Periodicamente um predador alienígena faz uma visita a Terra, o primeiro em 1987, o segundo em 1990 e agora “O Predador”, que não é um remake do filme de 87, mas sim uma continuação, vem ao nosso planeta para caçar os melhores espécimes humanos e utilizar seu DNA para se aperfeiçoar. O filme de 2010, “Predadores”, foi esquecido no churrasco e o personagem de Sterling K. Brown não o menciona enquanto explica o histórico de aparições do alienígena.

Quinn McKenna (Boyd Holbrook) é um sniper numa missão contra um cartel de drogas mexicano quando uma nave cai e de dentro sai um alienígena que mata seus companheiros, McKenna consegue fugir, mas não antes de roubar alguns dos equipamentos do Predador, o que faz com que  Traeger (Sterling K. Brown), responsável por um programa governamental que estuda e coleta informações alienígenas, o Predador e um novo Predador mais evoluído, tenham seu filho Rory (Jacob Tremblay), uma criança no espectro autista, como alvo, já que ele enviou pelo correio os equipamentos para sua casa.

Conforme o elenco vai sendo apresentado alguns clichês vão aparecendo, o grupo de soldados renegados e loucos, o garoto muito inteligente que acaba sendo o alvo, a cientista, interpretada por Olivia Munn, que é chamada de repente para resolver uma situação misteriosa do governo e acaba tendo que entrar num jogo de sobrevivência revelando ter habilidades de um soldado de elite e o cara mal do governo que não mede esforços para conseguir o que quer. Assim como suas personalidades óbvias, é possível definir quais personagens vão sobreviver ao Predador já nas suas primeiras aparições.

O diretor Shane Black, que interpretou Hawkins no Predador de 1987, apresenta elementos dos dois primeiros filmes, mas também reinventa a franquia na tentativa de dar mais uma chance para o caçador mais implacável da galáxia, o filme mantém um ritmo acelerado alternando entre diálogos constrangedores com muitas tentativas de piadas e cenas de ação. Os diálogos talvez sejam uma forma de remeter aos filmes dos anos 80 ou uma forma de satirizar a suposta seriedade do filme, uma maneira de rir de si mesmo.

As cenas de ação, com sangue jorrando na parede branca da instalação do governo, compensam em até certo ponto o roteiro superficial e cheio de buracos, as tentativas falhas de dar um motivo para a vinda dos predadores a Terra, os diálogos jogados e até o Predador trazer seus cachorros para a caçada e no final eles não terem utilidade alguma, porém a contagem de corpos que só aumenta no decorrer da trama não é capaz de salvar o filme por si só.

“O Predador” é até divertido, mas tenta inserir muitos elementos diferentes em uma única cena o que faz com que o filme seja cheio de equívocos, isso sem mencionar os equívocos fora das telas que dominaram as notícias sobre o longa, contudo pode ser que seja o suficiente para reviver a franquia, vamos ter que esperar pra ver.