Seguindo o exemplo de Carcereiros, o filme A Divisão também é derivado de uma série original da Globoplay. Nesse caso, baseado em histórias reais.

A Divisão retrata um Rio de Janeiro no final da década de 90, em que uma onda de sequestros tomou a cidade, no ano de 1997 a média era de 11 por mês, mas o sequestro da filha do deputado Venâncio Couto (Dalton Vigh) é o ponto central da história e envolve três policiais chamados como reforços para solucionar o caso: Roberta (Natália Lage), Santiago (Erom Cordeiro) e Ramos (Thelmo Fernandes).

Lembrando o clássico Tropa de Elite, tanto pela ação quanto pela violência, a polícia e a corrupção presente nesse meio fazem toda a trama do longa de Vicente Amorim. O filme retrata a atuação da polícia de forma crua e sem rodeios. A falta de ética é constante tanto para os policiais quanto para o delegado Benício, interpretado por Marcos Palmeira, que é o mais corrupto entre eles, mas sempre acaba saindo como herói.

O personagem principal é Mendonça, interpretado por Silvio Guindane, um policial muitas vezes retratado como herói, mas que é responsável por grande parte das cenas mais violentas, mostrando a ambiguidade que permeia todos os personagens da trama.

Assim como a atuação certeira e intensa de todo o elenco, a direção de Vicente Amorim contribui com o clima de ação que te envolve do começo ao fim, apesar do filme ser um pouco mais longo do que poderia ser.

O enredo trata de forma muita séria a questão corrupção e violência. Apesar de tratar de um Rio de Janeiro de mais de 20 anos atrás, ainda é extremamente atual e é possível identificar entre os personagens da trama figuras reais que atuam no meio policial até hoje. A história não traz muitos elementos originais, nem uma trama super complexa, mas agrada aos fãs de filmes de ação, principalmente aos que sentiam falta de um bom filme do gênero policial desde Tropa de Elite.