SINOPSE PEQUENA

Entre os muitos olhares no conflito vitorioso da Segunda Guerra Mundial, desde O Resgate do Soldado Ryan (1998) até aqui, houveram algumas revisões antagonistas de Spielberg com sua belísssima cinematografia memorialista de cartão postal, uma lembrança honrosa. Em A Conquista da Honra (2006), Eastwood tem um olhar agudo sobre o falseamento da propaganda de guerra americana, e seus anseios para justificar seu levantamento de fundos. Em Fury, ou Corações de Ferro, David Ayer faz um perigoso jogo ideológico quando mostra somente um crú e autêntico filme de batalha. Sim, as cenas em campo aberto são as melhores em anos do cinema. A direção de arte impressiona, dando um tom mais pesado, e quase monotônico ao clima de guerra, mas afinal de contas o filme aborda ela em seu fim estratégico, o conflito homem a homem.
Fury-Movie-Reviews-2014
Brad Pitt é “WarDaddy”, um sargento em comando do tanque que leva o nome de Fury, uma máquina de guerra sobrevivencionista em relação a superioridade histórica dos tanques alemães. Esta mesma máquina duplica a bravura de sua tropa, Bible (Shia LaBeouf), Gordo (Michael Peña), Coon Ass (Jon Bernthal) e o novato Norman (Logan Lerman), alunos do duro e carniceiro sargento. A ambientação se passa durante o fim da guerra em solo alemão, no coração da ideologia nazi-facista, mas o que o diretor não esconde é uma clara manipulação da platéia americana e seu gosto pelo heroísmo trágico que formou sua nação em outros tempos.

Brad Pitt;Shia LaBeouf;Logan Lerman;Michael Pena

Este será um dos possíveis arrasa-quarteirões em 2015 em indicações ao Oscar, principalmente por seus méritos técnicos, mas a frase dita por Pitt em uma cena mostra a ambiguidade e beleza do filme. “As idéias são pacíficas. A história é violenta.” Quando na acachapante cena final onde o grupo de WarDaddy é cercado por um pelotão inteiro da SS vemos onde a produção quer chegar, mesmo após já ter mostrado os espólios de guerra, a violência ideológica, o estupro moral a que passa o soldado visto pelos olhos do jovem Norman, o que importa para o bom americano médio, é seu senso de guerra justa, o que em seu país já não se vê há muito tempo, pois eles são o grande perigo agora. Belo, mas perigoso. Cinematograficamente bem feito, ideologicamente arriscado.

Confira o trailer do filme: