Este longa-metragem conta sobre a vida de Petúnia (Zorica Nusheva), uma historiadora de 32 anos, desempregada, solteira, enfrentando a forte cultura patriarcal e o machismo de Stip, uma pequena cidade da Macedônia.

‘’Padre, ela é uma mulher e não pode pegar a cruz. ’’ 

Anualmente no mês de janeiro, ocorre um ritual exclusivo para homens, onde o pároco mais importante da cidade lança uma cruz de madeira no rio e os jovens disputam entre si para pegá-la, quem a pegar primeiro, segundo a tradição, tem um ano inteiro de sorte e prosperidade.

Petúnia que se sente deprimida e desmotivada, joga-se nas frias águas e alcança a cruz sagrada antes dos homens – como se aquilo então, pudesse ser algo que finalmente fosse seu, já que nada tinha.

O acontecimento relevante da história dirigida pela Teona Strugar não se trata nem deste ritual, mas do fato de Petúnia ser a primeira mulher daquela cidadezinha a ter coragem de confrontar instituições patriarcais como a Igreja ortodoxa e o Estado, além de todos aqueles homens que depois do ocorrido, ficam enfurecidos e indignados, agredindo a personagem física e psicologicamente.

É bem satisfatório ver a protagonista expondo aos policiais e ao padre a falta de sentido em não permitirem que uma mulher pegue aquele objeto e ainda em ser ameaçada de ser presa, sendo que não existia nem lei para o suposto crime.

O longa mostra também uma outra figura, representada por uma repórter, que está lá cobrindo o evento histórico da cidade e buscando ouvir a versão de Petúnia. Como mulher, essa personagem dá voz a protagonista e defende sua causa, além da liberdade de imprensa.

Entretanto, mesmo transmitindo uma mensagem necessária e sendo interessante até pela possibilidade de comparação do machismo extremo em outras culturas e países mundo afora, a metade do filme em diante chega a ser cansativa, com cenas longas e repetitivas dentro da delegacia, tentando resolver o problema em que a mulher se meteu. Neste local, Petúnia se resolve com a polícia, com o padre e com sua mãe (que tinha uma mentalidade muito divergente da sua).

O potencial da atriz Zorica não é bem explorado, seu personagem é uma mulher afrontosa, porém de um jeito envergonhado e sem muito vigor, se fazendo apática em diversos momentos.

Deus É Mulher e seu Nome É Petúnia, é uma significativa obra, que retrata o feminismo, a emancipação da mulher e a separação de Igreja e Estado, porém a estética do filme é falha, com falta de iluminação em muitas cenas, enquadramentos super apertados e com a demora enfadonha de um desfecho, o longa-metragem não alcança a qualidade que poderia ter, a não ser por sua mensagem.