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Logo no início do filme conhecemos Tómas Kóblic (Ricardo Darín), um capitão das Forças Armadas que executa voos durante a ditadura argentina. Esse voo especifico irá marcar sua vida e o filme retornará a ele conforme a trama se desenvolve.

Kóblic então chega ao povoado fictício de Colonia Elena, em Buenos Aires, para trabalhar como piloto de pulverização e seus habitantes logo começam a questionar quem ele é e o que realmente veio fazer ali, principalmente o xerife Velarde (Oscar Martínez). Fica muito claro o medo que os habitantes têm das autoridades locais, e Kóblic, aos poucos, começa a entender que seu passado pode estar sendo investigado pelo xerife. Em paralelo a isso, ele se apaixona por Nancy (Inma Cuesta), que corresponde a este amor de imediato. Nancy, entretanto, é casada com um homem muito violento, e a relação entre ela e Kóblic permanece secreta. Tómas tem vários flashbacks no decorrer da história sobre o “voo da morte”, no qual ele ficara encarregado de arremessar corpos de sujeitos considerados subversivos em alto mar.

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Crédito: Divulgação

Cinco anos após ‘Um conto chinês’, Sebastián Borensztein retorna à direção com esse suspense policial que, apesar de reunir um elenco muito talentoso e fugir do cinema comercial clichê, deixa muito a desejar em relação à narrativa que pouco se desenvolve e chega mesmo a trabalhar com maniqueísmos em excesso dos personagens. A figura de Kóblic fica definida como “o bonzinho” em uma das primeiras sequências do filme, quando este cuida e adota um cachorro que aparece mancando no meio da noite. Em contraste com a figura do xerife, que ao se irritar com o latido de um cachorro, atira neste e continua seu discurso como se nada tivesse acontecido. A natureza oposta desses dois personagens fica bem delimitada e o que salva estes dois extremos de soarem falsos são as atuações de Darín e Martínez.

O romance entre Kóblic e Nancy também não se desenvolve, com a personagem de Inma servindo claramente na narrativa para impulsionar a masculinidade de Tómas, já que sua personagem não possui profundidade e aparece e desaparece do filme sem muita justificativa.

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Crédito: Divulgação

A analogia ao período da ditadura é forte, com Velarde representando o nepotismo, a corrupção e a violência. Kóblic parece ser o único personagem capaz de perceber o abuso de poder que o xerife exerce e, em uma cena de confronto entre os dois personagens no meio da rua, pela primeira vez a posição de Velarde é ameaçada.

Apesar de grandes aspectos técnicos, visuais e sonoros, e excelentes atuações, ‘Kóblic’ tem um ritmo demasiado lento e pouco do que a história promete realmente se resolve. Os flashbacks utilizados em vários momentos da narrativa parecem desconexos e não tem outra função a não ser demonstrar o peso na consciência do protagonista (que não recebe qualquer punição efetiva pelos seus crimes). Mesmo sendo um suspense, muitas vezes a estrutura desse roteiro remete a um western: “o forasteiro vs. o xerife”; campos abertos e até mesmo uma cena de “duelo”.

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