SINOPSE

Bigodinho, chapéu-coco preto, sapatos grandes, bengala, calças largas e paletó apertado (dando a impressão de estar vestindo roupas de pessoas de diferentes tipos físicos – ou seja, seriam doadas). Olhar meigo e tristonho, andar engraçado… Estas são as descrições de Carlitos, personagem de Charles Spencer Chaplin, um vagabundo que nasceu há 101 anos atrás. A primeira aparição de Carlitos foi em 1914 num curta chamado “Kid Auto Races at Venice”. Depois do sucesso, Chaplin decidiu usá-lo em longas-metragens e claro, deu certo. Com muito bom humor, fazia críticas sociais em seus filmes apenas com imagens (recusou por anos o efeito sonoro e mesmo com produções mudas, conseguia êxito). E assim, foram mais 80 filmes realizados entre 1914 e 1967. Sua vida foi levada aos cinemas em 1992 pelo diretor Richard Attenborough e estrelado por Robert Downey Jr. Vinte e três anos depois, a história de sua morte também vai parar nas telonas. Charles era londrino, mas faleceu em Corsier-Sur Vevey (Suiça) em 25 de dezembro de 1977 aos 88 anos em conseqüência de um derrame cerebral.

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O ator e diretor francês Xavier Beauvois (Homens e Deuses), mostra em seu segundo longa a versão de um fato que poucos conhecem: o sequestro do corpo de Chaplin. Parece uma história vinda da mente de um roteirista criativo, mas quando aconteceu, diversas teorias surgiram e ninguém cogitou a hipótese de um sequestro. Sem ninguém ter a certeza, surgiu a possibilidade de um grupo de fanáticos chamados de “os adoradores de Chaplin” roubarem para reverenciar o artista em um lugar seguro. Outra suposição seria de que um grupo alemão, neo-nazista, teria roubado o cadáver com a finalidade de se vingar por ele zombar de Adolf Hitler no filme “O Grande Ditador” (por coincidência, Chaplin usava bigode em seu personagem mais famoso, nasceu quatro dias antes que Hitler em abril do mesmo ano e o verdadeiro ditador, também tinha paixão pelo cinema). Outra seria que adoradores teriam roubado o caixão em protesto a prefeitura de Londres por não ter construído uma estátua em homenagem ao querido vagabundo. Foi indispensável, também, que o motivo seria de fãs atendendo o pedido dele: o de ser enterrado em Londres. Por ser amado e odiado, qualquer motivo era motivo para tal ato.

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Filmado em cidades diferentes da Suíça, “O Preço da Fama” conta o outro lado da história. De mal feitores a pobres miseráveis, Osman Bricha e seu amigo Eddy Ricart são dois imigrantes que vivem na extrema indigência. Eddy, recém-saído da prisão, não tem onde morar e seu único amigo, Osman, decide abrigá-lo em um velho trailer. Cansado de ver seu amigo preocupado por não poder pagar uma alta quantia em dinheiro, Eddy tem uma ideia fora do normal: sequestrar o corpo de Chaplin e pedir um montante acima do que Osman precisa para pagar a cirurgia de sua esposa. Logo de cara ele recusa, mas logo após cair em si, sob as dificuldades que enfrenta, decide executar o plano.

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O foco de tudo se percebe de cara, é o drama envolvendo os ladrões e o roteiro dispensa detalhes dos supostos especulativos que a mídia divulgou na época (de fato, é desnecessário). Mas, há um porém que poderia render um excelente filme e poderia ter ficado de fora que é a presença do forte apelo sentimental que ficou bastante módico e se torna constante em boa parte do filme, embora vá direto ao ponto. O resultado é um tanto irregular por causa do excesso de cenas e se perde em diálogos que por vezes chegam a comprometer o enredo. Apesar da franqueza de como tudo vai sendo conduzido, é razoavelmente competente e sem qualquer expressividade. Mesmo assim, a trama é envolvente e curiosa, ao mesmo tempo faltando um certo encanto.

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De fato é pura rotina que faz com que o público se coloque no lugar dos dois, mas de maneira tola e muito arrastada. Possivelmente aparenta ser um pseudo-histórico chegando a ser mais absurdo que o próprio acontecimento e fazendo o espectador desejar um filme que fosse ao menos atraente. Afinal, um gênio como foi Chaplin, merecia um filme com o mesmo desempenho à altura do que foram os seus trabalhos.

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