SINOPSE

Selecionado para a competição oficial do Festival de Cannes e exibido no Festival do Rio de 2015, O CONTO DOS CONTOS apresenta três fábulas presentes no livro Pentamerone, que dão origem a um mosaico da época barroca do século XVII na Itália. Três reinos vizinhos governados em castelos maravilhosos pelos seus reis e rainhas, príncipes e princesas. Um rei adultero e libertino, outro rei fascinado por um animal peculiarmente estranho e uma rainha obcecada pelo desejo de ter filhos. Magos, ogros, acrobatas e cortesãos são os heróis desta interpretação livre dos famosos contos de Giambattista Basile.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Matteo Garrone

Roteiro:

Edoardo Albinati, Ugo Chiti, Matteo Garrone, Massimo Gaudioso, Giambattista Basile

Gênero:

Fantasia

Produção:

Matteo Garrone, Jeremy Thomas

Elenco:

Salma Hayek, Vincent Cassel, Toby Jones

Nacionalidade:

Itália, França, Reino Unido

Ano de Produção:

2014

Data de Lançamento:

12 de maio de 2016 (2h 14min)

Distribuição:

Mares Filmes

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

O Conto dos Contos

Exibido nos Festivais de Cannes e do Rio ano passado, ‘Conto dos Contos’ traz fábulas monarcas contadas de um jeito nada lendário ou parecido com qualquer conto de fadas que conhecemos. Nada de ”…Era uma vez” ou ”Em um reino distante” como se inicia o intragável

Caminhos da Floresta.

Vemos um trabalho insigne e digno de ser comparado ao clássico ‘A Viagem do Capitão tornado’ de Etteore Scola (falecido em janeiro deste ano), não só por causa do espetáculo que é sua direção de arte e com esplendorosos figurinos, como também o lirismo de como é contada sua jornada de forma poética.

O produtor, roteirista e diretor italiano Matteo Garrone é conhecido por filmes como ‘Gomorra’ e’Reality – A Grande Ilusão’, mostrou-se versátil em seus dois primeiros longas que dirigiu. Dessa vez, ele nos leva a um mundo fabuloso e lascivo com arrojos eróticos que fazem bonito nesta superprodução. É uma obra contemporânea assumidamente baseada em mitos reunidos, que foram publicados por Giambattista Basile, um poeta napolitano do século 16. Garrone tem um estilo próprio de contar suas histórias ao público. Em ‘Reality’, o que se aproxima do seu novo trabalho é o apólogo de um homem que sonha em ser celebridade de um reality show. Já em ‘Gomorra’, narra três histórias distintas sobre o crime de tráfico de drogas. Assim como ‘Reality’ e ‘Gomorra’, o roteiro também é assinado por Massino Gaudioso e Ugo Chiti, em parceria com o estreante Edoardo Albitani.

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‘Conto dos Contos’ mostra três reinos vizinhos. No primeiro, um rei e uma rainha são infelizes por não ter um filho. Um bruxo aconselha-os que o rei mate um monstro do lago para que seja cozido por uma virgem e seja comido pela rainha. Mas o inesperado acontece quando a serva também engravida e resulta num nascimento de gêmeos albinos: um é parido pela rainha, o outro pela serviçal. No reinado ao lado, um rei movido a luxúria, dispondo-se a orgias sexuais, fica enfeitiçado pela voz de Dora, uma velha que vive com sua irmã em um chiqueiro. Ele se equívoca quando acha que a dona da voz é uma bela jovem. Ela aceita fornicar com ele, na condição de o coito acontecer sob a escuridão. No terceiro e não menos sinistro, um heteróclito rei, casualmente encontra uma pulga e passa a alimenta-la com seu sangue e a torna seu bicho de estimação. A pulga vai crescendo terrivelmente e o rei vai se afeiçoando por ela.

A partir daí o cotidiano das três monarquias dá uma mudança nada agradável. Caso você não goste de “spolier”, melhor evitar assistir o trailer, pois ele entrega as aventuras que mostram os conflitos pessoais das soberanias que não almejam nada mais que estabilidade afetiva e uma vida serena. Os personagens (com um elenco de peso liderados por Salma Hayek, Vincent Cassel, Toby Jones e John C. Reilly, numa ponta como um rei que vai em busca de um monstro marinho numa belíssima cena que é um deslumbrante deleite aos olhos) são estilizadamente sombrios e têm o mérito de não ficar presos a seus atos predatórios pois eles têm consequências imprevisíveis e nada benévolas. Tudo isso, sem perder o bom humor e suas constantes referências do cinema italiano no estilo “commedia dell’arte”.

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‘Conto dos Contos’ consegue ser fluente, bem como servir de modelo (mesmo não sendo voltado ao público infantil) por conta do seu ritmo, seu hábil roteiro e de suas belas paisagens. Os dramas de seus personagens conseguem ser tão envolventes quanto a magia que o filme em si possui. Suas tramas labirínticas irão não só conquistar um público que goste de contos, mas também como os que apreciam um bom filme. Em geral, tende a agradar a todos, embora o que se tem visto são “remakes” adaptados de contos de fada, ‘Conto dos Contos’ é mais palatável (mesmo para quem não goste do gênero fantasia) e tem em si variados aspectos poéticos e picantes do cinema italiano.

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