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“Café Society”, o novo filme de Woody Allen que estreia no Brasil dia 25 de agosto, mantém a mesma linha que o cineasta de 80 anos já adotara ha anos: uma fórmula de amores (quase) impossíveis, somadas a situações nas quais o destino prova-se irônico e o jazz rola solto sem moderação.

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Crédito: Divulgação

Apesar de ligeiramente previsível, o longa traz ótimas atuações, com destaque para Steve Carell e Corey Stoll. O romance entre Vonnie e Bobby não consegue se mostrar tão intenso devido à falta de química entre Eisenberg e Stewart. Mas momentos cômicos e personagens espirituosos dão à trama um toque reconfortante que amenizam o fato de, no roteiro, não haver curvas dramáticas suficientes.

Woody Allen, o cineasta que realiza a proeza de todos os anos fazer um filme, mostra que a prática é o autêntico modo de aprender cinema. Em “Café Society” a câmera desfila com segurança em meio a cenários magníficos e micro tramas que, quando somadas, trazem ao espectador a pureza da imersão cinematográfica.

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É impossível deixar de lado os figurinos de Suzy Benzinger, já antiga colaboradora de Woody Allen. O luxo e glamour da época estão presentes nos vestidos e jóias, e a narrativa depende diretamente da evolução de estilo das personagens para evidenciar suas mudanças e amadurecimentos.

O protagonista também deve escolher entre dois lugares completamente distintos: Los Angeles, a cidade retratada como um antro de aparências e pessoas completamente descartáveis, ou Nova York, a queridinha de Wood Allen, capaz de oferecer maior estabilidade e traduzir os ideais morais de Bobby.

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Mesmo sem grandes surpresas, “Café Society” merece ser visto; não pelo humor já conhecido de Allen, por historias bem elaboradas, ou mesmo por uma inovação na arte de fazer cinema; mas pela combinação que Allen fez a partir de todos esse elementos balanceados e que geram um filme simples e capaz de tocar o espectador. Wood Allen parece não buscar resoluções complexas para problemas complexos, pelo contrário, ultimamente o cineasta tem fugido de tramas que se aprofundam em excesso e optado por personagens que, mesmo na última cena do filme, permanecem sem respostas.