A paternidade, para muitos, é algo grandioso e divino, mas, ao mesmo tempo, complexo. Para outros já é algo difícil, discutível e para uma outra parte da população mundial é algo inaceitável e inadmissível.

De fato a paternidade sempre se mostrou como algo misterioso e surpreendente. Para muitos pais, é uma incógnita ou um mundo repleto de sonhos, fantasias e de planos futuros.

Em homenagem ao dia dos pais, preparamos um artigo muito especial sobre a figura do “pai” no mundo do cinema.

É importante ressaltar que o artigo não é apenas uma homenagem mas, também, uma reflexão sobre as atuações que marcaram, tanto de forma positiva quanto negativa, mas que se tornaram importantes e memoráveis para os amantes da sétima arte.

O conjunto de filmes citados estão divididos em blocos relacionados aos tipos de pais que foram vistos nos filmes e misturam, desde produções dramáticas, bem como cômicas e até do gênero terror. Considerando o fato de que alguns filmes de um bloco também poderiam estar inseridos em outro, a reflexão sobre a importância de cada personagem é o que conta.

1. PAIS QUE EMOCIONAM

Alguns filmes ao longo dos anos foram realmente feitos para emocionar e até fazer chorar. O que mais chama a atenção das produções analisadas é a importância da figura paterna para o enredo de cada filme.

Como não se sensibilizar com a situação do personagem de Dustin Hoffman na iminência de perder seu filho em uma disputa judicial em Kramer Vs Kramer (1979) ou com a situação parecida do personagem de Sean Penn em Uma Lição de Amor (2001), onde ainda tem um agravante que é a sua deficiência mental que se torna um problema que pode impedí-lo de ficar com a filha.

Há também os delicados e sofridos momentos do personagem de Sam Worthington na angústia da perda de sua filha em A Cabana (2017) que conseguem comover qualquer um que o assista. Situação parecida com a que se pôde constatar com a do personagem de Dale Midkiff no terror Cemitério Maldito (1989), quando o mesmo é tomado por uma dor e desespero indescritíveis ao perder o filho. Curiosamente, é o verdadeiro ponto aterrorizante desta produção de terror baseada na obra de Stephen King, que de assustadora não tem nada.

Há momentos também memoráveis e que impressionam qualquer pai de família ao ver alguém lutando contra tudo e contra todos para manter seus filhos a salvo. É o que pôde ser visto em Contagem Regressiva (2013) em uma das cenas finais mais emocionantes já vistas no cinema, mesmo se tratando de um filme mais voltado para aventura, desenvolvida pelo astro, já falecido, Paul Walker que batalha para manter a sua filha recém-nascida viva em uma encubadora. No mesmo contexto mas em ambientes diferentes, o filme A Procura da Felicidade (2006) mostra a luta de um pai em conseguir um emprego para tirá-lo junto com seu filho de um quadro de extrema precariedade social.

Existem histórias mostradas no cinema que, mesmo tratando de pais incomuns, rígidos e incompreensíveis, conseguem assim mesmo, emocionar o público. É o caso de Gonzaga: de pai pra filho (2012) e de A Árvore da Vida (2011)

2. OS PAIS QUE PROTEGEM A FAMÍLIA

Proteger a família é de fato o lema que todo pai deveria seguir. No cinema, ao tratar de histórias que levam a sério esta afirmação, curiosamente, apresentam enredos voltados para gêneros diversos com enredos que se divergem entre si. O público pode apreciar produções que dão ênfase a esta ideia, como, por exemplo, no cotidiano da máfia com Dom Corleone (Marlon Brando) em O Poderoso Chefão (1972) ou na selva africana com o chefe e pai Mufasa (James Earl Jones) em O Rei Leão (1994), mas também pode se deparar com pais capazes de tudo para resgatarem seus filhos em situações de perigo como o peixe palhaço Marlin (Albert Brooks) em Procurando Nemo (2003) ou até mesmo como os durões John Matrix (Arnold Schwarzenegger), John Mcclane (Bruce Willis), Bryan Mills (Lian Neeson) respectivamente em Comando Para Matar(1985) e Duro de Matar (2007; 2013) e Busca Implacável (2008).

É possível sentir arrepios vendo pais mergulhando no submundo fantasmagórico ou demoníaco para salvar suas inocentes crianças como é o caso de Patrick Wilson em Sobrenatural (2011) e de Jeffrey Dean Morgan em Possessão (2012).

Não se pode esquecer também das comoventes histórias de pais que simplesmente optam por abrir mão de suas carreiras só para permanecerem perto de seus filhos, ignorando completamente o risco de suas escolhas, como é o caso do personagem de Robin Williams que arriscando perder a guarda de seus filhos, para ficar perto dos mesmos, se disfarça de governanta em Uma Babá Quase Perfeita (1993) e do capitão Von Trapp (Christopher Plummer) que desiste de servir a seu país na segunda guerra mundial, para se refugiar com seus filhos em um lugar seguro em A Noviça Rebelde (1965).

3. OS PAPAIS HERÓIS

Toda criança que ama o seu pai, geralmente, os enxerga como verdadeiros heróis capazes de vencerem qualquer desafio a eles propostos. Podem, de fato, ser homens com poderes especiais como Logan (2017) ou com talento para movimentar um robô de luta como em Gigantes de Aço (2011). Mas também podem ser homens simples que possuem talento para esportes como a queda de braço, conforme mostrado em Falcão, O Campeão dos Campeões (1987) ou no boxe como mostrado em O Campeão (1979).

4. OS PAIS QUE DIVERTEM

Quem nunca sentiu orgulho de um pai divertido? Obviamente, nem tudo é alegria, as vezes os momentos de distração são cômicos para uns e constrangedores para outros. De qualquer forma, o que vale é a intenção e, mais ainda, o convívio familiar. Nesta categoria, Steve Martin se destaca em seus papeis hilariantes como em O Pai da Noiva (1991) e Doze é Demais (2005). Adam Sandler não poderia ficar de fora com suas comédias fracassadas como O Paizão (1999) e Este é o Meu Garoto (2012), nem Eddie Murphy com seu divertido A Creche do Papai (2003) e por quê não mencionar o astro de filmes de ação do momento, Dwayne Johnson no bobinho Treinando o Papai (2007). Todas essas comédias, medianas ou não, trazem um lado cômico que todo pai, por mais sério que seja, em algum momento deixa transparecer.

Curiosamente, há filmes que mostram um lado divertido mas com um enredo um tanto mais sério e até censurável, como é o caso do premiado Toni Erdmann (2016). Já outros conseguem mostrar o lado enigmático da figura de um pai e a sua criatividade em contar histórias, como se pode ver na produção de Tim Burton, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003).

5. OS PAIS ADOTIVOS OU DE CORAÇÃO

Quem disse que só pai biológico é pai de verdade? Alguns filmes destacam a figura do pai adotivo, padrasto ou simplesmente do pai “de coração” como alguém determinante na vida de um personagem. Ninguém, por exemplo, consegue esquecer o ranzinza, mas carismático, treinador Mickey (Burgess Meredith) em Rocky: Um Lutador (1979) ou do mestre e conselheiro Miyagi (Pat Morita) em Karatê Kid – A Hora da Verdade (1984) ou do simpático Dr. Larch (Michael Kane) em Regras da Vida (1999). Todos eles tem um papel fundamental na vida de cada personagem principal de seus respectivos filmes, além de assumirem papéis de professores também, mesmo que indiretamente, acabam se tornando verdadeiros amigos equiparados a pai de cada pupilo.

No papel de padrasto, John Travolta consegue se destacar, dando uma energia bastante positiva em Olha quem Está Falando (1989).

Uma atuação marcante e comovente no que diz respeito a figura paterna, ainda mais como sendo adotiva e diga-se de passagem incomum, é a de Ving Rhames em Holyday Heart (2000), no papel de uma drag queen que se depara com uma situação bastante estarrecedora ao decidir cuidar de uma menina abandonada por uma mãe viciada. O que impressiona neste trabalho é que seu personagem mesmo não deixando de assumir a sua opção sexual para a então filha adotiva, decide ser o pai que ela nunca teve.

É claro que muitos outros filmes mereciam estar nesta lista, cada qual com a sua importância (Darth Vader e Tony seriam pais heróis que emocionam e divertem?). O que mais importa que todos os filmes lembrados nesta importante matéria destacam, de fato, a importância da figura paterna na vida de qualquer ser humano.

Diante disso, fica a todos os pais e futuros pais as mais sinceras felicitações pelo seu dia, desejando maravilhosos e logos dias ao lados de seus queridos filhos e de todas as outras pessoas que os amam.