O LOBO ATRÁS DA PORTA

Este é um exemplo do novo caminho que o cinema nacional encontrou pós estética da favela com O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho), onde os problemas do público vão para o privado. O drama hoje está em quatro paredes, fugindo dos clichês regionalistas ou de comédias caça-níqueis com péssimos roteiros. Temos aqui um filme noir ambientado na periferia do Rio de Janeiro, onde a filha de Sylvia(Fabiula Nascimento) e Bernardo(Milhem Cortaz) desaparece após a saída da escola, sobre os cuidados de alguém que supostamente ela conhecia, a suspeita Rosa(Leandra Leal). O ótimo manuscrito de Fernando Coimbra, que também dirige a produção desenrola-se dos três pontos de vista no interrogatório do caso. A ambientação claustrofóbica com câmera parada força os atores a uma intimidade pungente, onde os desejos se revelam de forma sincera com personagens tridimensionais e cheios de sombras. Não se pode entregar mais do que isto sem spoiler cretino, mas é um dos melhores do ano, e Leandra Leal é a melhor em cena.