SINOPSE

A história do sequestro do jovem de 16 anos John Paul Getty III e a luta de uma desesperada mãe, Gail, para convencer seu avô bilionário a aceitar pagar o valor do resgate.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Ridley Scott

Roteiro:

David Scarpa

Gênero:

Drama, Biografia

Produção:

Elenco:

Christopher Plummer, Michelle Williams

Nacionalidade:

EUA

Ano de Produção:

2018

Data de Lançamento:

01/02/2018

Distribuição:

DIAMOND FILMS

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

“Era uma vez a história de um rei que tudo o que tocava virava ouro”.

Roma, 1973. Homens mascarados sequestram um adolescente enquanto passeava pelas ruas de madrugada. O garoto Paul era o neto favorito do seu avô, John Paul Getty – o homem mais rico do mundo na época, magnata do petróleo com uma fortuna avaliada em bilhões. Entretanto, nem mesmo a vida de um familiar querido colocada em risco foi suficiente para comover o velho pão duro, que se recusou a pagar qualquer valor de resgate por ele.

“Todo o Dinheiro do Mundo” conta essa história real, baseada no livro de John Pearson e dirigida pelo experiente Ridley Scott (de “Blade Runner” e “Gladiador”). O filme segue Gail (Michelle Williams), a devotada mãe do jovem que, diferentemente de J. P. Getty (Christopher Plummer), sempre escolheu o filho ao dinheiro, mas precisava convencer o sogro a salvá-lo antes que os mafiosos se irritassem e o pior acontecesse. Para isso, ela se une com o misterioso segurança Fletcher Chace (Mark Wahlberg), contratado por Getty para encontrar o garoto nessa verdadeira corrida contra o tempo.

Há males que vêm para o bem

A produção ganhou bastante notoriedade após o escândalo sexual envolvendo Kevin Spacey, primeiro ator contratado para viver o papel de J. Paul Getty. Mesmo com o filme já finalizado e prestes a ser lançado, Scott tomou a decisão ousada de substituir Spacey por Plummer – que era a única opção “reserva” na mente do diretor para o papel -, refilmando todas as cenas do personagem em pouquíssimas semanas. Scott declarou que não queria que o filme, o restante da equipe e elenco que trabalharam arduamente, fossem punidos (em um possível boicote) pelos erros de uma pessoa.

É verdade que tal decisão poderia ter comprometido todo o resultado final, tornando o filme uma espécie de “Frankeinstein” bagunçado e artificial, mas se existe alguma verdade na frase “há males que vêm para o bem” (apesar das circunstâncias horríveis), a substituição dos atores não comprometeu o saldo final e ainda pode ter sido benéfica, pois na época do evento ocorrido Getty tinha 80 anos, enquanto Spacey, 58, e Plummer, 88. Analisando imagens do próprio trailer divulgado antes com Spacey no papel e comparando com o filme lançado, a semelhança de Plummer é muito maior com o bilionário – e não precisou de próteses faciais.

O verdadeiro valor do dinheiro

Analisando os principais temas do filme, percebemos que “Todo o Dinheiro do Mundo” fala de legado e família – enquanto Getty tinha um pavor mortal de perder seu legado (e fortuna), Gail, a mãe, sempre priorizou estar com o garoto mais do que qualquer quantia de dinheiro, embora descubra que as duas coisas (legado e família) precisam andar juntas, uma não sobrevive sem a outra. Mas, a grande pergunta que não quer calar é por que o homem mais rico da humanidade não pagaria o valor correspondente a apenas um mês de juros de suas aplicações para resgatar seu neto favorito (dos 14 que tinha)?

Acredito que o longa busca estimular o debate sobre uma realidade cruel da natureza humana: há pessoas tão mesquinhas ao ponto de colocarem o dinheiro acima da vida de um familiar? Embora todos saibamos que a resposta seja sim, o grande trunfo do filme é explorar a peculiar visão de mundo do enigmático J. P. Getty: “tenho mais 14 netos e se eu pagar um centavo agora, então vou ter 14 netos sequestrados”, ele declarou à imprensa na época.

Getty sabia como poucos que o valor do dinheiro nada mais é do que a disposição que alguém tem de adquirir alguma coisa. Não é bom e nem ruim, depende da intenção de quem o possui. E o ponto trágico em toda essa incrível história é entender como vidas são afetadas pelo dinheiro, quando este é mau utilizado. Ter bastante dinheiro pode aumentar a felicidade das pessoas ao redor daquele que o possui, mas por outro lado, se usado de maneira egoísta ou com a intenção de manipular alguém, pode causar a devastação dos mesmos.

 

 

O toque de Midas

Brilhantemente interpretado por um frio e seguro Christopher Plummer, de certa forma, a história de J. Paul Getty remete a um conto da mitologia, um rei que se afundou na própria ambição. Midas já vivia em grande abundância em seu castelo, mas sempre quis aumentar suas posses – seu hobby era ficar contando suas intermináveis moedas de ouro. Certo dia, ele acolheu um deus nas suas propriedades e o tratou com total hospitalidade, recebendo o direito de escolher a recompensa que desejasse. Ambicioso, ele não hesitou, pediu que tudo o que tocasse virasse ouro.

Pelo caminho, não acreditava no que via. Pegou um raminho de uma planta, que logo virou ouro, depois uma pedra, uma fruta de uma árvore… Estava tão feliz que quando chegou em casa, ordenou aos empregados um magnífico banquete para comemorar. No entanto percebeu, horrorizado, que ao pegar o pão, este virava ouro, bebia vinho, mas a bebida lhe descia a garganta como ouro derretido, sua filha o abraçou e logo se transformou em ouro. Ou seja, havia conseguido ampliar sua fortuna, mas a que preço?

Considerações finais

Devido aos problemas que envolveram a produção, “Todo o Dinheiro do Mundo” tem um saldo muito positivo. Embora não seja nem de longe um dos melhores filmes de Ridley Scott, pois sofre certo problema de ritmo especialmente no segundo ato – onde precisa desenvolver a investigação e não consegue explorá-la tanto quanto poderia -, ainda assim, graças à boa contribuição do elenco e história complexa (com um protagonista fascinante, cuja escuridão do “castelo” reforça a áurea sombria e solitária que o acerca), a direção de Scott contribui com boas sequências, cheias de tensão e mistério.

O filme mostra que vidas humanas não são como mercadorias e como nossas decisões podem ser afetadas quando não sabemos se aqueles próximos a nós realmente gostam da gente ou se aproximam por algum interesse. Quanto mais “inimigos/concorrentes” alguém pode ter, mais complexa ainda se torna sua maneira de pensar e agir. Nas palavras do próprio Getty: “tudo na vida tem um preço, o grande desafio é aceita-lo”. Se a resolução parece um tanto moralista para alguns, funciona perfeitamente para mim. É óbvio que a fortuna do bilionário duraria por várias e várias gerações e, como mencionei anteriormente, o dinheiro é neutro, quem o utiliza para o bem ou para o mal é quem o possui.

O fato é que a fortuna de Getty resultou em ótimas contribuições para a sociedade, como o complexo cultural Getty Center, com uma série de instituições de pesquisa, conservação e arte localizado em Los Angeles – como o museu com entrada gratuita. Claramente houve um senso de contribuição dos herdeiros Getty para com a sociedade, ao contrário do autoritário patriarca, uma vontade de oferecer aos mais desfavorecidos acesso à cultura e engajamento social. Já quanto ao filme, relevando uma ou outra irregularidade na narrativa, é sem dúvidas um dos grandes dramas que chegam aos nossos cinemas neste começo de ano.

E você, já assistiu ou está ansioso para ver? Concorda ou discorda da análise? Deixe seu comentário ou crítica (educadamente) e até a próxima!

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