Octavia Spencer, indicada três vezes ao Oscar, é hoje uma das mais renomadas atrizes dramáticas, sempre interpretando mulheres fortes, sábias e inabaláveis, mas dessa vez a parceria com o diretor Tate Taylor, que rendeu a Spencer o Oscar por “Histórias Cruzadas”, a levou para outra direção, aqui, em um gênero diferente do que estamos acostumados a vê-la, ela interpreta uma mulher vulnerável e profundamente danificada pelo passado.

Maggie (Diana Silvers) é a nova garota na cidade, ela e sua mãe, Erica (Juliette Lewis)  acabaram de se mudar da Califórnia, de volta para a pequena cidade onde Erica cresceu e apesar de ser difícil se enturmar no ensino médio, Maggie logo faz amigos e para não desapontar seus novos amigos aceita ficar na porta da loja de conveniência pedindo para as pessoas que passam comprarem bebidas para eles, e é assim que o grupo de adolescentes conhece Sue Ann (Octavia Spencer).

Sue Ann é uma assistente de veterinária que constantemente leva broncas por não fazer seu trabalho direito, ela parece sempre distante, seus pensamentos estão em coisas muito diferente de vacinas e ração. Relutante, ela aceita o pedido de Maggie para comprar as bebidas e logo faz amizade com o grupo, oferecendo seu porão para que, segundo ela, eles fiquem mais seguros, que não fiquem por ai bebendo na rua, e apesar de acharem algumas de suas atitudes estranhas eles aceitam a oferta e cada vez mais eles contam com a generosidade dessa mulher solitária que passam a chamar de Ma, um apelido para mãe.

A partir daí o filme se desenrola de maneira previsível num ritmo lento, com flashbacks da adolescência de Sue Ann que antes excluída agora festeja com os filhos daqueles que a fizeram sofrer no colégio, não é muito difícil saber tudo o que está por vir. O suspense é construído, mas o longa tem dificuldade em mantê-lo, principalmente por causa da previsibilidade, o que faz com que ele se torne cansativo, assim como em “A Garota no Trem”, de 2016, adaptação de um livro, que li em três dias, e que Tate Taylor transformou em um filme, com menos de duas horas de duração, que demorei três dias para conseguir terminar de assistir.

Usando todos os mesmos truques de tantos outros filmes de terror, “Ma” desperdiça o que poderia ser interessante com personagens mal desenvolvidos e pontas soltas, os segredos e personagens inseridos não passam de uma história de fundo que não toma forma, e talvez com exceção de Diana Silvers, que é a que se sai melhor entre os adolescentes, nenhum personagem tem carisma suficiente para fazer com que você se preocupe com o seu destino. Já Octavia Spencer cria uma personagem inquietante e obsessiva e mesmo quando o texto falha ela segura a cena com seu sorriso, que aqui toma um ar muito mais sinistro, e mesmo assustadora consegue fazer com que você sinta empatia por ela, muito mais do que pelos outros personagens.

A grande vantagem de “Ma” é Octavia Spencer, que abraça o gênero e mais uma vez é excelente, mas parece que ela é a única aposta do longa, sendo de fato a única coisa que da pulso à trama confusa que sem definir seu caminho chega a lugar nenhum, porém nem o brilhantismo de Spencer é capaz de fazer com que “Ma” seja bom (ou mau) o suficiente.