A sociedade é construída com base na evolução. Civilizações que antes eram de um jeito, hoje são diferentes, como acontece com ideologias, preconceitos, empregos, entretenimento e tudo o que uma longa lista comporta. Dentre uma dessas situações está o posicionamento da mulher perante a sociedade. Apesar de ainda haver pensamentos retrógrados sobre suas participações, é inevitável dizer que uma mudança significativa está ocorrendo, o que é ótimo. Com este cenário, Meditation Park trata de um tema difícil, ainda mais se utilizando de personagens idosos e asiáticos, ambos propensos a uma cultura mais conservadora.

Muito disso vem da própria vivência dos personagens, que não fica exclusiva a esses dois fatores citados, facilitando a conexão com o público. No entanto, o roteiro da novata Mina Shum, apesar de trabalhar a temática, não soube equilibra-lo da forma madura como o roteiro merecia.

Seria errado dizer que o longa não transmite a mensagem desejada, porém, sua idealização sem pretensões diminui a difícil trajetória da fofíssima senhora Maria (Pei-Pei Cheng). O principal problema do longa está em seu roteiro, que insiste em se manter com um tom infantil, não nas situações geradas, mas sim como elas são trabalhadas. O texto é muito simplório e acaba caindo em exposições baratas que justamente funcionam mais como um declive, sendo esta uma história de crescimento. A busca de uma personagem idosa pela sua liberdade, após uma vida de repressões e bloqueios, é, além de novidade – apesar de semelhanças com A Esposa – um longa necessário para o cenário atual. 

Ainda mais por conseguir ir além da temática principal, já que a história de Mina demonstra como ainda há tempo de mudarmos e buscarmos aquilo que desejamos, sobrepondo preconceitos inúteis que estabeleceram em tempos passados.

O ponto positivo desse fator está na montanha russa desenvolvida para a personagem principal. Afinal, mesmo que Maria estabeleça seu desejo diante uma situação ruim em sua vida, ainda é muito complicado abandonar ideologias que a emolduraram. A delicadeza e a força do texto está justamente nessas poucas situações. No entanto, ainda é difícil apagar os defeitos construídos pela cineasta.

Além do fraco humor presente por toda a narrativa, os personagens secundários não conseguem sustentar a trajetória da protagonista. Mina não consegue desenvolver todos os outros personagens da mesma forma que desenvolve Maria, o que resulta em situações muito mal estabelecidas e jogadas durante a história apenas para justificar uma ação futura. Isso torna tudo muito morno diante uma temática madura proposta. Facilmente, o longa poderia ter sido trabalhado da forma leve e empolgante que Mina tenta trabalhar, mas, a obra se mantém em exposições desnecessárias e personagens nada comoventes.

A própria Pei-Pei consegue manter sua atuação nivelada, sem qualquer brilho. A interpretação da veterana (50 anos de carreira) é muito abatida, não possuindo a sutileza equilibrada com a força que a personagem estava pedindo. Quem consegue manter a personagem em um nível aceitável é Sandra Oh. Porém, a atriz não consegue ir adiante com texto oferecido. A cineasta também sofre com uma característica comum em filmes com personagens que dialogam com outros idiomas. Há uma troca constante entre o chinês e o inglês, que Mina consegue justificar, mas que não se sustenta durante todo o longa, já que ela constrói momentos com variações de língua desnecessárias, sem qualquer sentido para a escolha.

Outra fraqueza da história está na montagem. Mina insiste em acrescentar muitas informações, sem nenhum desenvolvimento natural, o que resulta em uma história corrida, com milhares de acontecimentos e pouco foco em qualquer um deles, ainda pela duração do longa. Nesse caso, é curioso ver uma história com pouca pretensão construir uma narrativa que exige um trabalho mais cuidadoso. Entretanto, Meditation Park oferece um curto – mas existente – aprofundamento em uma variação cultural dentro do Canadá. Mesmo que essa seja uma técnica muito presente em outras produções, com regiões específicas de um país em outra região, ela consegue embelezar a fraca trajetória, dando um certo agrado ao espectador que espera sempre o comum.

Logo, Meditation Park se mostrou um filme pequeno, mesmo que belo em pequenos pontos e com um pano de fundo glorioso e relevante para a sociedade atual. A falta de pretensão, ao mesmo tempo que traz leveza na narrativa, gera consequências negativas, como o mal trabalho textual.