SINOPSE

Daniel Mantovani, escritor argentino que vive na Europa há 40 anos, decide retornar à sua cidade natal para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade. O que ele não imaginava é que com essa viagem muitas situações complicadas entre ele e os habitantes surgiriam.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Mariano Cohn, Gastón Duprat

Roteiro:

Andrés Duprat

Gênero:

Comédia

Produção:

Mariano Cohn, Gastón Duprat

Elenco:

Oscar Martinez, Dady Brieva, Andrea Frigerio, Nora Navas

Produção:

Mariano Cohn, Gastón Duprat

Nacionalidade:

Argentina

Ano de Produção:

2016

Data de Lançamento:

11 de maio de 2017

Distribuição:

Cineart Filmes

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Item não avaliado

Roteiro:

Item não avaliado

Fotografia:

Item não avaliado

Trilha-Sonora:

Item não avaliado

Montagem:

Item não avaliado

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Montagem:

Item não avaliado

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Efeitos Visuais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Item não avaliado

Elenco:

Item não avaliado

“O Cidadão Ilustre” combina bom roteiro, com uma direção madura e ótima escolha de elenco. Vencedor do prêmio Goya deste ano e nomeado ao Leão de Ouro na categoria melhor filme no festival de Veneza do ano passado, o filme conta a história de Daniel Mantovani (Oscar Martinez), um reconhecido escritor argentino que recebe o Nobel de Literatura com profundo ressentimento e reconhecimento de que sua arte morre ao conseguir tocar de acadêmicos a reis. Este personagem nos inspira desde o começo tanto repulsa (por sua personalidade pouco fácil de lidar) quanto nos atrai (por sua genialidade). Neste misto de sentimentos, começamos a adentrar no mundo de Daniel e perceber que este é profundamente seletivo em relação aos encontros que atende e aos prêmios que escolhe receber. Em um desses convites surge o chamado para ir a seu povoado de origem em Salas, na Argentina.
O escritor logo decide que irá retornar a seu país, após 40 anos na Europa, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade.

De volta às suas origens, Daniel – mais velho e mais rico também – começa a rever e a conhecer diferentes aspectos do que antes chamava de lar. Este apátrida inicia esta jornada com visível predisposição, que antes não podia notar-se na personagem. O escritor é levado de encontro ao prefeito da cidade; desfila em um carro de bombeiros com a Rainha da Beleza do povoado ao seu lado; discursa em público; dá palestras…até que quando convidado para escolher as melhores pinturas de um concurso de artes, Daniel não prioriza os nomes dos autores ou mesmo um Papa Francisco pintado de forma muito amadora. Daniel julga a obra por ela mesma, coisa que os moradores de Salas não estão nem um pouco acostumados a fazer. Esse seu pequeno ato é visto como uma guerra declarada por um dos autores do qual a obra não fora selecionada para exibição. A partir daí descobrimos uma outra face dos aparentemente acolhedores habitantes dessa pequena e pacata cidade. Daniel é o estrangeiro, visto por todos como uma entidade que tentou a sorte no mundo pouco valorizado da cultura e ainda teve a audácia de deixar seu país para se juntar a um povo que se julga mais evoluído. Obteve sucesso nisso tudo, retorna como herói. Mas como o próprio protagonista diz em um momento do filme: “só falta que eu morra para que me torne herói”.

Mas essa valorização do artista logo se transforma em rancor, inveja e mesmo raiva quando todos começam a jogar na cara de Daniel que tudo o que ele fez foi escrever sobre esse pobre povoado e distorcer a verdade sobre pessoas que realmente existiram. Toda sua carreira de sucesso só fora possível pois este bebia direto da fonte desses personagens vivos que habitam Salas. Autor e obra se confundem como de costume.

A diferença entre sua casa na Europa e os lugares vistos na pequena cidade da Argentina deixam claro o contraste existente no protagonista antes e depois de sua mudança. Desde o primeiro momento do filme estamos completamente entregues nesta narrativa dinâmica e ao mesmo tempo profunda. Oscar Martinez, em uma de suas melhores performances, é um dos motivos pelo qual este filme se executa de forma tão perfeita. A personagem principal vai se apresentando aos poucos para o espectador, até que nos sintamos intrigados por sua personalidade e começamos a sentir sua angústia do não pertencimento. Há questionamentos sobre o que é ético e moral em um artista em relação a construção de sua obra e questionamentos sobre relações humanas quando postas no limite.

Em Salas, há o pai de família, o típico “machão” que não leva desaforos para casa; a mulher amargurada por nunca ter saído do interior e buscado os próprios sonhos; um prefeito com mania de grandeza; e não nos esqueçamos dos idosos que constituem metade da população. Salas é o retrato de uma sociedade patriarcal acostumada a correr atrás do próprio rabo, com medo de qualquer coisa que inspire o novo. Tudo isso fica evidente no retrato feito pelos diretores, e muito desse sentimento é expresso na configuração física da cidade e na forma que os ambientes são montados. O aparente acolhimento disfarça bem as reações violentas e espontâneas dessas pessoas que vão explodindo, um a um, conforme o escritor não age de acordo com o que eles haviam planejado.