SINOPSE

Em 2016, o time da Chapecoense se classificou para a final do campeonato Sul-Americano, algo inédito para o clube até então. No entanto, a trajetória histórica foi interrompida no dia 28 de novembro do mesmo ano, quando o avião que transportava o time para a grande partida sofreu um grave acidente, provocando a morte de 71 pessoas. Depois de meses de luto e muita comoção, a Chapecoense se reergueu e deu continuidade ao legado, rumo ao topo novamente.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Luis Ara Hermida

Roteiro:

Luis Ara Hermida

Gênero:

Documentário

Produção:

Elenco:

Jakson Follmann, Neto, Alan Ruschel, Ximena Suárez

Nacionalidade:

Brasil

Ano de Produção:

2018

Data de Lançamento:

09/08/2018

Distribuição:

Arcoplex Cinemas

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Item não avaliado

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Item não avaliado

Maquiagem:

Item não avaliado

Não é à toa que o Brasil é o país do futebol. Vemos muito disso durante a Copa do Mundo e no decorrer dos campeonatos que ocorrem durante o ano. As torcidas são calorentas, gritam, xingam, choram, sorriem, comemoram e sempre mostram sua paixão pelo esporte. Mas vemos também essa paixão em momentos difíceis. E o mais difícil deles aconteceu em 28 de novembro de 2016.

Desde pequeno estive no meio de apaixonados por futebol, mas essa paixão nunca chegou até mim. Tanto que segui o inverso dos meus familiares torcendo para a equipe rival, mas não com a intenção de provocar e ser a ovelha negra da família. Mudei porque era o que eu sentia, algo fundamental para o futebol. E por mais que nunca estive tão envolvido, vivi meus momentos épicos como torcedor. Cheguei a chorar, vibrar, gritar, xingar e comemorar. E foi em momentos assim que compreendi a paixão por esse esporte. Mas foi a partir daquele fatídico dia que comprovei o quanto esse esporte é maior do que 11 homens correndo atrás de uma bola. Entendi porque muitos viviam e respiravam aquilo. O sentimento ultrapassa as quatro linhas em um nível extraordinário, chegando a fazer um mundo chorar por um time, que até então, era considerado “pequeno”. Mas que, no momento mais difícil da vida dele, mostraram-se grandes.

Fundada em maio de 1973, a Associação Chapecoense de Futebol foi se tornando, aos poucos, a maior paixão na pequena cidade de Chapecó, em Santa Catarina. Criada com a intenção de ser um time grande em meio a equipes amadoras da cidade, a Chapecoense foi destaque nos campeonatos estaduais, chegando a ser campeã em seis deles. Batalhou anos, conseguindo subir da série D à A, provando-se ser cada vez mais uma equipe de guerreiros. E junto com a classificação histórica à final da Sulamericana, em 2016, veio também a tristeza. Mesmo com alguns distantes do futebol, cada brasileiro derrubou uma lágrima com a queda do avião que matou 71 passageiros – sendo 19 jogadores, 14 membros da comissão técnica, nove dirigentes, 20 jornalistas, dois convidados e sete tripulantes – e deixando apenas seis vivos. Acompanhamos pelas redes sociais, pela televisão e ouvimos histórias atrás de histórias durante meses. E por mais que pareça que não havia mais nada para ser contado, o uruguaio Luis Ara demonstrou não ser um apaixonado, mas um carinhoso amante do esporte.

O cineasta comprova o sentido da frase “é mais do que futebol” em não utilizar – estrategicamente ou por direitos autorais – imagens de jogos. O objetivo aqui em “Para Sempre Chape” não é falar do esporte, mas sim, o que ele pode ser às pessoas. Com uma montagem clássica de documentário, Ara conta desde a formação do clube até o dia do acidente, onde ele comprova sua qualidade como cineasta em explorar o visual e a trilha de maneira concisa. Não há nada de extraordinário em sua direção, nada que fuja dos padrões do gênero, mas ainda assim, ele conquista o coração de cada um que assiste. Muito se deve a história emocionante dos sobreviventes e de toda a trajetória do time até a final da Copa Sulamericana. Mesmo assim, Ara se utiliza de recursos para fortalecer essa emoção. No entanto, o maior poder de Ara está em não querer responder nada. O cineasta não vai em busca de um culpado ou da causa principal do acidente. Ele, como todos nós, mostrou-se um espectador, com o objetivo de apresentar a história daquele time e daqueles que estavam envolvidos.

Este toque é fundamental para não afastar os espectadores nem tão ligados ao futebol e ao mesmo tempo não deixa de apresentar declarações novas aos apaixonados pelo clube e pelo esporte. Ara ficou longe de diminuir qualquer coisa relacionada a Chapecoense e não mistura escândalos ou outros problemas relacionados ao futebol brasileiro. Nem a própria Colômbia roubou os holofotes do time catarinense. Houve a devida homenagem, por tudo o que o país fez aos presentes no voo, mas longe de se tornarem o foco. Isso fica ainda mais claro com os entrevistados, sendo a maioria ligados ao clube de alguma forma. Inclusive, o único membro familiar a dar declarações foi a esposa do assessor Cleberson Fernando da Silva, que trabalha como assessora de imprensa no clube.

Por mais bonito que seja o documentário do uruguaio, ainda há pequenas complicações quanto ao roteiro e a montagem. Ou melhor, a união dos dois. A escolha de Adra contar a história da fundação do time antes de tudo é primorosa, faz o espectador se aproximar mais daquela cidade e daquela equipe. Mas ainda assim, ele traz momentos redundantes quanto às informações, nas quais elas são dadas através de entrevistas ou recortes de jornais, e logo em seguida dadas através da escrita. Isso tira a experiência completa do espectador que acompanha tudo aquilo com um ritmo, e quando tem uma quebra dele, há uma informação repetida. Ou seja, quando o filme para, não é entregue nada de novo, dando a sensação de segundos perdidos.

Mas pequenos erros não apagam a emoção que foi em vivenciar essa história que marcou a história do futebol brasileiro, mas que marcou, principalmente a história da pequena cidade catarinense, que vai levar para sempre os seus heróis no coração. Para sempre, serão Chapecoense.

 

Em memória dos jogadores

Ailton Cesar Junior Alves da Silva (Canela); Ananias Elói Castro Monteiro; Arthur Brasiliano Maia; Bruno Rangel; Cléber Santana; Danilo Padilha; Dener Assunção Braz; Everton Kempes dos Santos Gonçalves; Filipe José Machado; Guilherme Gimenez de Souza; José Gildeixon Clemente de Paiva (Gil); Josimar Rosado da Silva Tavares; Lucas Gomes da Silva; Marcelo Augusto Mathias da Silva; Mateus Lucena dos Santos (Mateus Caramelo); Matheus Bitencourt da Silva (Matheus Biteco); Sergio Manoel Barbosa Santos; Tiago da Rocha (Thiaguinho); Willian Thiego de Jesus.

 

Em memória da comissão técnica

Adriano Bitencourt; Anderson Donizette Lucas; Anderson Martins; Anderson Paixão; Cleberson Fernando da Silva; Eduardo de Castro Filho; Eduardo Preuss; Gilberto Thomaz; Luiz Carlos Saroli; Luiz Cunha; Luiz Felipe Grohs; Marcio Koury; Rafael Gobbato; Sérgio de Jesus.

 

Em memória dos dirigentes e convidados

Daví Barela Dávi; Decio Filho; Delfim de Pádua Peixoto Filho; Edir De Marco; Emersson Domenico; Jandir Bordignon; Mauro Bello; Mauro Stumpf; Nilson Folle Jr.; Ricardo Porto; Sandro Pallaoro.

 

Em memória dos profissionais da imprensa

André Podiacki (repórter, jornal Diário Catarinense); Ari de Araújo Jr. (repórter cinematográfico, Rede Globo); Bruno Mauri da Silva (técnico, RBS TV); Devair Paschoalon (narrador, Fox Sports); Djalma Araújo Neto (cinegrafista, RBS TV); Douglas Dorneles (repórter esportivo, Rádio Chapecó); Edson Ebeliny (repórter esportivo, Rádio Super Condá); Fernando Doesse Schardong (narrador, Rádio Chapecó); Gelson Galiotto (narrador, Rádio Super Condá); Giovane Klein Victória (repórter, RBS TV); Guilherme Marques (repórter, Rede Globo); Guilherme van der Laars (produtor, Rede Globo); Jacir Biavatti (comentarista, RICTV, Rádio Vang FM e Rádio Momento FM); Laion Espíndola (repórter, Rede Globo); Lilacio Pereira Jr. (coordenador de transmissões externas, Fox Sports); Mário Sérgio Pontes de Paiva (comentarista, Fox Sports); Paulo Júlio Clement (jornalista, Fox Sports); Renan Agnolin (repórter, RICTV e rádio Oeste Capital); Rodrigo Santana Gonçalves (repórter cinematográfico, Fox Sports); Victorino Chermont (repórter, Fox Sports).

 

Em memória dos tripulantes

Alex Quispe; Angel Lugo; Gustavo Encina; Miguel Quiroga (piloto da aeronave); Ovar Goytia; Romel Vacaflores (assistente de voo); Sisy Arias.