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Nada melhor do que mais um filme de terror envolvendo demônios e espíritos, certo? Bem, nesse caso, não. O mercado do terror em Hollywood sempre passou por seus momentos exagerados de fases, com as sequencias intermináveis dos filmes de serial killers na década de 70 e 80, e agora, na era 2010, o gênero passa pela fase das possessões e dos demônios, como em ‘Invocação do Mal’ (2013), série ‘Atividade Paranormal’ (2007-2015), ‘O Ritual’ (2011), entre outros. E muitos vão seguindo a correnteza, esperando chegar no mesmo lugar que os filmes aqui citados, mas, não é bem assim.

Apesar do gênero de terror ser muito forte, ainda mais com o público jovem, são poucos os que conseguem trazer um equilíbrio de uma boa história e uma boa direção, muitas vezes não apresentando nenhum dos dois, o que é o caso do filme de Peyton, que com apenas três longas na carreira, incluindo ‘Como Cães e Gatos 2’ (2010) e ‘Viagem 2: A Ilha Misteriosa’ (2012), ele ainda não mostrou para o que veio.

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Peyton, com seus dois filmes citados, demonstrou uma direção mais voltada ao público jovem e com histórias mais voltadas a esse público, até em ‘Terremoto: A Falha de San Andreas’ (2015), onde ele foge um pouco da infantilidade, ainda traz um perfil mais juvenil. E com ‘Dominação’ não é tão diferente. Querendo uma pegada com cenas de ação e com mais suspense, o diretor não apresenta uma boa história e mostra que, mesmo seguindo um padrão do gênero, ele não sabe dirigir filmes de terror. Toda a sua ambientação não faz o espectador se interessar, além de Peyton não conseguir construir tensão alguma o filme inteiro, e até quando tenta criar um ato mais dramático, ele falha miseravelmente.

Além de não explorar o ambiente ou movimento de câmeras para sustos, Peyton também não demonstrou capacidade em dirigir um elenco. ‘Dominação’ traz fortes nomes recentes, como o do jovem David Mazouz, mais conhecido recentemente como o jovem Bruce Wayne na série ‘Gotham’ e a própria Carice Van Hounten, com um grande papel em ‘Game Of Thrones’, e mesmo assim não consegue explora-los, tanto no drama quanto no terror. E Aaron Eckhart mostrou que segue não tendo boas escolhas de filmes de terror.

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O roteiro de Christensen, apesar de previsível e bem mediano, tentou trazer pequenos diferenciais. Com fortes referências à ‘Sobrenatural’ (2010) e certas vezes à ‘Constantine’, o longa conseguiu apresentar um personagem que procura se distanciar da religião e não trazer o caso como exorcismo, mas ainda assim, a solução do longa traz o clichê e retoma a religião como o assunto central. Christensen sequer construiu bons personagens, não dando o peso necessário para que a trama siga de forma natural. É apresentado um motivo ao personagem principal, mas que não convence em nenhum momento, e mistura-lo com mais personagens sem peso para carregar o filme, deixa o espectador bocejando na cadeira esperando as luzes ascenderem.

Além de personagens fraquíssimos, o roteiro também não trata o público da melhor forma, onde muitas vezes o personagem explica um fato e minutos depois o explica novamente, deixando os diálogos mais pobres, repetitivos e chatos. Com uma trilha sonora dispensável, ‘Dominação’ é um filme facilmente esquecível, e não deve ser justificado apenas pelo roteiro, já que ‘Invocação do Mal 2’ (2016) traz um roteiro um tanto quanto previsível e comum, mas é bem executado, principalmente na direção. Agora, em ‘Dominação’, é fácil observar que Peyton tentou, mas nem o “feijão com arroz” conseguiu executar corretamente, mas ainda não podemos rebaixar tanto o diretor, já que ainda está em seu início de carreira, aliás, com filmes e elenco “grandes”, mas se continuar seguindo essa mesma linha, Peyton não irá tão longe.

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Resta o gênero do terror esperar mais alguns meses para um forte representante no cinema, já que, com personagens mal desenvolvidos, fotografia decepcionante e um roteiro medíocre, ‘Dominação’ deixa o início de 2017 meio amargo.