Os contos de fadas se originaram há muitos anos atrás e são conhecidos por quase todo o Ocidente, mas foi só em 1937 que a Disney lançou seu primeiro filme baseado nestas histórias: Branca de Neve e os Sete Anões. Já em 2015, agora uma das maiores companhias de entretenimento do mundo, a Disney se propôs a levar essas histórias a outro nível ao estrear Descendentes, um filme live-action que prometia misturar todos os contos de fada em um mesmo universo. Na trama, todos os vilões foram exilados em uma ilha há muitos anos atrás, e o novo rei, filho da Bela e da Fera, decide que alguns dos descendentes destes vilões, que cresceram na ilha sem conhecer o mundo ao redor, deveriam ter a chance de vir para o Reino estudar, e é aí que a história começa.

Quatro anos depois, os filhos da Malévola, Jafar, Rainha Má e Cruella De Vil voltam em Descendentes 3 para concluir, de forma bem satisfatória, esta saga que conquistou um grande número de crianças e adolescentes. O formato do terceiro longa-metragem continua o mesmo dos anteriores com um clima juvenil, várias referências a contos de fadas e uma quantidade excedente de números musicais, o que acaba se tornando cômico a partir da metade da história. A narrativa inova, entretanto, ao tentar mostrar que até mocinhos podem se tornar vilões – ao contrário da primeira parte da trilogia, cuja mensagem era exatamente a oposta – reforçando o argumento de que a maior proposta da franquia Descendentes sempre foi discutir a relação entre bem e mal, quebrando o sentido de maniqueísmo antes proposto nestes contos tão antigos.

Ao mesmo tempo, o filme consegue abraçar a breguice tão familiar a filmes infantis, não tendo vergonha alguma de apresentar, propositalmente, piadas bobas ou atuações extremamente caricatas, seguidas de números musicais em momentos extremamente inconvenientes para a narrativa. Estes fatores contribuem para a construção de um produto final bastante divertido, mas que, certamente, não deve ser levado totalmente a sério – no bom sentido.

Os figurinos do filme também são um dos pontos fortes de Descendentes 3, que além de conseguirem encantar o olhar dos espectadores com as mais diversas cores e texturas, reinventam o universo plástico daquele mundo, evidenciando a evolução dos personagens principais ao longo da franquia – que não só vem pelos trajes e cortes de cabelo, mas também pela personalidade de cada um. Os números musicais – com ênfase para “Night Falls”, “Break This Down” e “Good to Be Bad” – conseguem ser ainda mais coloridos e glamurosos que os dos filmes anteriores, outro fator que deve agradar bastante aos espectadores que gostam musicais – valendo ressaltar novamente a presença de alguns destes em momentos inconvenientes da trama, o que torna o filme ainda mais cômico.

Um fator que pode acabar atrapalhando o decorrer do filme é o excesso de personagens, mas o roteiro consegue resolver o problema no terceiro ato, visto que os personagens com menor importância são deixados de lado e os principais ganham a chance de concluir o plot sem deixar pontas soltas. A obra acaba se tornando ainda mais relevante se levado em conta que Descendentes 3 é uma das últimas produções com participação de Cameron Boyce, ator que faleceu um mês antes da estreia do longa, levando a Disney a exibir uma significativa homenagem na estreia no canal Disney Channel US.

Por fim, o terceiro longa-metragem termina a franquia de forma bastante utópica, reforçando mais uma vez a quebra de maniqueísmo presente na proposta inicial da trama, podendo satisfazer bastante quem acompanhou a história até aqui. Descendentes 3 se propõe, assim, a finalizar a história de Mal, Eve, Carlos e Jay, mostrando mais uma vez ao espectador que ainda é possível se entreter com um filme simples, que se utiliza de um show de cores, personagens carismáticos e números musicais para passar a mensagem de que ninguém é exclusivamente bom ou mau, e que todo mundo merece uma segunda chance para, herói ou vilão, alcançar o seu “felizes para sempre”.