SINOPSE

Uma vaca sempre levou uma vida tranquila, porém em noite de Natal ela confronta-se com uma sensação forte de vazio, com isso a vaca comer uma jornada, sem rumo, em busca do seu verdadeiro eu.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Tião

Roteiro:

Tião

Gênero:

Drama, Comédia

Produção:

Leonardo Lacca

Elenco:

Rodrigo Bolzan, Elisa Heidrich

Produção:

Leonardo Lacca

Nacionalidade:

Brasil

Ano de Produção:

2016

Data de Lançamento:

08/06/2017

Distribuição:

Vitrine Filmes

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Montagem:

Efeitos Especiais:

Montagem:

Efeitos Especiais:

Efeitos Visuais:

Direção de Arte:

Elenco:

Um filme protagonizado por uma vaca pode soar um pouco estranho. Mas são nos primeiros minutos de projeção que espectador percebe que não há nada de estranho, e sim que há muito incomum com o comportamento de um animal que age como um ser humano e entende essa metáfora quando se depara com situações que o humor negro (que está sempre presente) se encarrega de mostrar. Parece ser incômodo ou instigante, mas é existencial e cômico. A vaca no caso, representa um vazio que há em pessoas com poder aquisitivo que são tão ricas que seu dinheiro é sua única riqueza enquanto seu estado de espírito é paupérrimo. Isso é o que mostra o trabalho (ainda inédito) do diretor pernambucano Tião, que estreia hoje.

Tião realizou um trabalho reflexivo e um pouco subversivo que mistura ficção com humor satírico e dramático ao mesmo tempo que servem de moldura para expressar a ideologia que o filme mostra logo de cara. Uma teoria subliminar no filme é fato de pessoas consumirem carne bovina, enquanto a própria protagonista é uma vaca em uma iludida tentativa de encontrar algum sentido na vida, como se realmente fosse um ser humano. Com isso, “Animal Político” combina humor espinafrado lapidado com crítica social e frases ponderadas como “Os melhores poetas, sabem que o caminho para a luz, frequentemente passa pela escuridão”.

Trabalhar com uma vaca não foi uma tarefa nada fácil. Tião e sua equipe tiveram paciência para gravar com Cerveja (batizada pela equipe), a estrela do filme. Eles souberam aproveitar bem todos takes que Cerveja lhes proporcionou. A ideia, embora tenha sido considerada infilmável, pôde ser tocada para a frente graças a persistência do próprio diretor.

Em meio a toda esta busca, a plateia se depara também com A Pequena Caucasiana, uma garota branca, de família aristocrata. Sobrevivente única de um naufrágio, desde os cinco anos de idade, ela não tem o que vestir, o que comer e seu único habitat é a natureza de uma ilha deserta (lugar este que, tenta sobreviver). Ela, assim como a vaca, tenta achar sua razão na existência humana, tudo isso matando o tempo lendo as normas do livro ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Tião explica que a nudez da atriz durante suas cenas, seria uma liberdade ao naturalismo. Por estes motivos, “Animal Político” vale ser conferido também por seu forte impacto emocional e por ser muito bem projetado.

Produzido por Leonardo Lacca (também diretor do elogiado “Permanência”), que na época das filmagens estava envolvido no filme “Aquarius” de Kléber Mendonça Filho, treinando o elenco, é meditabundo quando em uma de suas cenas de parábolas existenciais mostram homens engravatados e sem cabeças em posições robóticas. São situações como estas tiradas de um inventivo roteiro que demonstra logo de cara que “Animal Político” não é apelativo e consegue divertir, entreter e excogitar ao mesmo tempo.

Este filme inquietante e ousado, fez com que Tião conseguisse a proeza de deixar o público ligado a cada segundo de exibição, por ser seu motivo principal ser o não apego ao estrelismo nem “querer esfregar na cara da sociedade blá blá blá…”.

“Animal Político” é narrado de forma precisa e dentro de seu próprio ritmo, que vai muito além das risadas que consegue arrancar do espectador, como também possibilita uma visão ampla e profunda de uma sociedade interligada ao capitalismo e individualismo. Vale também pela exploração do tema central que pode ser discutida por exemplo, na saída do cinema depois de ser assistido, pois demonstra se preocupar com o futuro da humanidade.