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É comum lermos ou ouvirmos por aí que a chave para o sucesso do atual vencedor do Oscar Matthew McConaughey foi sua “repentina” decisão em aceitar papéis mais dramáticos, ao invés do gênero que o consagrou, o de comédias românticas. Frequentemente mostrando seu abdômen bem definido, o galã surpreendeu ao aparecer 17 kg mais magro, e isso foi determinante para impressionar a Academia.

Entretanto, há um trabalho bem mais obscuro do ator que já mostrava tal mudança e o quão longe ele poderia chegar. Killer Joe é um filme do consagrado diretor William Friedkin (O Exorcista, 1973), onde McCounaughey interpreta Joe, um detetive que também é um assassino por encomenda. Quando o jovem traficante Chris (Emile Hirsch, Na Natureza Selvagem) precisa conseguir rapidamente uma quantia de dinheiro para não ser assassinado, ele recorre ao matador com o plano de matar sua mãe para ficar com o dinheiro do seu seguro de vida. Joe a princípio recusa a oferta, por só aceitar pagamentos adiantados, mas quando a jovem irmã do traficante, Dottie (Juno Temple, Desejo e Reparação) é oferecida como “garantia sexual”, ele acaba aceitando.
Killer Joe definitivamente não é um filme fácil de digerir, apesar de sua trama parecer básica e nada original, mostra que Friedkin, mesmo após praticamente três décadas, não perdeu sua capacidade em impressionar e incomodar o público com assuntos polêmicos, através de sua estética sombria, amarga e sem esperança. Cheio de violência, intimidação psicológica, malícias sexuais e humor negro, o diretor conseguiu extrair do fenomenal elenco suas melhores atuações. McConaughey é o destaque, bem à vontade para ser perverso, o ator abusa do sarcasmo e do sadismo, exalando ódio a cada cena, através de um olhar cruel. Emile Hirsch e Gina Gershon (PS, Eu Te Amo), auxiliados por Thomas Haden Church (Homem-Aranha 3) e Juno Temple contribuem de forma magnífica para o impacto desejado pelo diretor, com atuações extremamente marcantes.
O filme passa a mensagem de que existem pessoas sem escrúpulos e que são capazes de qualquer coisa para livrar sua pele ou para levar vantagem sobre alguém, especialmente quando o motivo é dinheiro. Sem meias palavras, é altamente recomendado para quem procura ver algo visceral e que fuja do controle e censura do cinema popular. Fãs de Tarantino ou Scorsese devem gostar, pois é um filme que tem muito estilo visualmente falando, além de violência e excelentes atuações.

Por Danilo Calazans.