Mêle-sur-Sarthe é uma cidade pequena na região da Normandia na França, que tem sua principal fonte de renda sendo desvalorizada dia após dia, os preços da carne e laticínios estão caindo, consequência da invasão do mercado Francês por produtos importados, a população da vila, que é majoritariamente formada por agricultores está a beira de um colapso, muitos estão ameaçados de perderem suas terras e maquinário e alguns até recorreram ao suicídio, então eles decidem realizar a piquetes numa tentativa de voltar a atenção das autoridades para a crise da pequena vila.

O que poderia a principio ser uma história séria não é tratada como tal, o longa é uma junção das histórias dos moradores da vila, que são todas apresentadas de uma maneira leve e descomprometida. Durante um dos protestos, os moradores bloqueiam a estrada que da acesso à Paris, no intuito de atrair a atenção desejada, porém a única atenção que eles conseguem é a de um famoso fotografo americano chamado Newman (Toby Jones), buscando pelo local perfeito para realizar a sua próxima foto ele decide que um dos campos de Mêle-sur-Sarthe é o cenário ideal para seu próximo trabalho.

O prefeito, Georges (François Cluzet), que vive para atender a sua comunidade, sua dedicação é tanta que sua esposa até pediu o divórcio porque ele estava sempre trabalhando, passa a perceber que bloqueios nas estradas não são mais suficientes e decide que para atrair atenção internacional vai permitir que Newman faça a foto na pequena cidade, porém as famosas fotos de Newman tem todas algo em comum, centenas de pessoas nuas, que neste caso seriam os moradores de Mêle-sur-Sarthe, agora Georges tem mais uma missão, convencer seus eleitores a tirarem a roupa.

O longa tem início com Chloé (Pili Groyne), uma garota insatisfeita com a decisão de seus pais de se mudarem de Paris para a pequena cidade no campo, e apesar de ela ser filha de um personagem de pouca importância no decorrer da trama, é ela que começa narrando o filme e contando sua história, que logo é esquecida e deixada de lado por realmente não apresentar nenhuma relevância. Em alguns momentos a família de Chloé é trazida de volta a cena só para que depois desapareça novamente, pois na verdade o foco do filme é tarefa de Georges de convencer todos a posarem nus.

Pequenas histórias sobre alguns moradores são contadas, mas nenhuma de forma mais significativa, nem mesmo a história do próprio prefeito é aprofundada, e a falta de desenvolvimento e profundidade dessas histórias e personagens faz com que metade fique pelo caminho.

Ainda que assuntos como a decadência financeira de toda uma comunidade, o ciúmes do açougueiro que não quer que sua esposa fique nua e que acaba se tornando perigoso, a critica sobre o pudor em algo tão natural quanto a nudez e até brevemente, o aquecimento global, sejam abordados em algum momento, parece que Normandia Nua no final não tem muito o que dizer, é apenas uma colagem descontraída de historias e assuntos.

Porém o filme ainda tem seu charme, na maior parte do tempo existe um divertimento descomprometido e muito disso graças ao prefeito interpretado por François Cluzet, conhecido por seu papel como um milionário tetraplégico em Os Intocáveis (2011), que é um personagem amável que faz com que você torça por ele, mesmo quando fica perdido em meio a tantas historias paralelas.