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2014 é um ano especial para um clássico do Cinema. A comédia irônica “Dr. Fantástico” completará “bodas de ouro”, ou seja, 50 anos desde seu lançamento, em 1964.

Esta obra-prima foi escrita e dirigida pelo mestre Stanley Kubrick e estrelado pelo gênio da comédia e indicado ao Oscar Peter Sellers (“A Pantera Cor-de-Rosa” original), além do vencedor do Oscar George C. Scott. “Dr. Fantástico” foi indicado a quatro Oscar (Filme, Direção, Ator e Roteiro Adaptado). Vamos contextualizar o filme à sua época e avaliar como anda o envelhecimento da obra.
“Dr. Fantástico” é baseado no livro “Alerta Vermelho”, escrito pelo ex-tenente da Força Aérea Britânica Peter George, em 1958. Kubrick adquiriu os direitos de adaptação em 1961, pouco antes do que se considera o auge da Guerra Fria com a “Crise dos Mísseis”, em 1962. A ameaça da Terceira Guerra
Mundial nunca esteve tão próxima.
A ousadia de Kubrick começou ao fazer uma sátira em meio a uma situação tão delicada. De forma inteligente, o diretor criticou a mediocridade do homem ao colocar em risco as vidas de milhões de pessoas, apenas para defender ideologias políticas como, por exemplo, qual sistema de governo era
superior.
Muito antes de Eddie Murphy interpretar uma família inteira em “O Professor Aloprado”, de 1996, Peter Sellers deu um show com suas hilárias performances nos três personagens que interpretou, o Capitão Lionel Mandrake, o Presidente Merkin Muffley e o Dr. Folamour, sendo que seriam quatro, caso o ator não tivesse quebrado o tornozelo durante as filmagens. Sellers consegue passar com extrema eficiência e de forma muito cômica como a linha entre o poder e a estupidez humana é muito tênue.
Mesmo passados 50 anos, “Dr. Fantástico” permanece como um dos filmes mais respeitados entre a crítica mundial, sendo presença constante em listas de melhores filmes da história, como AFI (26°) e IMDB (42°). O projeto de Stanley Kubrick merece todos os créditos por sua originalidade ao acrescentar o tom cômico que despertou o interesse do apreensivo público que viveu durante a Guerra Fria, de maneira semelhante a que Chaplin havia feito décadas atrás. A obra é altamente recomendável pelo seu conteúdo ainda contemporâneo, pois após meio século, a existência de uma ameaça nuclear continua subsistindo em nosso planeta.Certamente ninguém quer que isso aconteça, e que possamos nos divertir ainda muito mais com os filmes, como neste caso, de maneira inteligente.