A arte sempre foi um instrumento de provocação ao longo de sua história. E “provocação” é o ato ou efeito de, com palavras ou atos, forçar alguém a uma luta, briga, discussão; desafio, repto. Assim, dado que o cinema vive numa escassez criativa na  indústria em Hollywood desde o início desse século, a sétima arte ainda tem muito a provocar mundo a fora.

A obra do diretor coreano Boog Joo Hoo é brilhante na construção de uma história de suspense densa, com crítica social forte, mas de uma forma leve e em alguns momentos até com bom humor.

Na história, a família a Ki-Taek vive em um porão num subúrbio de uma grande cidade da Coréia do Sul. Lutam para roubar Wi-fi de graça na região e com isso manter um subemprego para tentar sobreviver diante da crise financeira. Até que a oportunidade de dar aula de inglês para uma jovem rica pode mudar a vida de todos. O filho adolescente deslumbrado com o luxo e uma aparente ingenuidade da família mais abastada, ele bola um plano para infiltrar a irmã dele para cuidar do irmão mais novo de sua aluna. Sucessivamente eles sabotam o motorista e a governanta da casa e seus pais passam a assumir o posto.

Como no título em português, eles se tornam os parasitas da família rica que eles acreditam ser ingênua, mas que simplesmente não se importa.

O filme bate forte numa questão muito atual na sociedade que é a invisibilidade de pessoas pobres para as pessoas mais ricas. A forma em que isso é abordado no filme seja pela metáfora do odor em diversos momentos e por diálogos duros da reflexão dos personagens exemplifica muito bem esse fenômeno pós-moderno.

A desigualdade presente em diversos países em desenvolvimento mundo afora, entre eles o Brasil, tornam a identificação de algumas situações imediatas. Se “Corra!” foi um um sucesso por trazer um ao filme de gênero suspense uma pegada de discussão sobre preconceito racial com humor debochado, “Parasita” utiliza fórmula semelhante e traz uma questão interessante para o cinema.

Filmes legendados podem fazer sucesso nos EUA?

Nos últimos anos a indústria se notabilizou em fazer remakes de filmes estrangeiros de sucesso no mundo inteiro. Seja europeu ou asiático, diversos sucessos de público nos últimos 20 anos ganharam releituras americanizadas.  O diretor e roteirista Bong Joon Ho tem batido nessa aceitação aos filmes estrangeiros nas principais premiações em que participou. Recentemente no seu discurso no Globo de Ouro disse: “Quando superarmos a barreira das legendas vocês conhecerão filmes incríveis”. Essa fala vai de encontro com uma bela cena no filme quando temos uma Panorâmica Vertical que mostra a distância entre a casa da Famíla Park e a Família Ki Taek.

 Depois da vitória na premiação da imprensa estrangeira em Los Angeles a produção segue como um forte candidato ao Oscar de Filme estrangeiro e Joon-ho badalado com uma indicação como diretor.

A obra sul-coreana se mostra atual e necessária para a discussão da desigualdade no mundo. O clímax do filme mostra um sentimento real de descontentamento com anos de descaso com um problema que muitos como a Família Park não se importam ou simplesmente não vêem porque não olham para baixo.