Vingadores: Guerra Infinita começa o seu primeiro trailer com uma frase reaproveitada do primeiro filme da equipe de heróis: “Havia uma ideia, de reunir um grupo de pessoas extraordinárias”. Talvez o que o Marvel Studios não saiba é que eles eram o grupo de pessoas extraordinárias, não só pela habilidade em criar e conduzir um “universo cinematográfico”, mas também por conseguir inovar e surpreender mesmo após 10 anos. O décimo nono filme da franquia não vai agradar somente aos fãs de carteirinha, mas também aos cinéfilos conservadores, por uma série de motivos que serão apresentados a seguir.

 

 

A grandiosidade atribuída ao filme não se deve somente às inspirações dos eventos esplêndidos dos quadrinhos, mas também ao majestoso trabalho realizado pela equipe de Kevin Feige para conduzir a complexa execução desta obra. Num primeiro momento, a quantidade absurda de personagens anunciados assustou muitos, seja pela dificuldade de conciliação da agenda de tantos astros e estrelas, mas principalmente pela forma que isso seria trabalhado em tela. Entretanto, o que chega a ser ainda mais assustador é como Christopher Markus e Stephen McFeely não só incluíram 23 heróis no roteiro, apresentaram um vilão e sua equipe pela primeira vez e ainda entregaram uma trama tão fluída e coesa que tira o fôlego e mexe com as emoções do espectador durante mais de duas horas, sem que esse perceba o tempo passar. A dinâmica encontrada para trabalhar tantos personagens pode parecer óbvia e natural, mas encontrar o óbvio é o que divide as pessoas comuns dos gênios.

Eventuais receios sobre a recepção do público que preocupam tanto os estúdios, sequer passaram pela cabeça dos executivos do Marvel Studios. Fica evidente que a empresa sabe o que está fazendo, e não há riscos em tomar certas decisões, as quais permitiram que Anthony e Joe Russo elevassem o “gênero” de filmes de herói para outro patamar. Claro que os 10 anos utilizados para criar os alicerces de Vingadores: Guerra Infinita são fundamentais, e os diretores souberam se aproveitar muito bem desse histórico, conduzindo com maturidade não só a grande trama, mas também os núcleos e arcos de cada personagem.

 

 

Mesmo com as sequências humoradas, características dos filmes da Marvel, é evidente o peso dos acontecimentos para cada personagem. Sacrifícios e sofrimentos estão presentes durante todo o filme, que apresenta um drama digno de premiações. A emoção do público não deverá emergir nas cenas de morte, mas certamente nas sequências com a troca de olhares entre os personagens, que carregam um peso e significado para tudo o que foi criado até aqui.

Todo o elenco traz naturalidade e emoção para as atuações, respeitando o legado de cada personagem. Robert Downey Jr brilha como Tony Stark, que talvez seja o personagem que carregue mais o peso de todo esse universo. Tom Holland surpreende mais uma vez com seu Homem-Aranha convicto de seus poderes e responsabilidades. Zoe Saldana renova a sua personagem, trazendo carisma e sentimento em uma atuação que deveria ser indicada ao Oscar. E o último destaque fica para Josh Brolin, que traz um vilão com motivações nobres e assustadoras, estabelecendo o personagem como um dos melhores vilões da história do cinema.

 

 

Thanos é o protagonista deste filme, e o trabalho de criação da equipe de efeitos especiais foi a altura da importância do personagem. Em várias atmosferas e sob várias iluminações, o vilão em nenhum momento entregou que era um personagem de CGI, e o trabalho de captura de movimento foi primoroso, dada a variedade de emoções que o personagem é submetido e também a complexidade de sua anatomia facial.

O trabalho de Alan Silvestri na trilha sonora do filme também merece ser lembrado, pois este reconheceu e entendeu o significado de cada uma das sequências e não se aproveitou das cenas de ação para criar sequências óbvias e com pouca coragem. Trabalho similar só foi visto nas duas partes de Harry Potter e as Relíquias da Morte, onde Alexandre Desplat transparece a tristeza dos acontecimentos e mexe com a nostalgia do espectador na composição das músicas.

Assim, Vingadores: Guerra Infinita é um marco na história do cinema por ser resultado da inovadora criação de um universo fictício para o cinema, que não vacilou em qualidade em nenhum momento e expandiu com amadurecimento de suas tramas. Agora, com essa produção tão ousada sendo lançada, é difícil imaginar quais serão os rumos tomados pelo estúdio para manter o mesmo nível de produção.