Como Scrooge, Grinch marcou a literatura e o cinema por seu ódio ao natal. Porém, as duas história tratam a raiva como opção de escape para um trauma ou falta de algo, transmitindo uma linda mensagem de esperança, amizade e amor ao final da história. Criado por Dr. Seuss, a criatura verde que tem o cachorro Max como principal companheiro deixou sua primeira marca no cinema com a icônica atuação de Jim Carrey, no live action de 2000.

Bem mais centrado e pé no chão, até por não ter a liberdade da animação, o filme de Ron Howard estabeleceu um estilo para o personagem, que ficou difícil de tirar de sua essência. 18 anos depois, a Illumination traz de volta o personagem, e mesmo tendo a mesma cor e personalidade, há diferenças cruciais nos dois.

Porém, a versão de 2018 tem exatamente essa função em trazer um Grinch mais leve, aproximando ainda mais o público infantil.

Tecnicamente, as animações da Illumination são impecáveis. Recheada de cores, tudo é muito vivo em tela e enche os olhos com uma beleza estonteante. Com O Grinch não é diferente. A exploração das iluminações de natal, traz um espírito leve e não cansa aos olhos, mesmo lotado de cores constantemente. Entretanto, os roteiros do estúdio andam seguindo uma linha narrativa tão genérica, que decepciona diante de uma técnica de animação tão alta.

Depois de Meu Malvado Favorito (2010), o estúdio criou um universo próprio. Porém, as histórias depois do filme de 2010 conseguem divertir o público, mas ainda sem o encantamento necessário para deixar uma marca significativa. Infelizmente, com O Grinch ocorre a mesma coisa como nas sequências de Gru, Pets – A Vida Secreta dos Bichos (2016) e Sing – Quem Canta Seus Males Espanta (2016).

Nessa versão animada, o longa explora muito da narrativa literária, trazendo o discurso rimático em off para guiar a narrativa. Esse ponto estabelece a leveza da obra junto com as construções dos personagens, que funcionam muito bem – em partes – no primeiro ato. Outro ponto positivo está na conclusão. A forte mensagem do espírito natalino é lindo de se ver em tela, com o discurso vigoroso de união e compaixão ser superior a qualquer presente físico.

No entanto, apesar de um começo e final encantadores, o segundo ato inteiro peca em trazer uma narrativa mais arrastada e forçada, não conseguindo ser tão divertido quanto o que já havia sido construído. Há sim o desenvolvimento da história, mas realizado de uma forma pejorativa. O que segura o espectador de querer a conclusão da história são seus personagens. E não limita só ao Grinch.

Max e Cindy Lou se destacam tanto quanto a criatura esverdeada. E como em Meu Malvada Favorito, no qual o destaque vai mais aos Minions do que para o próprio Gru, em O Grinch, Max é o principal destaque, gerando as melhores cenas de humor e se tornando o principal personagem a gerar uma conectividade com o público.

Sobre a construção de um universo próprio da Illumination, é nítido em tela como as animações se conversam em diversas características, dando ao Grinch muitos aspectos idênticos ao de Gru, incluindo cenas narrativamente construídas de maneira idêntica. Essas construções com base em personagens que funcionaram perde um pouco da essência do longa e cansa o espectador de uma trama já do seu conhecimento, trazendo poucos pontos originais e gratificantes.

A surpresa para a versão brasileira fica por conta da dublagem do ator Lázaro Ramos. Por mais que Lázaro esteja distante da personalidade do Grinch, devido ao seu carisma, sua voz funciona com este especificamente. Como citado anteriormente, esta nova versão traz um personagem menos excêntrico e exagerado quanto o de Carrey. Há um carinho pelo Grinch de Lázaro, e muito devido a sua voz. O reconhecimento do ator global por trás do personagem faz o espectador sentir uma empatia por ele automaticamente.

Por isso, O Grinch consegue encantar com uma linda mensagem de bondade e união, mesmo com sua narrativa genérica já muito explorada. A diversão, em volta de um roteiro enfraquecido, está presente para a criançada. Portanto, o objetivo de garantir um riso infantil e ainda reforçar um lindo ensinamento humano faz O Grinch acertar em cheio, apesar de sua superficialidade narrativa.