Vira e mexe surge uma nova comédia ambientada no ensino médio, que discute as aflições e questionamentos dos formandos que logo terão que lidar com escolhas que irão definir sua vida adulta e reflete sobre como os anos do ensino médio os marcou e os moldou. E como muitos de nós podemos nos identificar com essas ansiedades e questionamentos, que não acabam com o ensino médio, esses filmes logo se tornam clássicos que são vistos muitas e muitas vezes, e o filme de estreia de Olivia Wilde na direção, que vem sendo chamado de “Superbad” para garotas, é uma dessas comédias.

Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) são melhores amigas prestes a se formar com honras no ensino médio, elas fizeram tudo o que precisavam para garantir uma vaga na universidade dos sonhos e não se deixaram distrair com romances, festas ou qualquer outra experiencia do ensino médio que não fosse exclusivamente acadêmica, diferentes de seus colegas. Nas vésperas de sua formatura, Molly está muito satisfeita e certa das escolhas que tomou, agora é o seu momento, e ela carrega isso com um sentimento de superioridade, ela usa suas conquistas passadas e futuras para rebater as criticas de seus colegas, até que seu ar de superioridade é também rebatido com a informação de que todos aqueles colegas que foram a todas as festas também estão indo para excelentes universidades ou até mesmo garantiram um emprego no Google.

O mundo de Molly cai enquanto ela percebe que deixou de viver o ensino médio enquanto todos os outros puderam ter os dois, eles se divertiram e garantiram seu futuro acadêmico ao mesmo tempo. Determinada a compensar os anos perdidos em uma noite, ela convence Amy que, na noite do dia anterior a formatura, elas irão mostrar a todos que também podem ter os dois, então as duas partem em uma jornada onde nada sai como o esperado em busca da festa de que todos estão falando.

“Fora de Série” assim como “Superbad”, tem o foco na amizade formada pelos personagens, na tensão que vai sendo construída entre eles e seus problemas de amadurecimento, e não nos problemas típicos enfrentados dentro dos muros da escola causados pela divisão dos alunos em grupos estereotipados que não se misturam, porém, diferente do filme de 2007, que se concentra na preocupação adolescente com a perda da virgindade, aqui, as protagonistas tem questões mais amplas, como a homossexualidade de Amy, que mesmo não sendo utilizada como ponto de tensão principal para a personagem, ainda é motivo de algumas de suas aflições, mas é tratada de maneira sutil, como o assunto normal que é, ou pelo menos deveria ser, e o entendimento de Molly de que ela não precisa rejeitar sua vida social, mas isso também não significa que ela rejeite todo seu esforço acadêmico.

O longa é bem ritmado e mesmo nos momentos mais alucinados mantém o caminho de volta para suas protagonistas, evitando de se perder e acabar se tornando confuso, porém ainda que muitas das piadas sejam bem elaboradas e acertem o tom, outras são forçadas e passam longe, como quando o filme opta por entrar numa bad trip causada por drogas com alucinações que questionam a busca pelo corpo ideal, contudo esse é um dos momentos mal aproveitados entre outros que são realmente divertidos.

Uma grande vantagem do filme é o elenco, todos os personagens de apoio são interpretados muito bem e garantem uma contribuição efetiva para a dupla protagonista, com destaque para Billie Lourd, que interpreta a excêntrica Gigi, que em excesso serie intolerável, mas é divertida quando utilizada na medida certa. Kaitlyn Dever e Beanie Feldstein têm uma sincronia inegável, elas transmitem uma amizade genuína que faz com que seja difícil não se importar com a amizade delas, e se tratando de um filme que tem como base o amor entre duas amigas, acreditar nessa amizade é fundamental para que o filme se sustente.

Ainda que “Fora de Série” nos traga uma historia simples e amplamente explorada de maneiras diferentes, neste caso da mesmo maneira que vimos em “Superbad”, ele ainda tem cara de algo novo, é um filme divertido e inteligente, na maior parte do tempo, e traz algo revigorante para o gênero que, as vezes podemos não admitir, mas amamos.