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Brad Furman é um diretor funcional. Dois de seus filmes tem essa, digamos, qualidade, mas não impressionam. ‘O Poder e a Lei’ (2011) e ‘Aposta Máxima’(2014). Novamente seu interesse por corrupção e crime se apresentam no roteiro adaptado do livro de Robert Mazur (Bryan Cranston), um oficial de alfândega encarregado de vasculhar o rastro da droga do Cartel de Medelín na Flórida de 1986. Rios de dinheiro circulam juntamente com a droga de Pablo Escobar, mas não se conhecia até então seus receptores, banqueiros e aliados distribuidores.

Um filme promissor que se perde em uma condução errada de seu protagonista central e o que o roteiro faz com seu personagem. Bryan Cranston aparentemente seria o ator certo para o papel do homem que se disfarçou como principal responsável pela lavagem de dinheiro do crime, pois sabemos de seu excelente papel na série ‘Breaking Bad’. O que ocorre é uma tentativa de mostrar a operação monstruosa que se construiu para quebrar a lógica do jogo e mostrar o conflito do personagem com suas relações de disfarce e vida real. Seu casamento e o trabalho.

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Crédito: Divulgação

Em ‘Donnie Brasco’(1997), Mike Newell teve muita esperteza e competência em mostrar a vida do mafioso sem glamour, até as vezes o ridicularizando, como na figura do decadente Benjamin Ruggiero (Al Pacino), fazendo assim uma narrativa documental e explorando os pormenores de como é dramática a situação de um infiltrado, ou mesmo no oscarizado ‘Os Infiltrados’(2006), onde Scorsese dá sangue e suor a neurose de Billy Costigan (Di Caprio).

Nenhuma das duas propostas se encontram com maestria, e até mesmo alguns momentos que devem ser didáticos ao espectador leigo, ficam fora de contexto ou explicação. Cranston é um homem comum americano, apagado, de feições duras, portanto sem carisma, somente atuação contida e minimalismo. Por isso não é o ator ideal para o que a história pediria.

O alívio cômico está em John Leguizamo que faz seu parceiro, e simplesmente desparece da trama em boa parte do filme, mau aproveitando seu potencial. O único ponto positivo está em uma química quase truncada entre Diane kruger e Cranston. Mas, camisa dificilmente salva um time hoje em dia. Um desperdício.

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Crédito: Divulgação