de pau

Levando em consideração vários fatores, a comédia nacional ser o filão mais fácil de retorno em bilheterias e diálogo com o público, predisposto a formatos engessados e velhas gags televisivas, o uso do humor físico e natural de Leandro Hassum (que realmente é engraçado) ter reflexo fácil de seus últimos filmes sem roteiro algum serem carregados por seu carisma ad eternum, aparentemente, ‘Os Caras de Pau em o Misterioso Roubo do Anel’ (2014) que teve estréia voltada as crianças dia 25 de Dezembro, teria tudo para funcionar com primor. Seguindo a velha receita dos filmes de férias da era ‘Os Trapalhões’, o diretor de encomenda Felipe Joffily (Muita Calma Nessa Hora) produz o roteiro do parceiro de palco de Hassum, Marcius Melhem que dividiu vários dos ótimos textos que eram feitos por Chico Anysio no teatro com seu amigo formando um par perfeito de escada e protagonista da piada, que agora aqui transpõe o irregular e duvidoso formato usado na telinha dos dois seguranças bobos Jorginho e Pedrão para o cinema. Uma socialite (Christine Fernandes) encarrega os dois desajeitados para proteger uma jóia de família, até misteriosos ninjas; sim, ninjas tentarem roubá-lo. Em uma inverossímel indecisão entre linguagem de desenho animado (Scooby-Doo, A dama e O Vagabundo) e as comédias dos anos 90 de Mike Myers e os irmãos Farrely, Joffily mostra que não é necessário narrativa, roteiro e nem aparato técnico descente para as cenas de ação, pelo menos, que aliás tem momentos vergonhosos para uma co-produção Globo filmes. Não que a química e talento cômico dos dois atores não funcione, todos os momentos de Hassum são hilariantes e inevitáveis, como tudo que sai de sua boca, improviso ou texto, mesmo eles dizendo em entrevista que não houve espaço para improvisar no roteiro.090976

A velha piada pronta da máfia portuguesa também é usada, pois um bando de luso-mafiosos caricatos também são incluídos na trama rocambolesca. A comédia é sempre difícil de se discutir por seu efeito físico direto no espectador, ou você ri, ou não ri, mas em cinema, mesmo o humor nonsense deve ter uma estrutura de roteiro formal muito bem calculada, pois não existe arte mais séria do que fazer humor, com o acréscimo de se ter uma história a ser contada, porque mesmo a equipe de Monty Python tinham algo a dizer em ‘A Vida de Brian’ (1979), ou em ‘O Sentido da Vida’ (1983), ou em alguns dos melhores filmes de Adam Sandler. Por isso acredito que a comédia nacional deva sair do comodismo de nosso deboche natural brasileiro de aceitar a piada por ela mesma, e ser original. Comediantes temos aos montes, mas não um que tenha seus próprios textos, ou bons roteiristas a seu serviço. Esta é a falha principal de ‘Os Caras de Pau’. Para um final de semana sem compromisso com os filhos, talvez eles saiam ilesos.

Trailer do filme: