O cinema, como sabemos, passa por ciclos que geram diversos roteiros e tramas equivalentes dentro de um curto espaço de tempo. Com o terror é a mesma coisa. Do meio dos 70 até o fim dos 80, o gênero foi marcado pelos filmes de slashers, com Jason, Michael Myers e cia. Nos anos 2000 tivemos produções grandes com a fórmula found footage. E de alguns anos para cá, grandes produções e franquias como ‘Invocação do Mal’. Aqui, ‘A Maldição da Casa Winchester’ não foge do cenário atual, mas se utiliza de recursos ultrapassados do gênero.

A animadora frase “baseado em fatos reais” serve como o melhor convite para os fãs do gênero, apesar de aqui isso ser subjetivo. Mesmo o trailer do longa já apresentar uma produção manjada, o mínimo esperado são os sustos e o medo. O longa nem se utiliza dos criticados jump scares – e por incrível que pareça, fizeram falta. O roteiro mal desenvolvido é preguiçoso na hora de construir uma trama desafiadora para o espectador, sendo tudo muito simples e explicativo.

Diretores do recente filme da franquia ‘Jogos Mortais’, os desconhecidos irmãos Spierig – que também escrevem o longa, ao lado de Tom Vaughan – demonstram marasmo em fazer o essencial, que é cinema. Com produções menores e mais ligadas ao estilo gore do gênero, os dois não exploram suas características e seguem um padrão já não mais convencional do terror. Os problemas vão desde personagens mal construídos até uma direção medíocre, que beira o ridículo em algumas cenas. Todo o conjunto da obra não se condiz, e a construção de ambiente e tensão que os dois tentam traçar não conversa em nenhum momento com a situação e com o texto que os próprios desenvolveram.

Alguns personagens, por não apresentarem peso ou justificativas para tais sentimentos, não cativam o espectador e se tornam meros apoios. Nos principais, até existe um interesse, mas o fraco desenvolvimento faz o espectador cansar, transformando a uma hora e 40 minutos de filme, em algo com a sensação de mais longo. E o filme peca no mínimo, não sendo nem um pouco assustador. A falta de coesão de toda a construção também atrapalha em seu ritmo, principalmente no terceiro ato, com soluções gratuitas.

A incompetência na direção ganha forças quando o elenco escalado não apresenta um bom trabalho. Grandes atores de Hollywood tendem, em algum momento da carreira, fazer um trabalho ruim, aparentando estar precisando de dinheiro. Longe de grandes produções há um tempo, Helen Mirren vem demonstrando uma sequência abaixo do nível esperado, trabalhando em longas como ‘Beleza Oculta’ (2016) e ‘Velozes e Furiosos 8’ (2017), por exemplo. Aqui, a atriz até tenta, mas não demonstra vontade e entrega uma linearidade o filme inteiro, graças ao fraco texto e direção. Jason Clarke é outro que não entrega um bom trabalho. Diferente de Mirren, seu personagem tem mais nuances e momentos dramáticos mais fortes, mas ainda assim, o que tem em tela se aproxima do amadorismo. A falta de uma boa contextualização da história geram personagens mal trabalhados, e aqui, ultrapassada para o mal atuado também, principalmente a estreia do jovem Finn Scicluna-O’Prey no cinema.

A decepção existe não só pelo texto mal escrito ou pela má direção, mas pelo fato de que nem o mínimo é feito. A dupla entrega uma junção de defeitos, utilizando trilhas extremamente triviais e movimentos de câmera fúteis. O ambiente, construído de forma belíssima e prática, para um melhor acolhimento da trama, é aproveitada de maneira vil. O trabalho da direção de arte e do figurino são até agradáveis, no entanto, são prejudicados por uma fotografia pobre, que em certos momentos, estraga toda a ambientação.

Enquanto a fase do terror entrega produções de altas qualidades, com histórias bem escritas e dirigidas, ‘A Maldição da Casa Winchester’ se destaca por fazer o inverso, e por ser um filme que cai no esquecimento logo no subir dos créditos.