Dentre os muitos gêneros que existem no cinema, o terror é um dos favoritos entre o público. Filmes como ‘Annabelle’ e ‘Invocação do Mal’ tiveram boa aceitação popular e obtiveram uma excelente bilheteria. Neste ano foi lançado o filme ‘A Bruxa’ do jovem diretor Robert Eggers. Antes mesmo de ser lançado o filme já estava sendo anunciado como o mais assustador do ano. O próprio Stephen King, famoso por seus romances de terror, elogiou muito o filme. Entretanto, algumas pessoas saíram das salas de cinema insatisfeitas com ele. Mas se ele foi um sucesso de críticas, porque não obteve o mesmo sucesso com o grande público?

Todo fã de cinema se lamenta pelo fato da sétima arte não ser vista como arte, mas apenas como um entretenimento. Algo bobo e sem sentido feito apenas para entreter as pessoas. ‘A Bruxa’ é um filme profundo que consegue criar bem uma atmosfera de medo e tem uma trama muito rica e corajosa. Porém é um filme que não faz você pular da cadeira. Não há aquele máximo do clichê onde tudo fica quieto e o monstro/fantasma/assassino/zumbi/demônio aparece fazendo um estardalhaço. Por incrível que apareça, as pessoas preferem filmes assim. Isso explica o sucesso de ‘Annabelle’ que por sua vez obteve uma enxurrada de críticas negativas.

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Um filme não pode tratar o público de idiota, enfiar um roteiro pífio, criar cenas de susto que até um YouTuber iniciante cria e os fãs o aceitarem como algo bom. Não há mal algum em ver esse tipo de filme no cinema com os amigos. Desde que você não o leve a sério, será uma grande diversão a todos. O problema é condenar um longa incrível por uma questão boba. ‘A Bruxa’ cria o ambiente, a trama e os diálogos necessário para se fazer uma obra de arte. Um longa deste nível faz o fã do gênero querer comprar outro ingresso para ver novamente.

A questão principal é que isto não é culpa do fã. Isso é culpa da educação presente em nossas escolas que passam filmes na sala quando não tem mais o que fazer, pedem um relatório qualquer e tá tudo ok. Como é que as pessoas vão enxergar o cinema como arte quando não são ensinados a isso? Isso se torna óbvio quando observamos que os últimos três filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme tiveram juntos uma bilheteria duas vezes menor que o filme ‘2012’, que por sua vez foi duramente criticado pela imprensa.

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Para não ser acusado de desonestidade, vale lembrar que filmes comerciais sempre arrecadam mais do que filmes artísticos, digamos assim. O motivo disso é o marketing pesado que fazem sobre esses filmes. A preocupação mesmo é ver longas tão maravilhosos obtendo uma bilheteria tão baixa. A longo prazo, as produtoras podem dar total preferência a filmes comerciais e teremos de contar com a garra dos cineastas que lutaram por patrocínio para nos entregar verdadeiras obras de arte.

‘A Bruxa’ é um filme maravilhoso. Seu crime foi ser bom ao invés de recheá-lo de sustos. A injustiça que ele vem sofrendo acontece com longas de todos os gêneros. A curto prazo isso parece inofensivo, mas a longo prazo isso pode acabar com o espaço para bons cineastas e bons roteiros. Não se sinta culpado por ver filmes comerciais. Assista e diga aos seus amigos que se divertiu, mas se o longa for ruim, diga que ele é ruim. E sempre ressalte filmes bons. Faça com que os grandes produtores invistam neles. O futuro do cinema conta conosco!