Cinema e Segunda Guerra Mundial sempre caminharam de mãos dadas. Cineastas de diferentes gêneros e estilos já exploraram pelo menos uma essência da marca dessa batalha de seis anos. Houveram variações, com sátiras, enquanto outras exploraram o drama ou a ação. Heróis estiveram envolvidos, todos com o grande e o fácil vilão que é o Nazismo. Não é necessário desenvolvimento, afinal, é um vilão clássico, que busca o mal e todos se identificam com os mocinhos, a fim de derrota-los (quer dizer, esse é, pelo menos, o esperado). Operação Overlord, nessa situação, explora um pouco de tudo.

Como Corações de Ferro (2014), o novo longa de Julius Avery foca em uma pequena parte da guerra, criando uma dinâmica mais consistente entre os personagens. O adicional está o terror um tanto trash explorado pelo diretor e pelos roteiristas Billy Ray e Mark L. Smith. Mas muito vem de J. J. Abrams, um dos idealizadores da ideia original.

Explorar a Segunda Grande Guerra com monstros trashes parece uma ideia um tanto “fora da caixinha”, mas toda a construção de Avery, Ray e Smith fazem de Operação Overlord um filme independente de alta qualidade e bem estabilizado em sua proposta.

Isso porque o longa apresenta algo sério, mas com um pé no grotesco, e se mantém assim até o final. Por mais que trailers e marketing o estejam vendendo como um filme de ação frenético recheado de criaturas, o longa tem seu tratamento próprio. A direção de Avery mantém uma linha narrativa padrão e bem cadenciada para o estilo de longa. O desenvolvimento e foco estão particularmente nos personagens e sua (nem tão) simples missão em meio ao exército nazista.

O mistério é construído devagar, deixando o espectador embarcar naquele universo estranho e gore da mesma maneira e velocidade que os personagens. Isso é um tanto estragado pela venda, já que, a revelação de criaturas mortais acontece no meio do segundo ato. A narrativa mais lenta existe não só para a ambientação e construção de tensão, como também pelo orçamento de apenas US$10 milhões, que limita as loucuras fantasiosas que Abrams adora explorar, mesmo como produtor.

No entanto, há uma história por trás de pouco orçamento e ela é contada com esmero pela direção de Avery. O longa traz os elementos básicos de uma trama de guerra, com personagens caricatos – mas já do íntimo do público – além de uma direção segura nos momentos de ação, sem exageros de câmera, mantendo tudo centrado na narrativa e na forma como é desenvolvida. Isso, em partes, afasta, como também aproxima o público da história.

O acolhimento e a aproximação vem dos personagens. A inocência do personagem de Jovan Adepo faz o público abraçar toda sua trajetória, por sua construção e também pela direção, que explora a ambientação no visual, mas principalmente, no som. Os acontecimentos, as viradas e as consequências são populares. E nessa, os vilões também ajudam. Suas características padrões de malignos, que buscam o poder máximo, fazem o público aclamar mais pela história aventureira e divertida.

Porém, há também o afastamento. Muito pela própria direção mais compassada. A trama não acelera ou desenvolve de maneira debilitada, a história tem seu tempo e seu ritmo, queira o público apaixonado por edição acelerada ou não.

Avery não só se provou na direção narrativa e de atores – fazendo com que o limitado Wyatt Russell entregasse uma atuação honesta – como também um impecável trabalho com o som. Indo além da trilha sonora, a edição e mixagem do longa dão outro ar e outra experiência. Tudo é bem trabalhado, sendo o som mais alto nos momentos certos, dando ainda mais clima para toda a trama. Paralelamente, a maquiagem é outro grande destaque da produção. Tudo é muito realista, mas se mantendo no bizarro.

Ao todo, Operação Overlord surpreende bastante. O que parecia ser mais um filme de ação genérico com monstros, mostrou-se algo a mais, com uma história fechada e conclusiva bem montada e dirigida. A mesma diversão de um filme genérico de ação se mantém, no entanto, há uma qualidade técnica superior, que surpreende no desenvolvimento da história. Além, do claro fato de haver monstruosas criaturas.