Winnie the Pooh, ou Ursinho Pooh (ou ainda Ursinho Puff, para os mais nostálgicos) foi criado em meados do século XX, por A. A. Milne, que buscou inspiração nas brincadeiras e imaginação de seu filho para escrever as histórias infantis. Cerca de 40 anos mais tarde, em 1966, a Disney lança o primeiro curta protagonizado pelo Pooh, “Winnie the Pooh and the Honey Tree”, que 11 anos depois, em 1977, iria compor o primeiro longa do ursinho “The Many Adventures of Winnie the Pooh”, um clássico Disney. Desde então, o personagem ganhou o seu espaço em diversos longas e séries de TV, e também nas lojas de brinquedos de todo o mundo, conquistando crianças e adultos. A maioria das produções é caracterizada por uma belíssima pintura em aquarela, mas os personagens do Bosque dos 100 acres também tiveram séries em animação computadorizada e até mesmo uma que tentava aproximar os personagens de pelúcias reais(“O Livro do Pooh”). E agora, os personagens mais queridos do mundo voltam às telonas em “Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível”, longa “live-action” com as pelúcias produzidas em animação foto-realista.

A Disney, desde seu primeiro longa, trabalha para eternizar seus personagens e histórias ao longo de gerações. E reapresentar seus personagens em novos formatos foi a maneira que o estúdio encontrou de cativar a geração atual. Mas diferente dos recentes sucessos “live-actions”, como “A Bela e a Fera”, o longa apresenta uma história original que se afasta da estrutura de um conto infantil para se aproximar mais dos adultos que cresceram com o “ursinho bobo”. Para elucidar a comparação com uma história adulta, “Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível” é como uma versão alternativa de “Toy Story 3”, onde as brincadeiras são substituídas por responsabilidades, e espelhamos a nossa própria trajetória de vida com o exibido na tela. Mas diferente da história do Woody e Buzz, a história do Pooh é mais realista e talvez mais sombria, dando um peso dramático para a produção. O roteiro de Greg Brooker e Mark Steven foi pensado para adultos, com clara intenção de comover e resgatar memórias da infância, e da simplicidade de lidar com as coisas.

Pooh, dublado magnificamente pelo veterano Jim Cummings, é o personagem responsável por trazer esse resgate do espírito infantil, algo que fazia falta na vida do Christopher Robin adulto, e provavelmente falta na nossa vida também. As sequências com o ursinho não são apenas cômicas, mas também muito reflexivas. E como contraponto, temos o Christopher Robin de Ewan MacGregor, que apesar de uma atuação muito competente não convence nas cenas que exigem maior rigidez do personagem como pai, em suma, ele não soube dar uma verdadeira bronca em cena. Dos demais personagens, destacam-se somente os bichinhos de pelúcia, em especial o burrinho Ió, que tem sequências extremamente cômicas. Hayley Atwell e Bronte Carmichael não têm espaço para desenvolver suas personagens, e acabam “sobrando” na trama, mesmo com um roteiro que valoriza a relação familiar. No fim, é evidente que a família de Christopher Robin são os animais do Bosque dos 100 Acres.

Apesar da trama pouco complexa, o filme traz uma história muito bonita, feita com uma paixão evidente de Marc Foster pelo legado dos personagens. Os cuidados com o visual de cada pelúcia, para que trouxesem expressões marcantes e mostrassem ainda que o tempo também passou para elas, foram enormes e o resultado é fantástico em tela. E colaborando com o resgate de emoções, a trilha sonora traz notas sutis da trilha sonora do desenho, despertando ainda mais o espírito nostálgico no espectador.

Assim, mais uma vez não somos decepcionados pela Disney, que traz uma magia repaginada nessa nova produção, que além de nos emocionar, traz para o cinema um filme que aquece nosso coração. Nós precisamos pensar mais como o Pooh na nossa vida.