Um fato curioso deste sexto filme da franquia O Exterminador do Futuro é que ele despreza o terceiro, o quarto e o quinto, como se fosse a continuação direta de O Julgamento Final (1991). Isso porque, além de trazer Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger de volta ao elenco, Destino Sombrio traz James Cameron como produtor novamente, mas seguindo agora com a direção de Tim Miller (Deadpool).

Prova de que Destino Sombrio ignora seus antecessores mais recentes é o seu prólogo com Sarah Connor e John em Livingston, Guatemala, no ano de 1998. 22 depois, no México, Dani Ramos (Natalia Reyes) se mostra a heroína da vez, sendo a protegida para não ser executada por um ciborgue exterminador, pois é ela quem ameaça o futuro das máquinas. A missão de protegê-la ficou por conta de Grace (Mackenzie Davis), uma soldada altamente aprimorada ciberneticamente e desempenhada para defende-la.

Enquanto no primeiro vimos Sarah tentando salvar sua vida e no segundo tentando proteger seu filho, em Destino Sombrio Sarah está revoltada, mais alcoólatra que nunca caçando exterminadores. Isso contribui muito e de certa forma é ela quem salva o filme, porém isso não é o suficiente.

Na era Donald Trump, estaria Destino Sombrio subliminarmente referindo-se aos  imigrantes como uma ameaça? O filme nos apresenta uma heroína latina e um vilão com traços hispânicos. Estando esta analogia certa ou não, imaginar que a obra se alude a isso chega a ser terrífica e tétrica.

Depois de passado 35 anos desde o primeiro longa da franquia – e 28 do segundo – Sarah retorna com mais gás que nunca e com uma aliada a altura, com a mesma missão. Apesar do velho clichê convencional em fazer de heróis (aqui no caso, heroínas) seguros com sede de justiça, Destino Sombrio tem um roteiro bem amarrado com boas cenas de ação num ritmo frenético de perseguição igual visto nos dois primeiros.

Apesar do novo capítulo recuperar a pegada dos filmes dirigidos por Cameron, a história ainda assim mantém sua característica piegas e previsível. O diretor Tim Miller oferece uma boa diversão, caso esteja com disposição para se divertir sem se importar com a falta de criatividade, deixando-se levar pelas cenas de tiros, explosões, perseguição a carro com um caminhão retroescavadeira, recomposição de androides e cenas de lutas bem coreografadas, recheadas de girl power.

De fato, o novo filme não salva se quer os desastrosos filmes anteriores, porém, é o melhor até agora desde O Julgamento Final. Se a franquia terminasse por aqui mesmo, a saga estaria ‘’protegida’’.