Chega a ser indiscutível os benefícios que a tecnologia trouxe ao cinema. Todas as câmeras e efeitos especiais ajudam no desenvolvimento cinematográfico cada vez mais, mas até onde iremos com essa tecnologia?

No dia nove de junho deste ano, o curta-metragem ‘Sunspring’ foi lançado pelo site “Ars Technica” para o festival de cinema Sci-Fi London, que ocorre todos os anos. O diferencial do curta? O roteiro foi escrito por um robô, ou melhor dizendo, por Benjamin. O filme é fruto do projeto 48-Hour Film Challenge, presente todos os anos no festival, onde equipes de cineastas devem produzir um filme em 48 horas incluindo objetos e falas que são dadas a eles.

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O pesquisador em inteligência artificial da Universidade de Nova York, Ross Goodwin, foi o responsável pela programação de Benjamin, que demorou um ano para ficar pronta. Além de pesquisador, Goodwin trabalhava como escritor e é especializado em estudar a maneira como o cérebro processa a linguagem.

A inteligência artificial Benjamin é um programa bem próximo dos programas usados para reconhecer textos, como a Siri do Iphone. Ross programou Benjamin com inúmeros roteiros da década de 80 e 90 e a partir de todo o material, a inteligência artificial analisa padrões (a partir de letras, palavras e frases) e escreve o seu próprio roteiro.

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Uma situação parecida ocorreu no ano de 2014, quando o mercado jornalístico viveu um debate após o jornal Los Angeles Times publicar uma notícia escrita por um robô. A situação gerou burburinho no meio e acarretou questionamentos sobre o futuro da mídia na mão de inteligências artificiais. Situação semelhante a do cinema hoje. Não podemos dizer, definitivamente, que Benjamin fez o filme, aliás, muito do texto não fazia sentido, sendo missão do diretor e da produção criar algo coeso em cima daquele texto, mas já foi um primeiro passo. Gerar uma inteligência que possa desenvolver textos bem escritos e coeso é questão de tempo, e até que ponto o cinema abraçará essa ideia? É fácil dizer que o custo financeiro será menor e em questão de produção, gastar menos dinheiro faz diferença.

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A tecnologia não influencia só o modo de escrever, mas pode influenciar o nosso modo de assistir um filme. A tecnologia de realidade virtual, com os óculos VR e os vídeos em 360° já fazem parte do nosso cotidiano e tendem crescer cada vez mais no mercado. A Holanda foi o primeiro país a inaugurar um cinema exclusivo para filmes em realidade virtual e os festivais Tribeca e Sundance aprovaram e já abriram categorias para obras feitas no formato. Neste ano, o Brasil também terá o seu próprio, o Cine Virtual, que tem previsão de inauguração para o segundo semestre em Belo Horizonte e cidades do interior de Minas Gerais.

Filmes em realidade virtual não mudam apenas a forma com que assistimos um filme, mas interferirá principalmente na direção. Como o VR possibilita cada pessoa assistir ao filme do modo que ela desejar, a mensagem do diretor ou a visão que ele quer passar para uma cena específica, perderá sua importância, e muito da arte da edição também poderá ser deixada de lado. É compreensível analisar que a tecnologia está mudando o modo de fazer cinema, afinal, sempre foi assim, mas há sinais de mudanças radicais.

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A tecnologia chegou em um ponto, onde o cineasta pode deixar de fazer sua função em prol do uso da tecnologia. Robôs hoje são usados até para detectar o potencial de venda de livros. É preciso usar a tecnologia para nosso benefício, mas com limites. Se o cinema continuará se dando bem com a tecnologia, só o tempo dirá.