James Gray é um diretor e escritor que recentemente lançou “Z – A Cidade Perdida”, um filme pouco conhecido pelo público geral, mas que gerou um certo “burburinho” que dividiu os críticos na época. O que guia o filme de 2016 é um debate sobre os limites humanos da exploração do desconhecido, tema que Gray resolve explorar novamente em “Ad Astra – Rumo às Estrelas”. Estrelado por Brad Pitt, Tommy Lee Joes, Donald Sutherland e Liv Tyler, o longa traz um subtítulo redundante (“Ad Astra”, do latim, significa “Para as estrelas”), uma trama clichê e duas horas de projeção que podem ser melhor aproveitadas se o espectador tirar um bom cochilo.

 

Para os cinéfilos mais antigos, o trailer de “Ad Astra” pode ter trazido alguma confusão por dar uma leve ideia de continuação de “Cowboys do Espaço” (2000), já que ambos os longas trazem Tommy Lee Jones e Donald Sutherland como astronautas veteranos envolvidos em uma missão sem retorno a Terra. Trata-se, no entanto, de uma mera coincidência, já que em “Ad Astra” o motivo da missão é a busca de vida inteligente no espaço, e não o reparo de um satélite.

 

Na história, o personagem de Brad Pitt, Roy, é um astronauta exemplar, filho do veterano que participou de uma missão sem volta a Netuno em busca de vida inteligente fora da Terra há 30 anos. Agora, algumas evidências indicam que talvez a missão não tenha sido um completo fracasso e o pai de Roy possa estar vivo. Decidem então enviá-lo para investigar melhor esses sinais, mas nem tudo é tão simples quando se trata de uma organização governamental de exploração do espaço.

 

Por mais que seja um filme “original”, essa trama não parece um pouco familiar? Talvez um pouco batida para os dias de hoje? E de fato ela é. “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1968), “Solaris” (1972), “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979), “Apollo 13” (1995), “Gravidade” (2013) e “Interestelar” (2014) são alguns bons exemplos de filmes que tratam muito bem o tema, o que “Ad Astra” não consegue chegar nem perto.

 

Enquanto “2001 – Uma Odisseia no Espaço” estava a frente do seu tempo em 1968 e até hoje pode ser assunto de horas de debate, “Ad Astra” está muito “atrás” de seu tempo e traz um debate bobo e extremamente raso. Além disso, Gray se repete muito na questão da “jornada de um homem” e as semelhanças com “Z – A Cidade Perdida” chegam a ser ridículas. Há uma “pseudo-intelectualidade” que paira na produção de “Ad Astra”, a qual talvez satisfaça a nossa sociedade medíocre, hoje composta inclusive por terraplanistas.

 

Nem de longe, o filme consegue trazer a reflexão que seus antecessores trouxeram e tão pouco consegue ser belo. Os primeiros 10 segundos do filme trazem uma composição e um ângulo de câmera que empolgam, causando um “frio na barriga” mesmo de quem não tem medo de altura, mas possivelmente gastaram todo o brilhantismo que restava apenas para esse take. O espaço é pouquíssimo explorado pelos cineastas, o que surpreende quem assiste um filme do gênero e ajuda a afundar ainda mais as considerações sobre o longa.

 

O elenco não é compatível com o longa. Brad Pitt consegue se entregar a proposta do longa, mas o seu potencial é muito mal aproveitado pelo diretor, que opta constantemente por enquadramentos colados na face do ator, buscando explorar as emoções que o filme não traz. Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e Liv Tyler fazem meras pontas no longa, com baixíssima relevância. O elenco de coadjuvantes servem como suporte para a história de Pitt, e assim como todo o resto somem na imensidão do vazio.

 

Sem reflexões, sem atualidade, sem deslumbre visual, sem trama e sem gosto, “Ad Astra” decepciona muito. Certamente não será um filme memorável como tantos outros, e se por um acaso virar, será um reflexo da mediocridade do século XXI.