SINOPSE

Brasília, início da década de 1980. O REPI (Registro de Patentes e Invenções) acaba de ser capa de uma importante revista nacional, que o coloca como exemplo da burocracia existente no governo. Lisboa, o chefe do departamento, não gosta nem um pouco da reportagem e decide cobrar atitude de seus funcionários, que fazem de tudo menos trabalhar. Paralelamente, o dr. Brasil deseja patentear uma máquina do tempo. Ele deixa o aparelho no REPI e, ao ser colocado no estoque, Jonas acidentalmente o aciona e, consequentemente, volta no tempo. Ao descobrir o ocorrido, Lisboa elabora um plano de forma a obrigar os funcionários a realmente trabalharem, mesmo que para tanto eles precisem ser mantidos em cativeiro.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Santiago Dellape

Roteiro:

Santiago Dellape, Davi Mattos

Gênero:

Comédia, Ficção Científica

Produção:

400 Filmes, Doc Doma

Elenco:

Bianca Müller, Dedé Santana, Tonico Pereira, Eucir de Souza

Nacionalidade:

Brasil

Ano de Produção:

2017

Data de Lançamento:

25/01/2018

Distribuição:

O2 Play

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

Vencedor dos prêmios de Melhor Ator, Montagem e Direção de Arte em setembro do ano passado no 49° Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, “A Repartição do Tempo” (que estreia esta semana) é uma gostosa e inteligente comédia nacional que faz a plateia cair na risada. Enquanto em toda sua projeção o público se diverte, o filme também apresenta toneladas de referências de como uma história que é passada na década de 80, é tão atual e debochada ao mesmo tempo. De fato, o filme é uma escrachada sátira que funciona plenamente e se apoia nas confusões incomuns. Porém, a ideia pode ser comprada sem nenhum problema.

O longa é carregado de humor negro, que não pega leve com sua ironia ácida em resumir uma profunda análise a concursados que trabalham em repartições, nem como a coisa funciona na capital do nosso país. O espírito cômico em “A Repartição do Tempo” é basicamente visual e mordaz com sacadas espertas que te arrancam muitas risadas involuntariamente por se tratar de uma comédia de crítica social.

O desmantelado (no bom sentido) roteiro do próprio Santiago Dellape (estreando na direção de um longa) nos leva à década de 80 e nos mostra que de lá pra cá, não mudou muita coisa. Para ser mais preciso, continua na mesma, só que em épocas distintas.

Em Brasília, O REPI (Registro de Patentes e Invenções) acaba de ser capa de matéria em uma famosa revista, sendo citado como exemplo de má administração de serviço público. Quando um cientista registra a patente de uma peculiar máquina do tempo, Lisboa, o oportunista chefe do REPI se aproveita da ocasião para aprisionar os funcionários e os obriga a trabalhar para aumentar a produtividade. Porém, as coisas não saem como ele havia planejado: os funcionários se rebelam, causando confusão na pacata repartição.

Todos os personagens têm o rabo preso e o chefe do recinto se revela ser um sujeito de temperamento explosivo e caráter duvidoso. Isso é notado facilmente quando ele se vê sob pressão e sem alternativa, partindo para a desonestidade com o povo brasileiro, a senadora, que é sua mãe, e os funcionários.

Com toda essa desordem no âmbito administrativo público, desde os primeiros minutos, o roteiro também nos convida abertamente às discussões como crimes a administração pública, prevaricação, peculato ou até mesmo o excesso de exação – embora isso não entre em questão em momento algum no filme – e as perspectivas profissionais. Santiago Dellape não esconde de ninguém que escolheu explorar este universo – de forma inteligente -, por ser funcionário público há pouco mais de seis anos e por ser grande fã dos filmes da Sessão da Tarde, por isso faz de “A Repartição do Tempo” uma ode aos seus filmes preferidos que passavam na época como “Conta Comigo”, “De volta Para o Futuro” e Goonies”.

Diversas situações e sequências de humor corrosivo são perceptíveis referências aos clássicos que Santiago tanto tem apreço, auxiliadas de uma bela fotografia assinada por André Carvalheira que também fez bonito nas fotografias de “O Último Cine Drive-In” e Comeback”. Rodado inteiramente em Brasília, o filme nos mostra que no geral, o que predomina mesmo é sua maneira cáustica de se fazer entender as coisas e são destas brincadeiras que saem verdadeiras obras da comédia nacional.