Em A Batalha das Correntes o diretor Alfonso Gomez-Rejon conta a história real da corrida entre Thomas Edison e George Westinghouse para levar a eletricidade para as cidades dos Estados Unidos e não é a primeira vez que essa história chega aos cinemas.

Em 2017 o filme foi exibido durante o Festival Internacional de Filmes de Toronto, na época como uma produção da Weinstein Company, empresa de Harvey Weinstein, que foi à falência após os diversos escândalos de assédio sexual envolvendo o produtor, mas não sem antes ter feito diversas alterações ao filme. Depois do projeto ter ficado na geladeira por um tempo, o diretor Alfonso Gomez-Rejon teve a chance de ter seu filme de volta, podendo fazer algumas refilmagens e deixar o filme da maneira que pretendeu desde o começo.

A visão do diretor é marcante, principalmente no que diz respeito aos cortes abruptos que se repetem durante todo o filme e dão mais movimento à trama que, por vezes, pode ser monótona.

A Batalha das Correntes tem como ponto central a rivalidade entre Edson e Westinghouse, que disputavam com correntes elétricas distintas – Edson defendia o uso da corrente contínua (mais por teimosia do que por lógica), enquanto Westinghouse defendia a corrente alternada, e se você não conhece nada sobre o assunto, não se preocupe, toda a ciência é explicada de forma bem simples – às vezes até simples demais, e é acessível.

À primeira vista a trama pode parecer pouco intrigante, mas qualquer pessoa que se interesse pelo menos um pouco por história pode ser entretida pela narrativa. O genial, ambicioso e às vezes arrogante Edson é interpretado por Benedict Cumberbatch que, como sempre, entrega uma performance convincente e que poderia, inclusive, ter sido melhor aproveitada. Já Westinghouse é interpretado por Michael Shannon que apesar de não tão marcante quando Cumberbatch também convence em seu papel como o empresário mais carismático. O resto do elenco também cumpre seu papel, apesar de ter pouca relevância na história, com exceção do jovem ator Nicholas Hoult interpretando o imigrante e futurista Nikola Tesla, que traz um novo ar para a história.

O filme é visualmente bonito, o que já era esperado considerando a temática de luz e eletricidade. Mesmo tendo alguns momentos mais “parados”, é fácil de assistir. A rivalidade entre os dois protagonistas é muito bem construída e você se encontra escolhendo um lado para torcer durante a narrativa. A Batalha das Correntes pode não ser uma obra-prima do cinema, mas não deixa de ser uma boa escolha para quem curte filmes históricos.