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Foi-se o tempo em que o humor negro era algo realmente espalhafatoso, para não dizer ofensivo. Hoje lidamos com o humor sem escrúpulos e de criatividade ilimitada, o que se torna divertido na medida do possível, mas também absurdo para quem assiste algo dessa natureza.

O enredo de ‘A Espiã que Sabia de Menos’ lembra outros filmes do gênero como ‘Agente 86’ e ‘Johnny English’. Contudo, diferente dos demais, a produção estrelada pela indicada ao Oscar, Melissa McCarthy, consegue surpreender pelas cenas mais do que ousadas e ao mesmo tempo, apelativas e desnecessárias que os idealizadores consideraram relevantes para o desenvolvimento da trama.

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O diretor Paul Feig, que já trabalhou com Melissa em outras produções, sendo a mais famosa, ‘Missão Madrinha de Casamento’, tem um apreço pelo humor exagerado e não foi diferente para concretizar o desafio em dirigir esta comédia que conta a história de Susan Cooper, uma agente analista da CIA que recebe a missão de desvendar um caso que levou seu amigo Bredley Fine (Jude Law) a ser assassinado, tendo, a agente, que se aproximar da principal suspeita, Raina Boyanov (Rose Byrne). Sua missão acaba se complicando depois que erros são cometidos durante o desenrolar do seu trabalho, estando seu outro colega de missão, Rick Ford (Jason Statham), uma pessoa bem mais atrapalhada do que Susan, a um passo de arruinar a missão por causa do seu orgulho tosco.

As cenas de ação e perseguição são de fato bem preparadas, mesmo com os tradicionais efeitos dos filmes de comédia, os quais tornam seus personagens capazes de fazer coisas até mesmo sobre humanas. O ambiente onde as filmagens foram realizadas também são bem atrativas aos olhos do público e contribuem para o desenvolvimento do enredo.

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Defeitos, obviamente, não faltam e assim como nos filmes deste gênero que se tornaram tradicionais, eles transformam o enredo em algo extremamente violento demais para uma simples comédia. Se pode ver muito sangue, pessoas sendo executadas sumariamente, mediante tiros ou esfaqueamento. A cena em que um dos inimigos de Raina Boyanov é morto ao engolir ácido fazendo com que seu pescoço derretesse poderia ter sido tirada do roteiro, pois não contribuía nem atrapalhava para o decorrer da história.

Quem viu o filme com o áudio dublado em português pôde ficar impressionado com a quantidade de palavrões empregados pelos personagens. Nota-se que o estúdio que dirigiu a dublagem nada mais queria senão deixar os diálogos abrasileirados demais da conta. Mesmo para o telespectador exigente com relação a filmes dublados, esta tática acabou excedendo os limites para se transmitir o humor que o filme oferecia.

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De um modo geral, os realizadores do filme quiserem misturar ação com humor em excesso e todo mundo sabe que isso raramente dá certo. Os irmãos Zucker iniciaram esta tática, mas sempre mantendo os padrões da censura. Fato este que nunca os impediram de levar o público às gargalhadas, por mais bobinhos que seus filmes fossem, citando como exemplos mais famosos, ‘Corra que a polícia vem aí’ e ‘Apertem os Cintos…o piloto Sumiu!’, grande clássicos da comédia desconcertada.

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Detalhe curioso é o fato de ver um certo declínio de Jude Law em razão dos filmes mais maduros e, ao mesmo tempo, se pode perceber uma levantada na carreira de Jason Statham ao deixar, um pouco de lado, seus filmes de ação tradicionais.

O filme ‘A Espiã que Sabia de Menos’ é algo muito engraçado e, é claro, divertidíssimo aos olhos do público. Contudo, para quem esperava um pouco mais de seriedade deste filme, acabou a ver navios.

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