Inúmeras mitologias diferentes marcam a narrativa de um dos personagens mais conhecidos do ocidente – quiçá do mundo –, o qual conquista o interesse das crianças, enquanto chama a atenção dos mais velhos. Vestido de vermelho e entregando uma quantidade impossível de presentes em uma noite, o Papai Noel é claramente um dos símbolos que marcam as festividades natalinas, sendo uma figura fantástica conhecida até mesmo por aqueles que não comemoram o Natal.

Com uma pintura e traços belíssimos, a Netflix traz o longa-metragem animado Klaus, apresentando uma nova e criativa visão acerca do personagem que marca os fins de ano, desde as mais rebuscadas decorações até em sua presença nas mais diversas obras audiovisuais. A história acompanha Jesper, um jovem mimado que é mandado pelo pai, o chefe dos carteiros, a trabalhar na distante cidade de Smeerensburg como forma de punição e aprendizado. A cidade, entretanto, se encontra perdida em um cego e prepotente ódio, este vindouro da constante guerra entre duas grandes famílias – a disputa entre as duas metades de Smeerensburg é tão radical que as crianças, inclusive, não têm permissão de ir à escola para que não tenham contato com o grupo rival. Jesper, assim, precisa cumprir seu tempo em meio aos constantes dias de guerra, conhecendo assim um velho e solitário senhor que vive isolado, construindo brinquedos que nunca viram a luz do dia – quem será ele, não é mesmo?

Não só esteticamente belo como também inteligente, o filme dirigido por Sergio Pablos permite ao espectador uma série de reflexões, abordando assuntos bastante relevantes: passa pelos malefícios do preconceito, aponta a importância da educação e fecha com uma clara mensagem de amor ao próximo, não esquecendo de ressaltar a clara importância da infância. Assim como diversas animações, guia-se a partir do seu humor e de suas mais diversas cores para não só entreter, mas fazer com que o público pense. É inegável que Klaus veio em um momento deveras oportuno – não só pela proximidade ao fim de ano, mas pela relação que tem com a realidade, onde o mundo vive em uma não tão sutil guerra contra aqueles que se mostram diferentes.

 Assim, mesmo abordando um assunto tão fortemente marcado como infantil, o Papai Noel, o filme consegue manter um excelente nível de maturidade, se levando a sério do início ao fim em um delicioso conto natalino. Se mostra, portanto, uma daquelas animações que não só encantam as crianças, como também conquista o carinho – e talvez algumas lágrimas – dos adultos.

Muito bem escrito, a quantidade de personagens ao longo da cidade de Smeerensburg surpreende, mas suas distinções pessoais permitem ao espectador saber quem é quem, mesmo nem sempre lembrando seus nomes. Da família Ellingboes até os Krum, cada personagem auxilia na composição da narrativa do filme, guiando a visão do quão prejudicial o ódio foi para aquela cidade. Vale ressaltar também que o elenco, em ambas as versões, se apresenta muito bem em seus papéis: na versão original, temos J.K. Simmons como Klaus, Jason Schwartzman como Jesper e Rashida Jones como professora Alva; enquanto na versão em português, tais papéis são muito bem desenvolvidos, respectivamente, por Daniel Boaventura, Rodrigo Santoro e Fernanda Vasconcellos.

Indo além de simples clichês natalinos – mesmo que alguns ainda estejam presentes –, o novo longa-metragem animado da Netflix conquista com abordagens inteligentes e reflexões bastante necessárias, constituindo-se em uma obra atemporal que, mesmo sem localização histórica definida, se relaciona fortemente com o mundo de hoje. Klaus se prova, assim, uma excelente opção para os amantes de animação e, até mesmo, para aqueles que buscam um adorável e cativante filme natalino, sendo não só uma obra prima do Natal, como também uma belíssima obra animada.