Camila Mendes (Kéfera Buchmann) é considerada uma das maiores cantoras pop da atualidade e para chegar onde chegou ela decidiu esquecer sua adolescência desengonçada abandonando seus valores, amigos e negligenciando até mesmo sua família, o que importa agora é aumentar o engajamento nas suas redes sociais.

Logo de inicio vemos Camila gravando o clipe de seu próximo single destratando quem passa na sua frente, e dentro os rejeitados está Cabeça (João Côrtes) um colega do seu antigo colégio, que agora é jornalista e a confronta sobre a época em que eles eram amigos, mas ela deixa claro que aquela época foi superada e não deve ser sequer comentada. Logo depois, em um restaurante Camila encontra Drica (Giovanna Lancellotti), a garota popular que a atormentava incessantemente nos tempos de escola, e esses encontros trazem de volta memorias da adolescência traumática que ela queria fingir que nunca existiu. Sozinha e atormentada pelas suas lembranças, Camila recebe a visita de uma fã esquisita (Estrela Straus) que insiste em tirar uma selfie com a cantora, o flash da foto faz com que ela desmaie e acorde de novo em pleno 2004, atrasada para aula e sem todo o glamour que lhe rodeava.

Estrela Straus além de interpretar a parte mágica responsável pela viagem no tempo sem explicação, como é de praxe nesse tipo de filme, também foi a preparadora de elenco do longa. Dentre os exercícios de preparação um se destaca, os atores foram orientados a buscar um animal que representasse seu personagem na fase adulta e outro na fase adolescente, como lembra Kéfera: “ Por exemplo, o meu animal para a Camila adulta era um leão, então eu assistia documentários sobre leão e nos ensaios a gente ficava imitando o corpo do leão, interagindo como um animal até humanizar esse animal, como seria esse animal como um adulto, virou a Camila. Dai o meu animal para a fase adolescente era um esquilinho e tinha todo um porque, a questão de o esquilo ser um animal pequenininho, indefeso, ter movimentos rápidos e o olhar atento”, conta a atriz.

Passando de leão para esquilo, Camila tenta entender como seria possível ela acordar em 2004 e convencer Cabeça do que está acontecendo, como já vimos em filmes similares, como “De Repente 30” (2004) ou “17 Outra Vez” (2009), a personagem precisa passar por uma jornada pessoal de amadurecimento e encontrar o seu verdadeiro eu para poder enfim voltar para o presente, a estrutura aqui é mantida ainda que a narrativa seja muito mais rasa do que nos filmes citados.

O longa abusa de clichês do gênero e momentos em câmera lenta que prolongam a história que não tem tanto assim o que dizer, questões como bullying, auto aceitação e amadurecimento são exploradas de uma maneira leve e sem tanta profundidade, outro aspecto que poderia ter sido explorado com mais eficiência é o relacionamento de Camila com sua família, os momentos da protagonista com o seu avô, interpretado por Arthur Kohl, são os quais o filme realmente mostra seu emocional e poderiam ter sido melhor aproveitados.

Com atuações competentes, mas que não se destacam, “Eu Sou Mais Eu” acerta no tom de nostalgia, com uma trilha sonora muito familiar para quem foi adolescente nos anos 2000, e elementos com os quais muitos vão se relacionar, como a escova progressiva, locadoras de filmes e o celular com o jogo da cobrinha, o filme consegue criar uma relação com o publico e divertir ainda que lhe falte complexidade.