SINOPSE

Serras Gaúchas, 1963. O jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai, que deixou a ele e a sua mãe para voltar a viver na França. Professor de francês no colégio da cidade, ele se vê às voltas com seus alunos adolescentes. Apaixonado pelos filmes que vê no cinema da cidade grande, Tony faz do amor e do cinema suas grandes razões de viver. Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Selton Mello

Roteiro:

Selton Mello, Marcelo Vindicatto

Gênero:

Drama

Produção:

Vânia Catani, Leonardo Eddeo, Laise Nascimento

Elenco:

Vincent Cassel, Selton Mello, Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer

Nacionalidade:

Brasil

Ano de Produção:

2017

Data de Lançamento:

03/08/2017

Distribuição:

Vitrine Filmes

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

Depois de “Feliz Natal” e do afável “O Palhaço”, o diretor e ator Selton Mello retorna na direção com mais um drama familiar. Baseado no livro “Um Pai de Cinema” do chileno Antonio Skármeta (autor de “O Carteiro e o Poeta”), “O Filme da Minha Vida” (que estreia esta semana em circuito nacional) mostra como seus personagens lidam com ausência, segredos, descobertas e aceitação, dosados de maneira congruente que Selton conseguiu realizar com maestria. Em seu novo trabalho por trás das câmeras, ele também consegue equilibrar delicadeza, drama e uma doce melancolia acompanhado de um humor leve.

Rodado nas cidades de Cotiporã, Veranópolis, Bento Gonçalves, Garibaldi, Farroupilha, Monte Belo do Sul e Santa Tereza, suas lindas locações são reforçadas pela sua sedutora fotografia que usa e abusa das cores fortes. É nítido que a bela fotografia de Walter Carvalho não só representa bem a natureza, como também a destaca realçando e inspirando uma época. Outro destaque vai para a direção de arte de Cláudio Amaral (com quem Selton trabalhou em “O Palhaço”) que consegue minuciosamente expressar enquadramentos das sequências de primeiro plano, planos abertos e os médios que mais parecem quadros de obras.

Com estes atributos, é possível afirmar que “O Filme da Minha Vida” é uma poesia cinematográfica e que sair da sala de exibição com orgulho do nosso cinema é apenas um dos bons sentimentos que o filme nos faz. Junto a tudo isso, o filme ainda traz uma boa trilha sonora e deliciosas canções da época como Coração de Papel de Sérgio ReisHier Encore de Charles Aznavour e Voilà de Françoise Hardy.

Ambientado na região Sul do Brasil na década de 1960, o jovem Tony, filho de francês com uma brasileira, regressa a Remanso, sua cidade natal após estudar na capital e descobre que o pai, voltou para França. Tony mantém uma boa relação com a mãe, mas a ausência do pai o afeta e entende que precisa tocar a vida pra frente. Em meio a nova adaptação de vida, ele torna-se professor de francês e passa por um processo de amadurecimento sem ter uma figura paterna para dividir e discutir determinados assuntos. Ele passa ter a uma relação de familiaridade com Paco, os irmãos Augusto, Luna (por quem  se apaixona) e Petra, além da prostituta Camélia.

Daí em diante o filme nos mostra flashback da infância do protagonista, de como seus pais eram amorosos e presentes, composto por momentos de ternura, mas que não deixa de ser meigo mesmo na atual situação turbilhonada na vida de Tony. O filme tem um forte lado sentimental que casa perfeitamente com um argumento grandioso e comovente. Além de uma pegada de clássicos franceses que compõem o movimento Nouvelle Vague como Zazie Dan Le Métro”, “O Filme da Minha Vida” nos oferece um grande espetáculo sobre maturidade.

“O Filme da Minha Vida” é um belo drama que não se permite ser piegas nem cair no clichê, mas que se concentra não apenas em seu personagem central como também nos demais para dar mais sentido na trajetória da passagem de um jovem para um adulto. Seu ritmo lento não compromete a apreciação que se tem pelo longa. Não tem como não se envolver e se encantar com este lindo filme reminiscente liderado por um elenco refinado e mais uma vez, Selton mostra que é possível sim, fazer filmes agradáveis sobre sazonamento (com tratamento adulto) e valores familiares sem apelar para o sentimentalismo barato. E que venham outras e outras obras iguais a esta.