My name is Bond… Se você sabe a continuação desta icônica fala da cultura pop, deve ter uma noção de que os filmes de espionagem foram marcantes durante grande parte da História do cinema, não excludentes nos dias de hoje. Ao se pensar em um desses filmes, de forma mais estereotipada, tem-se um homem forte e bem vestido – quando não três mulheres, denominadas de anjos, em uma agência secreta –, sempre com os mais diversos apetrechos bem pensados para resolver suas missões e, assim, salvar o mundo.

Em Um Espião Animal, nova animação da Fox/Disney, o espectador é convidado a revisitar tal premissa, mas com algumas reinvenções um tanto quanto esquisitas – propositalmente. A história começa com o jovem Walter, um cientista prodígio conhecido por suas invenções um tanto peculiares e anti-violência. Ao conhecer o famoso espião Lance Sterling – uma clara alusão ao estereótipo de super espião –, apresenta sua mais nova invenção: uma fórmula que transforma a pessoa em um pombo, se tornando assim invisível aos olhos da sociedade. Claramente, como se espera de um roteiro minimamente cômico, a situação sai do controle, fazendo com que o famoso Lance Sterling fique preso na forma de um pequeno “rato com asas”, assim denominado pelo personagem.

Primeiramente, vale entender a contextualização da obra, que ganhou atenção inicial por ser dublada, na versão original, por dois nomes queridinhos de Hollywood, fazendo com que a dublagem se mantivesse como um dos fatores mais chamativos do longa animado. Will Smith e Tom Holland, assim, dão voz respectivamente ao super espião e ao jovem cientista, os quais ironicamente compartilham do mesmo visual caricato de seus dubladores.

Engana-se, entretanto, quem pensa que na versão brasileira a obra perde tal característica tão importante: Lázaro Ramos e Taís Araújo, atores icônicos do Audiovisual brasileiro, dão voz nacional a dois dos principais personagens da trama – dessa vez, respectivamente, para o super espião e para a agente especial que o procura a todo custo.  A dublagem, assim, tanto na versão original quanto na nacional agregam bastante ao filme como um todo, fazendo com que estas vozes em específico, já tão conhecidas pelo público em geral, encaixem com perfeição nos personagens e torne a experiência ainda mais divertida para o espectador.

Além do elenco, o próprio plot do filme já se prova bastante criativo por si só, colocando um espião nato preso na pele de um pombo, enquanto é perseguido por uma agente especial de elite, tendo como única esperança de voltar ao normal um jovem e atrapalhado cientista. A trama se desenvolve muito bem, principalmente pela facilidade que tem em mesclar momentos de ação com piadas das mais exageradas até algumas um tanto bem pensadas, conseguindo, assim, manter a atenção do público do início ao fim da obra.

Outro aspecto que facilmente chama atenção é sua arte, o que não é de forma alguma uma surpresa, visto que o filme é dirigido por Troy Quane e Nick Bruno, dois nomes responsáveis pela arte de diversas animações, desde “A Era do Gelo” até “Peanuts, o Filme”. Com um amontoado de cores e brilhos, Um Espião Animal não tem medo de exagerar no excesso de agrados aos olhos de seus espectadores, o que torna o longa ainda mais divertido tanto para a criançada quanto para os mais velhos. A estética escolhida realmente faz diferença em como Quane e Bruno contam a história, fazendo com que as belas paisagens e climas agreguem valor seja um diferencial para a obra – mesmo que não tão espetacular quanto outras obras pontuais da Disney.

Além disso, vale a pena ressaltar duas outras peças que compõem a eficiente estrutura da obra: suas personalidades e suas mensagens principais. Com um evidente acúmulo de personagens – desde diversos agentes, dois vilões e três pombos –, alguns acabam não tendo a atenção que necessitam, sendo, no final, apenas mais algumas peças para garantir o entretenimento do espectador, não importando muito para o desenrolar da história.

Já em relação à suas mensagens, Um Espião Animal não poupa a oportunidade de ser relevante em diversos aspectos. Primeiramente, passa a mensagem de que uma pessoa não precisa ser super para ser herói, mostrando Walter seguindo os caminhos de sua mãe, uma simples e heroica policial, para ajudar as pessoas e fazer bem ao próximo. Em seguida, de forma mais evidente, ressalta a importância das diferenças individuais de cada um e, ao mesmo tempo, mostrando a importância da amizade – assuntos comuns em filmes infantis, mas que ainda valem ser abordados. Finaliza criticando os malefícios da violência, focando no valor que possuem as escolhas pacíficas e, dentre outras, humanitárias.

Um filme com premissa geral um tanto comum, mas que esbanja criatividade em sua composição geral – faz algo já visto antes, mas de forma original –, Um Espião Animal facilmente agrada seus espectadores com uma obra colorida, divertida e, mais do que isso, com bastante identidade própria. Assim, mesmo não sendo uma animação revolucionária para a História do cinema, consegue cumprir com tudo aquilo que promete, se utilizando de uma dublagem marcante, uma bela estética e roteiro interessante para criar uma bem humorada sátira àquilo que se conhecia como “filmes de espionagem”.