)

Sinopse: A saga da família de Don Vito Corleone, em assíduas brigas com outras famílias da Máfia, pelo controle de vários negócios ilegais.

O que faz dele um grande filme: Diga-se de passagem que este sim, é um filme poderoso. Baseado no romance de Mario Puzzo “The Godfather’’ e adaptado por ele mesmo e pelo diretor Francis Ford Coppola, é o mais referido em filmes de gângster por ser genioso que deu uma cara nova para o gênero. Na época, Coppola sofreu pressão por parte de Robert Evans por causa da escolha do elenco. Evans não concordava pelos seguintes motivos: Al Pacino na época era desconhecido, James Caan por ser judeu e a carreira de Marlon Brando estava em ruínas. Brando que queria muito o papel, conseguiu convencer a todos de que era o ator ideal para interpretar Don Corleone no teste colocando algodão nas bochechas. Coppola mostrou que pode realizar um excelente filme a ponto de deixar todo o elenco indo contra a vontade de um dos produtores, levantando a decadente carreira de um veterano ator, chegando ele a ser laureado com o Oscar (Brandon se recusou a receber o Oscar e foi representado por uma índia em protesto ao modo como a indústria de cinema estadunidense tratava os índios) e tem mais: permitir que parentes entrassem no filme (ele foi acusado de nepotismo) e deixar a fotografia por conta de Gordon Willis. Não que Willis seja um diretor de fotografia inexperiente. Ele havia trabalhado em dois filmes: “Klute – O Passado Condena” (1971) e “Amor Sem Barreiras” (1970). Sua fotografia em “O Poderoso Chefão” foi considerada tão escura que nem se quer foi indicada ao Oscar. Resultado? Foi trabalhar na continuação “O Poderoso Chefão II”. Ninguém acreditava que a continuação fosse fazer sucesso tanto quanto o primeiro. Mas fez e assim como o primeiro, levou 6 Oscars. Marlon Brandon e Robert De Niro venceram o Oscar pelo mesmo personagem. Brandon no primeiro “Poderoso Chefão” e De Niro no segundo filme. Teve a terceira parte, mas sem muito êxito.

Vencedor nas categorias: Filme, Ator (Marlon Brando), Roteiro Adaptado.

Outras indicações: Diretor, Ator Coadjuvante (James Caan), Ator Coadjuvante (Robert Duvall), Ator Coadjuvante (Al Pacino), Figurino, Edição, Música Original, Som.

“Laços de Ternura” (1983)

Sinopse: Enquanto a viúva Aurora dribla seus admiradores, a filha Emma enfrenta o lado duro da vida de casada. Ela descobre que o marido de sua professora está tendo um caso com um dos estudantes. Mas uma surpresa ainda maior a aguarda depois de uma consulta médica de rotina.

O que faz dele um grande filme: O roteiro inteligente baseado no livro de Larry Mc Murtry (“O Segredo de Brokeback Mountain”) é apenas um detalhe. O que também o tornou amável foram a fotografia, a direção de arte e montagem. A atuação de Shirley MacLaine é uma aula de interpretação, pois ela dá um “show”. O elenco coadjuvante também está excelente e é isso mesmo que mexe com o público e emociona mais ainda na cena em que sua personagem descobre que sua filha tem uma doença terminal. Doloroso e comovedor, não chega a ser um dramalhão meloso e tedioso, por causa de alguns momentos engraçados para “quebrar o gelo’’. É competente e é o melhor do ramo “conflitos em família”.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Atriz (Shirley MacLaine), Ator Coadjuvante (Jack Nicholson), Roteiro Adaptado.

Outras indicações: Atriz (Debra Winger), Ator Coadjuvante (John Lithgow), Direção de Arte, Edição, Trilha Original, Som.

“Amadeus” (1984)

Sinopse: A incrível história de Wolfgang Amadeus Mozart, contada por seu rival Antonio Salieri – agora confinado a um asilo insano.

O que faz dele um grande filme: O diretor tcheco Milos Forman entrega ao público uma grandiosa obra a altura do que foi o compositor austríaco Wolgang Amadeus Mozart. “Amadeus” é uma verdadeira aula de como se fazer cinema com uma perfeição de encher os olhos. Com o roteiro escrito pelo inglês Peter Shaffer, adaptado de sua própria peça, o filme foi inteiramente rodado sob a natural luz do sol e com velas. Estes recursos dão um tom natural e realístico ao filme, e deixa qualquer um maravilhado. A fictícia morte do artista relatada neste belo trabalho – que vai muito além de sua estética – é um pouco angustiante de se ver, porque os historiadores não sabem ao certo a causa de seu falecimento que até hoje é um mistério. Um espetáculo belo, inesquecível e obrigatório.

Vencedor nas Categorias: Filme, Diretor, Ator (F. Murray Abraham), Roteiro Adaptado, Figurino, Maquiagem, Som, Direção de Arte.

Outras Indicações: Ator (Tom Hulce), Montagem, Fotografia, Edição de Som.

“A Lista de Schindler” (1993)

Sinopse: Na Polônia ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, Oskar Schindler gradualmente se preocupa com sua força de trabalho judaica depois de testemunhar sua perseguição pelos alemães nazistas.

O que faz dele um grande filme: Adaptado do romance de Thomas Gespato e baseado na história real do polonês Oskar Schindler, “A Lista de Schindler’’ foi um projeto que ficou engavetado até escalarem um diretor da religião judaica. Para dirigir um filme com um tema tão delicado, os produtores decidiram chamar Steven Spielberg que é judeu. Competente como é, Spielberg conseguiu realizar uma obra destemida e audaciosa com uma belíssima fotografia em preto e branco de Janusz Kaminski, que anos depois voltaria a trabalhar com Spielberg em “O Mundo Perdido – Jurassic Park”, “O Resgate do Soldado Ryan’’ e  “Cavalo de Guerra’’. Branko Lustig (que tem seu segundo Oscar por “Gladiador’’), um dos produtores, foi sobrevivente de um campo de concentração e ficou preso por dois anos quando criança em Auschwitz que fica no sul da Polônia. Esta talvez seja uma realização pessoal de Steven ao se arrisca com sucesso em um gênero que não fosse aventura (também arriscou quando dirigiu o injustiçado “A Cor Púrpura”). O motivo para tal, é que ele é conhecedor do assunto e conseguiu extrair do elenco atuações que transmitem ao público a emoção que ele passa ainda hoje.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original, Montagem, Fotografia, Direção de Arte.

Outras indicações: Ator (Liam Neeson), Ator Coadjuvante (Ralph Fiennes), Som, Maquiagem, Figurino.

“Forrest Gump – O Contador de Histórias” (1994)

Sinopse: Mesmo com o raciocínio lento, Forrest Gump nunca se sentiu desfavorecido. Graças ao apoio da mãe, ele teve uma vida normal. Seja no campo de futebol como um astro do esporte, lutando no Vietnã ou como capitão de um barco de camarão, Forrest inspira a todos com seu otimismo infantil. Mas a pessoa com quem Forrest mais se preocupa pode ser a mais difícil de salvar: seu amor de infância, a doce, mas perturbada Jenny.

O que faz dele um grande filme: Na época em que foi lançado, “Forrest Gump’’ foi um fenômeno de bilheteria. A história de um homem especial que conta sua história, emociona e pega o espectador de surpresa a cada vez que Forrest conta uma parte de sua vida. Os EUA, lógico foi onde fez mais sucesso por mostrar grandes fatos que marcaram à terra do tio Sam, com quase vinte anos de história contada pelo personagem-título. O mais interessante é a aplicação técnica que conseguiu com êxito, fazer com que Tom contracenasse com celebridades mortas, com fatos que realmente ocorreram. A computação gráfica também é engenhosa em outras cenas como as pernas do ator Gary Sinise, logo após serem amputadas. Tom ganhou dois Oscars dois anos consecutivos: em 1993 por “Filadélfia” e por “O Contador de Histórias”. Hanna R.Hall, uma fofura interpretando a Jenny quando criança e Haley Joel Osment, que faz o Forrest Jr., também ganham um certo destaque. Sally Field que é a mãe de Gump também se destaca, afinal ela é uma atriz muito competente. Robin Wright ótima como a namorada do herói anônimo que conquistou plateias do mundo todo e emociona até hoje.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Ator (Tom Hanks), Roteiro Adaptado, Efeitos Especiais, Montagem.

Outras indicações: Ator Coadjuvante (Gary Sinise), Fotografia, Efeitos Sonoros, Trilha Sonora, Maquiagem, Direção de Arte, Som.

“Titanic” (1997)

Sinopse: Jack Downson, jovem aventureiro ganha passagens em apostas para o Titanic, maior navio já construído. Um iceberg se choca com o navio causando uma catástrofe. As lembranças do naufrágio são recordadas por Rose, uma moça da classe alta com que teve um romance com Jack.

O que faz dele um grande filme: James Cameron é um diretor visionário e consegue extrair de sua equipe o máximo que pode para que seus filmes saiam do jeito que ele quer. Não só pela competência de dirigir, mas também por ser perfeccionista. Desde que dirigiu o primeiro filme da franquia “O Exterminador do Futuro” (ele começou com “Piranha II – Assassinas Voadoras” que foi um fracasso), e seguiu sua carreira com excelentes longas, entrou para o time de grandes diretores hollywoodianos estando entre Francis Ford Coppola, Stanley Kubrick e Steven Spielberg. O custo para “Titanic’’ foi de 200 milhões que foi mais cara que a própria construção do navio em 1912. Claro que este custo teve um retorno bem maior com mais de dois bilhões. Um recorde de bilheteria. Este recorde seria quebrado anos mais tarde por um outro filme de James: “Avatar”. A equipe que trabalhou feito cão para fazer dele o que ele é, despediu-se no último dia de gravação dizendo “Vejo você no Oscar’’. Claro que estavam certos de que seria um sucesso estrondoso. Por falar em produção, a direção de arte, montagem e edição de som são excelentes. A montagem de um navio que seria quase do tamanho original teve que ser feita em outro estúdio (que teve que ser construído especialmente para o navio) por causa do seu tamanho onde um tanque de 60 milhões de litros de água foram usados. Todo esse trabalho resultou em 11 estatuetas na premiação do Oscar. Na noite da entrega dos prêmios, James ficou irritado com o astro da vez, Leonardo DiCaprio, por não ter ido à cerimônia. O motivo da ausência do ator foi de não ter sido indicado. Os prêmios que o filme recebeu e foi indicado (Oscar – que até surgir “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei’’ tinha se igualado a “Ben-Hur” por conta da quantidade de Oscars que no total, ambos conquistaram 11 – , Globo de Ouro, César Awards, MTV Movie Awards), foram justos, pois entrou na história, mesmo sendo um filme cultuado e odiado por milhões. Ame ou odeie, é por que com certeza você o assistiu.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Som, Edição, Trilha Sonora, Canção Original (“My Heart Will Go On”), Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais.

Outras indicações: Atriz (Kate Winslet), Atriz Coadjuvante (Gloria Stuart), Maquiagem.

“Beleza Americana” (1999)

Sinopse: Um pai suburbano sexualmente frustrado tem uma crise de meio ambiente depois de se tornar apaixonado pela melhor amiga de sua filha.

O que faz dele um grande filme: Na sua estreia como diretor de cinema o britânico Sam Mendes, ex-diretor teatral, soube como explorar o roteiro de Alan Ball com ironia e cinismo ao estilo de vida americana (a beleza americana do título é, na verdade, uma rosa muito consumida nos EUA, que não tem espinho nem cheiro, que no pôster é uma espécie de deboche). O roteiro é inteligente e intrépido ao mesmo tempo, é também ousado ao ponto dos cidadãos estadunidenses se identificarem com o filme que chegou a incomodar Bill Clinton, que na época era presidente dos EUA. Clinton como todos sabem, teve um caso com sua secretária e o “American Way of Life” não foi aceito por ele, principalmente por causa do assédio do personagem de Kevin Spacey pela ninfeta Mena Suvari. Quem nunca o assistiu, tem a impressão de ser um drama ruim e cansativo de se ver. Não é. O espectador ri e é pego de surpresa em diversas situações, como a do protagonista no chuveiro ou durante uma fantasia com a amiga de sua filha em uma banheira. O narrador revela logo de cara que irá morrer. Começa ali uma espécie de suspense que prende e encanta, que vai revelando segredos chegando até a morte do protagonista. É uma das poucas obras impactantes excelentes que ironizam o modo de vida de seu país, que prende e com um resultado lisonjeiro.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Ator (Kevin Spacey), Roteiro Original, Fotografia.

Outras indicações: Atriz (Annette Bening), Trilha Sonora Original, Montagem.

“Chicago” (2002)

Sinopse: As assassinas Velma Kelly e Roxie Hart encontram-se no corredor da morte juntas e lutam pela fama na Chicago década de 1920.

O que faz dele um grande filme: Os votantes da Academia apreciam musicais e quando se trata de algum que tem uma trama que prenda o público, geralmente são laureados em alguma categoria principal ou até mesmo acaba prestigiado com o tão cobiçado Oscar de Melhor Filme do ano. Foi assim com os ótimos “Sinfonia em Paris”, “A Noviça Rebelde”, “Oliver!”, “Gigi”, “Amor, Sublime Amor” e o ótimo “Chicago”. O diretor estreante Rob Marshall, explora uma Chicago sedenta por notícias onde o jazz predomina, e as assassinas ao estilo femme fatale ganham os holofotes. Baseado no livro de Bob Fosse e Fred Ebb, “Chicago” é o tipo de filme que já nasce clássico.

Vencedor nas categorias: Filme, Atriz Coadjuvante (Catherine Zeta-Jones), Direção de Arte, Figurino, Edição, Mixagem de Som.

Outras indicações: Diretor (Rob Marshall), Atriz (Renée Zellweger), Ator Coadjuvante (John C. Reilly), Atriz Coadjuvante (Queen Latifah), Roteiro Adaptado, Fotografia, Canção Original (“I Move On”).

“O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003)

Sinopse: Gandalf e Aragorn lideram o Mundo dos Homens contra o exército de Sauron para tirar o olhar de Frodo e Sam enquanto se aproximam do Monte Doom com o Anel Único.

O que faz dele um grande filme: Diversas razões. O diretor neo-zelandês Peter Jackson encerra uma ambiciosa e fascinante trilogia épica entrando para a história da Academia com o total de 26 indicações e 17 estatuetas, juntando os três filmes: ”A Sociedade do Anel”, ”As Duas Torres” e “O Retorno do Rei”. O terceiro filme da saga venceu todas as 11 categorias que estava concorrendo, incluindo os prêmios principais, os de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Som, Efeitos Especiais, Trilha Sonora, Canção Original (“Into the West”), Maquiagem, Edição, Figurino, Direção de Arte.

“Menina de Ouro” (2004)

Sinopse: Uma garota  determinada trabalha com um treinador de boxe durão para se tornar uma pugilista.

O que faz dele um grande filme: Depois de “Rocky – Um Lutador”, os membros da Academia pensavam que seria impossível premiar como Melhor Filme algum outro com uma temática esportiva. O veterano Clint Eastwood mostrou que é possível sim e não caiu apenas nas graças dos votantes do Oscar, mas também do público, dando a Hillary Swank a sua segunda estatueta dourada.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor, Atriz (Hilary Swank), Ator Coadjuvante (Morgan Freeman).

Outras indicações: Ator (Clint Eastwood), Roteiro Adaptado, Edição.

 “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007)

Sinopse: A violência e o caos ocorrem depois que um caçador tropeça em um negócio de drogas errado e pega mais de dois milhões de dólares em dinheiro perto do Rio Grande.

O que faz dele um grande filme: Quando um longa dos irmãos Coen entram na disputa, é porque precisa da devida atenção. Foi o caso do eletrizante “Onde os Fracos Não Têm Vez”, que entrou no páreo junto a filmes de peso como “Sangue Negro”, “Conduta de Risco” e “Desejo e Reparação”. Além de vencer o principal prêmio da noite, fez de Anton Chigurh (personagem de Javier Bardem, que foi laureado como Melhor Ator Coadjuvante) um dos mais terríveis e memoráveis vilões do cinema. Sim, Anton é um sujeito que dá medo a qualquer um e Javier parece não fazer esforço para passar veracidade e pavor ao público.

Vencedor nas categorias: Filme, Diretor (Joel Coen e Ethan Coen), Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Roteiro Adaptado.

Outras indicações: Fotografia, Edição, Som, Edição de Som.

“Argo” (2012)

Sinopse: Um produtor de Hollywood explora uma localização para um filme de ficção científica, um agente da CIA lança uma operação perigosa para resgatar seis americanos em Teerã durante a crise de reféns dos EUA no Irã em 1979.

O que faz dele um grande filme: Com ritmo frenético e eletrizante, Argo consegue prender do início ao fim. Mesmo sabendo como começa e termina, não decepciona e tem como objetivo mostrar, como uma falsa equipe de produção cinematográfica conseguiu resgatar seis estadunidenses da Embaixada norte-americana em Teerã sem deixar uma má impressão do povo islâmico. O longa acompanha a trajetória desde o início, quando estudantes islâmicos invadiram a Embaixada dos Estados Unidos até a fuga secreta dos consulares. O roteiro adaptado do livro ”Master of Disquise” e a incrível jornada ficou escondida a sete chaves até o ano de 1997, liberada pelo presidente Bill Clinton. Dez anos depois, foi publicada em uma revista, a Wired. Filme sensível embora seja agitado (a edição – que também pode ser categorizado como montagem – ficou por conta de Willian Goldenberg que tem experiência no ramo e tem em seu currículo filmes como “Miami Vice”, ”Transformers: O Lado Oculto da Lua” e ”Transformers: A Era da Extinção”), e com bons desempenhos notáveis de Alan Arkin (venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por ”Pequena Miss Sunshine”) e John Goodman. “Argo” trata-se de uma obra que consegue ser tão interessante quanto o próprio fato ocorrido em si, com uma excelente reconstituição da época.

Vencedor nas categorias: Filme, Roteiro Adaptado, Edição.

Outras indicações: Ator Coadjuvante (Alan Arkin), Edição de Som, Mixagem de Som.

“Moonlight – Sob a Luz do Luar” (2016)

Sinopse: Uma crônica da infância, adolescência e adultez crescente de um jovem, afro-americano, homossexual que cresce em um bairro difícil de Miami.

O que faz dele um grande filme: Este é o segundo trabalho do diretor e roteirista Barry Jenkins (do elogiado e premiado “Medicine For Melancholy”) baseado na peça “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney. “Moonlight” é bem mais que uma trama realista e comovente. Jenkins nos mostra um corajoso relato sobre sexualidade, violência, descoberta e solidão, numa poética e ácida narrativa, com personagens humanos que, graças a seus interpretes, passam a veracidade que lhes é exigida. O espectador testemunha tudo isso em três atos divididos na infância, adolescência e fase adulta de Chiron, um jovem negro que cresceu em meio a pobreza, sofrendo constantes molestos de seus colegas.

Vencedor nas categorias: Filme, Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Roteiro Adaptado.

Outras indicações: Diretor (Barry Jenkins), Atriz Coadjuvante (Naomie Haris), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora.

E aí super leitor, gostou da lista? Seu filmes favoritos estão entre os mencionados? Achou a lista injusta ou acha que algum não deveria estar na lista? Deixe sua opinião.

A premiação do Oscar 2018 acontece no dia 4 de março.