SINOPSE

Thor (Chris Hemsworth) está preso do outro lado do universo. Ele precisa correr contra o tempo para voltar a Asgard e parar Ragnarok e a destruição de seu mundo e o fim da civilização asgardiana, que está nas mãos de uma nova ameaça todo-poderosa, a implacável Hela (Cate Blanchett).

FICHA TÉCNICA

Direção:

Taika Waititi

Roteiro:

Craig Kyle, Christopher Yost

Gênero:

Aventura, Fantasia, Comédia

Produção:

Elenco:

Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Cate Blanchett

Nacionalidade:

EUA

Ano de Produção:

2017

Data de Lançamento:

26/10/2017

Distribuição:

MARVEL/DISNEY

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

Ao passo em que filmes de super-heróis parecem estar saturando o cinema blockbuster há pelo menos uma década, é curioso ver como cada vez mais eles batem recordes de bilheteria e sempre o próximo lançamento parece ser algo mais “épico” do que o anterior, e assim por diante. Super-heróis se tornaram um subgênero do cinema, e tudo indica que não irão acabar tão cedo.

Apesar de não ser um ávido fã de HQs e afins, reconheço a ambição e visão dos estúdios Marvel/Disney ao construírem um universo com tantos personagens, cada um com seus arcos e aventuras, mas ao mesmo tempo, fazendo parte de algo muito maior.

Em determinado momento de “Thor: Ragnarok”, o protagonista (Chris Hemsworth) repreende seu irmão Loki (Tom Hiddlestone) sobre seus velhos e maliciosos hábitos, algo como: “com o tempo, na vida é preciso evoluir, crescer”. Acredito que o motivo de existirem tantos filmes solo de alguns personagens da franquia é justamente a oportunidade do seu desenvolvimento interno e externo, para quando chegar a hora dos grandes confrontos, os arcos não parecerem forçados. Funcionou estabelecendo uma rivalidade gradativa entre o Capitão América e o Homem de Ferro – que foi eclodir em “Guerra Civil” – e, na minha opinião, funciona novamente aqui em “Thor: Ragnarok”.

Em uma cena, o personagem Korg faz uma piada sobre vampiros. Para quem viu o hilário filme anterior do diretor Taika Waititi, “O Que Fazemos Nas Sombras” – um falso documentário que mostra o dia a dia de vampiros que vivem entre humanos na Nova Zelândia – a referência é bastante clara. Não é à toa que o personagem que faz a piada é interpretado pelo próprio diretor.

Esse clima muito bem-humorado é que dita todo o tom do filme, desde o pontapé inicial. Diferentemente dos filmes anteriores do personagem, que se levavam mais a sério – muito por conta da visão dos seus diretores -, “Thor: Ragnarok” abraça com todas as forças a fama descontraída e até galhofa que está presente em outros filmes do estúdio, como “Homem-Formiga”, “Doutor Estranho” e, é claro, “Guardiões da Galáxia”. Isso também reforça a transformação do protagonista ao longo do tempo.

O ressurgimento da perigosa deusa da morte Hela (Cate Blanchett), coloca em risco Asgard – a Terra Natal do Deus do Trovão – através do Ragnarok, uma espécie de apocalipse que irá destruir tudo o que lá existe. Assim, o herói precisa encontrar toda ajuda disponível para frustrar os planos da vilã e salvar seu povo. No caminho, encontra rostos conhecidos, como Hulk (Mark Ruffalo) e faz novas alianças, como a Valquíria (Tessa Thompson), uma poderosa, mas desacreditada guerreira.

 

 

O diretor pega dois eventos conhecidos dos quadrinhos (do Ragnarok e do Planeta Hulk) e transforma em algo novo, muito mais alinhado com sua visão cômica. Naturalmente, a história se passa após os eventos ocorridos em Sokovia, onde vemos um Thor muito mais leve e brincalhão, mas principalmente humanitário e altruísta, características que aprendeu a desenvolver ao longo de sua jornada.

Para mim, as sequências de filmes que mais funcionam são exatamente as que aproveitam para expandir seus personagens e, felizmente, esse é um dos grandes acertos em “Thor: Ragnarok”. Além desta transformação de Thor desde o primeiro filme (de irresponsável a verdadeiro guardião e protetor do povo) ir de encontro com a ideia central do filme. Todos os líderes (Hela, o Grão-Mestre e Loki, temporariamente) são ambiciosos demais, ou querem todas as glórias para si, oferecendo ao povo apenas o seu ego, além de pão e circo. Thor, por sua vez, representa o modelo de líder que aquele mundo precisa.

O humor é muitas vezes pastelão, rindo de coisas bobas e explorando gags visuais como fazem os desenhos animados – dois dos roteiristas vieram de séries de TV animadas, como “X-Men Evolution” e “Star Wars Rebels”. Stan Lee deixa sua presença, como de costume, mas há espaço para uma surpresinha hilária com a participação de um artista que imagino que ninguém esperava. As cenas de luta são empolgantes e o confronto Thor vs Hulk, lançado no trailer, cumpre muito bem o que promete, de longe uma das melhores sequências do filme.

Ainda há espaço para reforçar a conexão de Thor com seu pai e irmão, além de uma breve mostra de como os poderes do Doutor Estranho evoluíram. Mesmo que pareça faltar mais peso dramático nos obstáculos enfrentados pelos heróis – muito por conta do tom leve do filme – as sólidas atuações passam credibilidade à história. Destaque para Cate Blanchett eficiente e sem afetação na sua personagem, segurando muito bem o papel de antagonista e um Jeff Goldblum completamente excêntrico, vivendo o Grão-Mestre de um país que adora oferecer jogos para entreter a sofrida população.

Concluindo, não poderia deixar de mencionar o grande mérito do filme, a parte técnica praticamente impecável. Filmado especialmente para o formato IMAX, o longa conta com os melhores efeitos visuais que vi esse ano, provavelmente. E não apenas pelo visual colorido e chamativo, mas pela própria construção dos universos e a fotografia de Javier Aguirresarobe (de “Goosebumps”).

A trilha sonora de Mark Mothersbaugh (de “Uma Aventura Lego”) também é excelente, especialmente a utilizada no núcleo do personagem de Jeff Goldblum, que remete a jogos de vídeo game antigos (na minha cabeça veio a clássica trilha de Top Gear), ambientando um ar meio de anos 80 para aquele núcleo. Além disso, o próprio poster faz referência ao jogo Altered Beast (imagem acima).

Assim, “Thor: Ragnarok” pode ser considerado o melhor filme do personagem. Quanto mais os filmes de super-heróis parecem ir saturando o mercado, mais eu espero que os próximos lançamentos priorizem divertir e entreter seu espectador. Veja bem, não há nada de errado em ter ambições de discutir temas mais sombrios e usar abordagens que se levem mais a sério, mas em via de regra, esses filmes são pensados para que o público consiga ter uma descontração e passar um tempo divertido em uma sala de cinema. E me dou por satisfeito por este ter sido perfeitamente o meu caso.

E você, já assistiu ou está ansioso para ver? Concorda ou discorda da análise? Deixe seu comentário ou crítica (educadamente) e até a próxima!

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