SINOPSE

Rosa é uma mulher que quer ser perfeita em todas suas obrigações: como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Quanto mais tenta acertar, mais tem a sensação de estar errando. Filha de intelectuais dos anos 70 e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente, uma supermulher sem falhas nem vontades próprias. Rosa vê-se submergindo em culpa e fracassos, até que em um almoço de domingo, recebe uma notícia bombástica de sua mãe. A partir desse episódio, Rosa inicia uma redescoberta de si mesma.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Lais Bodansky 

Roteiro:

Lais Bodansky, Luiz Bolognesi

Gênero:

Drama

Produção:

Gullane Filmes, Buriti Filmes

Elenco:

Mariana Ribeiro, Paulo Vilhena, Clarisse Abujamra

Nacionalidade:

Brasil

Ano de Produção:

2017

Data de Lançamento:

31/08/2017

Distribuição:

Imovsion

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Item não avaliado

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

Vencedor de seis kikitos no último domingo no 45° Festival de Gramado, “Como Nossos Pais” também representou muito bem o Brasil em Berlim em fevereiro deste ano, além de ser laureado com o prêmio do público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris. É inegável o merecimento do prestígio que teve.

Escrito e dirigido por Lais Bodansky (diretora dos ótimos “Bicho de Sete Cabeças” e “As Melhores Coisas do Mundo”) e Luiz Bolognesi, “Como Nossos Pais” passa de um drama pesado para um retrato sério e angustiante da mulher contemporânea. Este salto, é de alguma forma, necessário para a desenvoltura de sua narrativa, seja por seu título que entrega os conflitos que estão por vir, seja pelo amadurecimento de suas protagonistas (bem aos moldes do vencedor do Oscar “Laços de Ternura”). Por estes motivos, é um filme que deve e merece ser visto.

O filme começa com um simples almoço em família. Não demora muito para que, nos primeiros minutos, o longa apresente ao público a relação que os personagens têm entre si. A história vai se desenvolvendo e mostra que as coisas não vão ficar fáceis para Rosa (interpretada magistralmente por Maria Ribeiro) após sua mãe fazer uma revelação nada agradável. Não bastasse isso, Rosa ainda tem que conviver com a indiferença de Dado, seu marido e o único apoio que Rosa tem naquele momento é do seu irmão.

Dado, mostra ser um homem frio e ausente, dando a entender que tem uma relação extraconjugal que é fruto de um casamento desgastado. Rosa, com todos estes problemas na cabeça tem ainda que conviver com as provocações de sua mãe — com quem não se dá muito bem —, com seu trabalho, com seu pai que vive as custas da sua atual esposa e sua irmã mais nova. Ela procura levar toda essa frustração junto com esse turbilhão de sentimentos para uma peça teatral que esta escrevendo.

Lais é do tipo de diretora que gosta de trabalhar com personagens de personalidades fortes, e aos poucos eles vão se lapidando ao longo do filme de acordo com sua maturidade. No caso de Rosa, ela carrega nas costas um fardo e não sabe como lidar com ele. Rosa é uma mulher de temperamento difícil e frágil ao mesmo tempo. Ela se oprime por conta da sua insegurança e a falta de apoio de seu companheiro. A surpreendente atuação de Maria Ribeiro injeta muita veracidade em uma mulher moderna que se vê encurralada entre seus medos e suas contendas.

“Como Nossos Pais” é um drama simples, mas repleto de boas intenções com sua modéstia história que realça o reflexo da mulher de hoje com uma nítida realidade. O filme honra o empoderamento feminino que está sempre presente, mesmo com conflitos psicológicos entre sua protagonista e sua mãe, e a indiferença de seu cônjuge. É através dos diálogos que se encarregam de levar a tona diversas revelações, e ao longo de sua exibição, o roteiro prepara o público para cada momento conturbado que esta prestes a mostrar. Já que o título do filme faz menção a clássica música do cantor Belchior, é melhor mesmo ir se preparando para ver uma obra tão bonita quanto a canção.