Em 1989 estreava nas telonas De Volta para o Futuro 2, longa no qual parte da trama se passava em 2015. Entre tantas novidades do “futuro” (nossa atual realidade), uma se destacava pela excentricidade: o lançamento do 19º filme da franquia Tubarão, em versão holográfica. Este número relativamente alto, dentro da trama, representava a comodidade, e talvez a futilidade, da sociedade do futuro, uma vez que na ausência de criatividade para criar novas histórias, usavam-se as mesmas, maquiadas com novas tecnologias. Mas o que tudo isso tem a ver com Vingadores: Guerra Infinita?

Apesar de ser “oficialmente” o terceiro filme da equipe de heróis, o conjunto das produções interligadas é bem maior e em 10 anos de existência o Marvel Studios foi capaz de levar para o cinema um novo conceito que é o “universo cinematográfico”. O tão esperado longa, curiosamente, é o 19º filme do estúdio e por essa razão levanta o debate apresentado com sutileza na representação do futuro de um filme de 29 anos atrás.

De modo geral, as histórias levadas para o cinema ainda tentam criar experiências únicas e alguns cineastas se esforçam para que o “assistir ao filme” se torne o “vivenciar aquela história”. Entretanto, a evolução da tecnologia, associada com a baixa demanda de qualidade das grandes massas, corrompeu o cinema, fazendo com que não se buscasse mais o “vivenciar da história” mas sim o “impactar (por impactar) o público”. Dessa forma, nasceram as grandes produções onde a tecnologia e os efeitos visuais são enaltecidos em detrimento da qualidade do roteiro, o qual deveria ser o cerne de qualquer película.

Assim, é natural que os mais conservadores não vejam com bons olhos os rumos tomados pelo cinema, e o lançamento do 19º filme de uma única história pode parecer muito absurdo. Todavia, o Marvel Studios vem realizando um trabalho admirável com suas produções, e seus dezoito filmes já lançados conseguem ter personalidade, contar histórias individuais, manter profundidade em cada personagem apresentado e ao mesmo tempo integrar um “universo” maior de histórias compartilhadas.

Ao contrário de outras adaptações, os filmes do estúdio não devem muito às obras originais, pois as histórias em quadrinhos são uma “terra sem lei” e por mais que vejamos um vislumbre da mídia de origem no cinema, a habilidade dos profissionais envolvidos em transportar essas histórias para as telonas é o que faz toda a diferença, e é onde está o verdadeiro mérito. Afinal, além da Marvel, temos um outro “universo” nos quadrinhos tão rico quanto, mas que o estúdio concorrente não tem conseguido desenvolver com a mesma maestria que vemos nos filmes do Marvel Studios.

 

O astro Chris Pratt esteve ontem em São Paulo para divulgar o lançamento do novo filme

 

Assim, chegamos em Vingadores: Guerra Infinita, o desafio final do estúdio para juntar tudo o que apresentou nos últimos 10 anos. O que já foi revelado sobre a trama em entrevistas, sinopses e trailers, é muito coeso com a proposta do universo compartilhado, fazendo com que o filme transpareça naturalidade e crie uma expectativa ainda maior no público. Porém, existe uma preocupação quanto a habilidade dos roteiristas em lidar com um número muito grande de personagens e “sub-tramas” e atender toda essa expectativa. Com a proximidade do lançamento, a Marvel iniciou a última etapa de divulgação do longa, agora com eventos no mundo inteiro para reunir os fãs e aumentar o desejo do público em vivenciar este novo capítulo deste universo.

Em São Paulo, no último dia 04 de abril, aconteceu o evento brasileiro chamado “#BrasilTour #Guerra Infinita”. Os convidados foram recepcionados por Miguel Vives, presidente da The Walt Disney Company Brasil, que em seu discurso transpareceu o orgulho da companhia com o trabalho realizado pelo Marvel Studios ao longo desses anos. Em seguida, o público recebeu o convidado Chris Pratt, um dos astros do longa, que respondeu algumas perguntas sem revelar muito o que podemos esperar do filme. Mas ao final do evento, os convidados foram surpreendidos com a exibição de quase meia hora do vindouro filme, evidenciando o desejo da Marvel em fortalecer essa ansiedade pelo filme.

A pedido do estúdio, impressões e críticas, sobre os momentos do filme que foram revelados, não podem ser publicadas. Mas pode-se afirmar que os roteiristas não decepcionaram, e mesmo com o imenso investimento na produção, a história não ficará de escanteio. Com este filme, a Marvel já marcou história e estabeleceu um inovador modelo para o cinema, que apesar das tentativas, ainda não conseguiu ser replicado. Como está a sua expectativa para o filme?

Vingadores: Guerra Infinita estreia dia 26 de abril de 2018.