SINOPSE ELES NÃO USAM BLACKTIE

Eles Não Usam Black Tie, de 1981, é uma obra dirigida por Leon Hirszman, baseada na peça “Eles Não Usam Black Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri. Foi uma peça escrita em 1958, estreada no Teatro de Arena, em São Paulo. A peça, assim como o filme, trata-se da vida operária, com uma áspera crítica social sobre o contexto da época. O filme foi de um grande contraste no cinema brasileiro, de um orgulho imenso, ficando em cartaz por muito tempo na época.

A história inicia-se com o casal apaixonado Tião (Carlos Alberto Riccelli) e Maria (Bete Mendes), que resolve casar, após saber que Maria está grávida. Porém, logo as coisas começam a dar errado. Tião é filho de um pai grevista, porém, ele que mora longe de todo tipo de reivindicação, resolve não aderir e participar do movimento, sendo inclusive contra todo aquilo que é absurdo aos seus olhos. Mas sua noiva, Maria, simpatiza com o movimento, surgindo certa discórdia entre eles.

Pode ser feita uma boa análise em cima de Tião. Ele, mesmo não adepto a greve, é fiel aos seus conceitos, indo contra todos seus colegas da fábrica. O Tião, em todos os momentos do filme, transpira uma ambição: subir na vida.

Ele não quer ficar parado onde está, pobre, grevista. Ele quer dar uma vida a si mesmo, a sua mulher, e agora a seu filho. Romana, mãe de Tião, mostra isso, sendo uma mulher com grande autonomia, forte. E nessa senhora, fica também colocada uma poderosa questão: os homens dependem das mulheres.

O filme, marco da transição da ditadura militar para o início da democracia, tem a representação do proletariado intensa, tornando-se um marco muito grande para o cinema brasileiro. A partir de então, classes foram representadas com mais acidez, com uma crítica social com um teor político e sentimental.

Recebeu prêmios no Festival de Veneza, na Itália; no festival de Havana e também pela Associação Paulista de Críticos de Arte, Gianfrancesco Guarnieri recebeu o Troféu APCA na categoria de “Melhor Ator”.