Publicado no ano de 2006, o mangá ‘Taiyou no Uta’, escrito por Kenji Bando, apresentou ao mundo a história da jovem Kaoru Amane e sua rara doença Xeroderma Pigmentoso – também conhecida como XP. A disfunção impede o contato direto com a luz do sol devido a uma alta sensibilidade de pele, com lesões cutâneas presentes nos primeiros anos… mas nada que o amor não poderia servir como principal tratamento.

Com potencial, a história ganhou sua primeira adaptação às telonas um ano depois, com Norihiro Koizumi na direção. Em 2018, a trama ganha sua versão ocidental, para que a história de Bando, conquiste ainda mais pessoas. Infelizmente, nada é muito novo. Inclusive, a específica doença é a única originalidade do longa aqui, até porque, um(a) jovem isolado(a) do mundo, com um segredo, conhece um(a) outro(a) jovem que muda sua vida e o(a) faz se transformar, não é nada inédito. Pensando em filmes com a mesma característica, ‘A Culpa É Das Estrelas’ (2014) parece ter sido uma das principais inspirações, principalmente ao retratar um adolescente, se bem que, com uma história dessa, não há muitos segredos. A falta de dificuldades para transportar esta trama à tela resultou em se tornar o primeiro trabalho de Eric Kirsten, que, por estar em um ambiente, por sua vez, seguro, realiza um bom trabalho como roteirista. Longe das maravilhas de outros roteiros, Kirsten constrói bem toda a narrativa dos personagens principais e as situações necessárias. O período temporal da história, por ser curto, parece ter atrapalhado um pouco, fazendo com que o texto apresente certa situações e personagens, que, até chegar no final, desaparecem sem qualquer citação ou explicação. Algumas características, como a própria relação da personagem com a música, por exemplo, acabam tendo um trabalho inferior do potencial que apresentavam. Contudo, sua interação com Scott Speer para transportar tudo para o visual, tornou-se um ponto forte da produção.

Speer entendeu bem o elenco que tinha em mãos e sabia até onde poderia levá-los. Mas vamos deixar isso mais pra frente. A direção do americano cria bons momentos de humor e, principalmente de drama, mesmo que a situação das personagens, em exato momento, fazem com que o choro saia naturalmente, sem precisar de uma forçação do diretor. Também novato como cineasta, tendo apenas outros dois filmes na carreira – ‘Ela Dança, Eu Danço 4’ (2012) e ‘Status Update’ (2018) – sua relação com conteúdo adolescente se mostrou eficaz, conseguindo entregar o esperado pelo público alvo. Essa é a função do filme em si, conseguir apresentar um romance fofo, mas com um peso que vai fazer todos chorarem. E esse objetivo ele atinge. Aliás, sobre o final, o roteiro conseguiu construir duas opções de conclusão, ambas previsíveis, entretanto, Kirsten se utilizou da mais corajosa, o que engrandece e faz a história ter o peso prometido.

Mas o erro em querer eternizar a história de amor entre Katie e Charlie, atrapalhada por uma terrível doença, está na escolha do elenco. Ainda muito superficial, Bella Thorne apresenta estar longe de se destacar em Hollywood futuramente. Com uma filmografia pobre, seus papéis são parecidos, sem qualquer exploração de personagens ou gêneros, tornando tudo ainda muito pior. A tentativa de uma boa entrega e de transmitir peso à situação é clara, mas o resultado diminui a história de sua própria personagem. Os momentos dramáticos são forçados, com feições desconfortáveis e nada convincentes. Seus companheiros não colaboram, e entregam algo no mesmo nível.

Sabemos que Arnold Schwarzenegger nunca foi um primoroso ator durante seus quase 50 anos de carreira, e esse seu “talento”, aparentemente, passou por genética. Não que Patrick seja péssimo, mas sua superficialidade atrapalha um personagem já não muito bem desenvolvido e entrega o básico, fazendo com que o longa fique estático no padrão e ainda mais distante de se destacar num cenário extenso de produções características. Rob Riggle até se encaixa na proposta de seu personagem, mas seu espírito de comediante apaga seus momentos dramáticos e deixa o espectador um pouco incomodado com seu trabalho.

O padrão de trama não é diferente de ‘A Culpa É das Estrelas’, mas a diferença está justamente neste quesito, com Shailene Woodley e Ansel Elgort realizando um trabalho bem mais profissional comparado a Bella e Patrick.

Ao todo, ‘Sol da Meia Noite’ é um drama adolescente básico, que apresenta o já existente, não explorando nada original. Sua superficialidade apaga o peso de sua narrativa e se torna só mais uma história de drama romântico em meio a um mar de gêneros e filmes tão similares quanto, mas que, ao final das contas, derruba diversas lágrimas. Vai entender…