Após o enorme sucesso do filme “Annabelle”, John R. Leonetti dirige esta obra curiosa, bastante controversa e previsível, sem grandes delongas ou surpresas.

Quem foi ver o filme achando ser um remake ou continuação do clássico trash de 1997 “O Mestre dos Desejos” acabou quebrando a cara, pois um filme não tem absolutamente nada a ver com o outro. Enquanto o antigo é um típico filme de terror que destaca uma entidade demoníaca que assume uma forma física, o atual faz referência a uma força diabólica invisível capaz de causar a morte. Aspecto este muito presente em filmes como “Premonição”.

O enredo frisa a personagem Clare Shannon (Joey King), uma menina de vida simples, perseguida por colegas mesquinhos de vida rica e fácil, que descobre uma caixa misteriosa de origem chinesa, capaz de tornar seus desejos em realidade. O problema é que na medida em que seus desejos vão se realizando, vidas próximas a Clare vão sendo tiradas de forma misteriosa, a começar pelo seu cachorro de estimação, sua vizinha, dentre outras. Uma dúvida toma conta da mente de Clare, fazendo a mesma levantar questões sobre qual o seu destino em relação a caixa e que ligação o objeto tem com o fim trágico de sua mãe.

Um coisa deve ficar muito bem clara: o telespectador é curioso e impressionável, mas não é burro! O que isso quer dizer? Significa que tudo o que é posto no enredo se mostra tão amador de um jeito que se torna impossível não matar a charada da trama e não adivinhar o final da história.

É deveras absurdo saber que os idealizadores não tenham pensado melhor sobre o que colocar ou não na finalização do filme. É inadmissível, nos dias atuais, produzir uma obra cinematográfica sem prestar atenção nos aspectos humanos mais primitivos, como o raciocínio e a forma de agir diante de uma situação embaraçosa e misteriosa. Em outras palavras, no mundo atual e diante de uma situação como a enfrentada por Clare Shannon, qualquer pessoa, jovem ou não, se perguntaria o motivo para desejos tão particulares conseguissem se realizar de forma tão rápida e o porquê de tais acontecimentos estarem ameaçando a vida de pessoas próximas. O telespectador com certeza se perguntou: “Será que ela não percebeu o que estava acontecendo logo no segundo desejo?”. É claro que, quem entendeu o filme poderia estar pensando que tudo aquilo era em razão da força maligna que se apoderou de Clare, mas nada justifica o fato de que toda situação estava ao alcance de dela para ser evitada.

O filme peca em muitos detalhes, o suspense não surpreende, muito menos assusta. Nem a trilha sonora consegue ser tenebrosa. Enfim, completamente o contrário do sucesso “Annabelle”. Joey King, que é muito bem lembrada por outro filme de terror como “Invocação do Mal” e que pagou um mico horroroso na sequência de “Independence Day”, acaba de completar 18 anos, deixando de lado o rostinho de criança e tendo tudo para se destacar em produções mais ousadas. Infelizmente, isso ainda não aconteceu em “7 Desejos”.

Um ponto realmente interessante foi ver Ryan Phillip, famoso pelos seus personagens com aparência jovial, interpretar um personagem que de fato aparenta ter a idade do ator, ou seja, o pai da personagem Clare.

Em defesa do diretor John R. Leonetti, que já impressionou como idealizador, seja como diretor de filmes ou simplesmente como diretor de fotografia, pode se dizer que foi uma pequena estratégia de marketing lançar “7 Desejos” pouco tempo antes do lançamento de “Annabelle 2”. Acredita-se que, apesar do eminente insucesso, “7 Desejos” nada mais é do que uma forma de promover o filme de terror mais esperado da temporada. O telespectador talvez não perca por esperar.