Mais uma adaptação é lançada no drama/comédia misteriosa produzida pela Annapurna Pictures e dirigida pelo cineasta Richard Linklater (‘’Boyhood: Da Infância à Juventude’’). O filme é inspirado no best-seller da americana Maria Semple, de nome original ‘’Where’d You Go, Bernadette? ’’, conhecida também por seus trabalhos na televisão e seus diversos romances como ‘’This One Is Mine’’ e ‘’Today Will Be Different’’ que resultou na adaptação em formato de série na HBO.

O longa-metragem conta a história da protagonista-título Bernadette Fox (Cate Blanchett) uma arquiteta que sofre de agorafobia (se achar sozinha em espaços abertos ou em lugares públicos) que acaba largando sua promissora profissão em Los Angeles e agora cede todo o seu tempo para cuidar de sua única filha Bee (Emma Nelson) e de seu marido Elgin (Billy Crudup) em Seattle. A estudiosa e merecedora Bee, pede aos pais para que façam uma viagem juntos à Antártica e ao assumirem juntos esse compromisso, Bernadette acaba por intensificar seu medo e diante disto, arma uma fuga improvisada para se abster de toda a confusão emocional em que está atravessando, deixando tudo e toda sua família para trás.

Bee, sempre muito apegada à mãe, junta todas as pistas possíveis para encontrá-la e junto ao seu pai, partem em uma longa jornada até Bernadette, que durante esse processo, está em busca de se reencontrar.

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O filme traz à tona emblemáticos, mas bem palpáveis problemas emocionais, podendo refletir muitas pessoas, que criativas e talentosas param de trabalhar, de exercitar a mente e acabam como a protagonista: amorfa e descuidada. Além de sua fobia, fica claro no filme que a ansiedade, acompanhada da depressão, também fazem parte do cotidiano da personagem. Todo esse emaranhado começa a afetar também sua relação com o marido – seu amável companheiro que se preocupa com sua saúde, mas que também é abalado por saber que ela precisa de espaço.

A protagonista foge, porém não some do filme em nenhum momento, até por ser a melhor aposta dele. O público sabe bem onde os personagens estão, sendo de fácil compreensão, facilitando também o trabalho de Linklater. Bem mais dramático que cômico, as partes ‘’engraçadas’’, ou que deveriam ser, estão onde Bernadette faz comentários ásperos ao lidar com situações de convívio social, evidente em seu comportamento perante a vizinha Audrey (Kristen Wiig, de Caça-Fantasmas) e também ao disparar monólogos, por conta de seu conflito interno. O suposto humor, porém, é inibido pela narrativa dramática da saga, principalmente quando Elgin propõe à esposa, que seja internada em um hospital psiquiátrico.

Os méritos vão para Cate Blanchett, ganhadora do Oscar 2014, como melhor atriz pelo longa ‘’Blue Jasmine’’. Ela cumpriu seu papel, trabalhando em uma personagem cativante e tridimensional, mas não o suficiente para tornar este, um filme marcante, tampouco interessante.

Cadê Você, Bernadette? está longe de ser o melhor filme de Linklater, conhecido por ser um dos percursores do cinema independente americano e pela capacidade de transformar o básico em algo grandioso. Com conversas rasas e uma história tanto quanto clichê, se manteve em uma zona de conforto, não entrando para a lista de filmes marcantes, muito menos inesquecíveis.