“O Reino Gelado: A Terra dos Espelhos” é o quarto filme da franquia russa do Reino Gelado, mas não é necessário assistir os outros três para entender essa história. O enredo gira em torno do rei e cientista Harald, que perdeu quase toda sua família por conta da Rainha do Gelo e, como vingança, proibiu todo e qualquer tipo de mágica, mantendo todos os seres com poderes mágicos prisioneiros na Terra dos Espelhos.

A protagonista já conhecida dos filmes anteriores da franquia é a jovem Gerda que, apesar de não apresentar poderes mágicos, no começo da trama embarca numa aventura animada, porém previsível, de resgatar os seres mágicos. A premissa da trama é muito válida. Além de salvar esses seres mágicos, Gerda também deve resgatar a tradição mágica, que está sendo ameaçada pela chegada da tecnologia, dando um toque atual e um pouco mais realista à história fantasiosa.

Visualmente o filme é muito bonito e, mesmo dispondo de baixo orçamento, evidencia a evolução do estúdio responsável pela franquia. Ainda no quesito visual, é impossível não comparar com o sucesso mundial – e também cheio de neve – Frozen (apesar do primeiro filme do Reino Gelado ter sido lançado um ano antes de Frozen) mas as semelhanças param por aí. Diferentemente de Frozen, O Reino Gelado: A Terra dos Espelhos não é capaz de divertir a família toda. O enredo é fraco, previsível e simples – muito simples. As tentativas de comédia funcionam para crianças e só para elas. São apresentados diversos personagens que pouco são relevantes para a trama principal e não adicionam nada à história.

A mensagem principal é a de tolerância, aprender a conviver com as diferenças e de não deixar tradições morrerem, essa última representada pela tecnologia que ameaça a mágica do Reino, ainda que não tenha sido demonstrado de que forma a ciência poderia atrapalhar ou prejudicar o Reino de fato, a não ser pelo desejo de vingança do Rei cientista.

Apesar do roteiro fraco, considerando que se trata de uma animação russa no meio de tantas produções hollywoodianas com condições muito melhores, o filme não é de todo decepcionante e vale à ida ao cinema para quem já assistiu – e gostou – dos primeiros filmes da saga.